Flavio P. Veras e outros pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, estão testando o uso de ultrassom como uma alternativa para combater vírus respiratórios, como o SARS-CoV-2 e o Influenza A (H1N1). Os resultados, divulgados pelo Jornal da USP e em estudo publicado em fevereiro na Revista Nature, indicam que ondas sonoras de alta frequência podem comprometer a estrutura desses vírus sem causar danos às células saudáveis.O principal autor da pesquisa é Flavio P. VerasPara quem tem pressa:Ondas sonoras de alta frequência atingem diretamente os vírus e causam danos estruturais, sem usar calor ou radiação, o que evita impactos desnecessários em células saudáveis;Experimentos com SARS-CoV-2 e Influenza indicaram perda de integridade de suas moléculas e menor capacidade de infecção. O efeito pode valer para outros vírus com estrutura semelhante.;A técnica pode levar a tratamentos mais seguros e menos invasivos, com base em efeitos físicos e não químicos.O ultrassom como um método alternativo e menos prejudicialEstudo foi conduzido pelo Instituto de Física de São Carlos da USP (Reprodução: TutulKhan007 / Shutterstock) – Imagem: TutulKhan007 / ShutterstockDiferente de métodos tradicionais, que dependem de medicamentos ou respostas imunológicas, o ultrassom atua por meio de um efeito físico direto sobre os vírus. As ondas sonoras de alta frequência atingem as partículas virais e provocam danos estruturais por vibração, em um fenômeno associado à ressonância mecânica, sem depender de aquecimento ou emissão de radiação.Esse mecanismo é relevante porque reduz riscos ao organismo e ao ambiente ao redor. Nos experimentos, não foram observadas mudanças significativas de temperatura ou no pH, indicando que o processo ocorre de forma localizada e controlada, sem afetar células saudáveis.Os testes foram realizados com vírus respiratórios como o SARS-CoV-2 e o Influenza-A (H1N1), utilizando frequências entre 3 e 20 MHz, semelhantes às de equipamentos médicos. Após a exposição ao ultrassom, os vírus apresentaram redução de tamanho, fragmentação e perda de integridade estrutural, o que comprometeu sua capacidade de infectar células.Embora os experimentos tenham focado em vírus específicos, os pesquisadores apontam que os resultados podem ser aplicáveis a outros agentes virais com morfologia semelhante, especialmente aqueles de formato aproximadamente esférico. Isso amplia o potencial da técnica para diferentes infecções.Leia mais:Anvisa cria grupos de trabalho para ficar de olho em ‘canetas emagrecedoras’Câncer de pele: novo tratamento inicia testes em humanos no BrasilBeber água quente de manhã faz bem? Entenda o novo viral das redes sociaisA pesquisa pode abrir caminho para intervenções mais segurasAlém do efeito direto sobre os vírus, o estudo aponta possíveis caminhos para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas baseadas em princípios físicos. Ao demonstrar que estruturas virais podem ser afetadas sem o uso de substâncias químicas, a pesquisa sugere intervenções mais controladas e menos agressivas.Assim como destaca o professor Odemir Martinez Bruno, do IFSC e coordenador do estudo: “O trabalho traz uma contribuição importante para a biologia dos vírus ao mostrar que a integridade da partícula viral pode ser influenciada por estímulos físicos”.Apesar dos resultados promissores, a abordagem ainda está em estágio inicial e não foi testada em humanos. Novas pesquisas serão necessárias para avaliar a viabilidade de aplicações clínicas no futuro.O post Ultrassom pode combater vírus respiratórios, alegam pesquisadores da USP apareceu primeiro em Olhar Digital.