O Brasil vive um aumento expressivo nos casos de sofrimento psíquico. Em 2025, mais de 534 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais, segundo dados da Previdência Social. Diante desse cenário, uma nova iniciativa busca ampliar o acesso à saúde mental nas periferias por meio de uma campanha de matchfunding que triplica doações destinadas a coletivos que atuam diretamente nos territórios.A ação é realizada pela Fundação Tide Setubal em parceria com o Instituto Infinis, dentro do projeto Territórios Clínicos, que integra o programa Saúde Mental Territórios Periféricos.A ação tem como objetivo fortalecer organizações sociais que atuam diretamente nas periferias, ampliando redes comunitárias de cuidado e facilitando o acesso à saúde mental de forma mais inclusiva e territorializada. Leia também: 1.Como cuidar da casa e da saúde mental ao mesmo tempo 2.4 atividades físicas que melhoram a saúde mental Cresce a demanda por saúde mental no BrasilO debate sobre saúde mental se intensifica diante do aumento da demanda por atendimentos no país. Segundo dados do Ministério da Previdência, mais de 440 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais em 2024, número que subiu para 534 mil em 2025.No Sistema Único de Saúde (SUS), os atendimentos em saúde mental cresceram cerca de 20% no primeiro semestre de 2025, reforçando a necessidade de expansão dos serviços públicos e de iniciativas comunitárias.Foto: Julia Caesar | UnsplashAlém disso, dados do IBGE indicam que cerca de 20% dos adolescentes brasileiros apresentam sinais de sofrimento psíquico, o que também reforça a pressão sobre os serviços públicos e evidencia a urgência de ações voltadas à prevenção e ao cuidado.Como funciona o matchfunding A campanha da Fundação Tide Setubal utiliza o modelo de matchfunding, que combina financiamento coletivo com aporte institucional. Na prática, isso significa que cada doação feita pela sociedade é multiplicada por recursos do fundo do projeto.Na campanha do Territórios Clínicos, a cada R$ 1 doado, o fundo aporta mais R$ 2, triplicando o impacto das contribuições até que cada iniciativa atinja sua meta mínima de arrecadação.A ação está disponível na plataforma Benfeitoria e convida a sociedade a apoiar projetos que promovem cuidado psicológico em comunidades periféricas.Projetos apoiados pela campanhaA campanha reúne diferentes iniciativas voltadas à ampliação da saúde mental nas periferias e em grupos vulnerabilizados: Escutar Transforma — Coletivo Escutar Transforma — Criar material formativo que qualifique a escuta em saúde mental no SUS, considerando território, raça, gênero e trabalho. Flor de Cacto — Coletivo Flor de Cacto — Fortalecer projeto que promove cuidado psicológico comunitário com foco em mulheres e populações em situação de vulnerabilidade. Sem Cuidado Não Há Democracia — Campanha “Sem cuidado não há democracia”, iniciativa do GIPA Brasil para oferecer escuta ética, antirracista e politicamente situada durante o ciclo eleitoral de 2026. Cuidado em Saúde Indígena — Coletivo Capim — Fortalecer iniciativa voltada ao fortalecimento de práticas de cuidado em saúde mental em comunidades indígenas. Projeto Bordando — Instituto Fazendo História — Oferecer psicoterapia gratuita para crianças e adolescentes que vivem abrigos em territórios periféricos. Ladrilhar Pesquisa — Coletivo Ladrilhar Pesquisa — Realizar um diagnóstico sobre o atendimento psicológico de crianças e adolescentes em acolhimento institucional no município de São Paulo, produzindo evidências para qualificar políticas públicas de saúde mental e proteção à infância. PIER — Coletivo PIER (Psicologia em Emergências e Desastres) — Contribuir para a justiça climática por meio do desenvolvimento do protagonismo de crianças afetadas ou suscetíveis a desastres socioambientais.. Psicanálise Periférica — Coletivo Psicanálise Periférica — ação que amplia o acesso à clínica psicanalítica em territórios periféricos. Clinicuz Podcast — Coletivo Clinicuz — Apoiar a produção de conteúdo sobre saúde mental a partir da psicanálise e a democratização da informação, por meio de ações de letramento e do mapeamento e divulgação de serviços voltados à população trans na cidade de São Paulo.Fortalecimento das redes de cuidadoSegundo Fernanda Almeida, coordenadora do programa Saúde Mental Territórios Periféricos da Fundação Tide Setubal, o fortalecimento das iniciativas locais é essencial para ampliar o acesso ao cuidado.“A ampliação do acesso à saúde mental passa pelo fortalecimento das iniciativas que já atuam nos territórios. O matchfunding cria condições concretas para que essas organizações ampliem seu alcance e sustentabilidade”, afirma.O projeto Territórios Clínicos integra produção de conhecimento, mobilização social e captação de recursos para fortalecer práticas de cuidado. A iniciativa busca ampliar o acesso à saúde mental nas periferias e contribuir para modelos mais inclusivos e comunitários de atenção psicossocial no Brasil.The post Campanha busca ampliar o acesso à saúde mental nas periferias appeared first on CicloVivo.