Um estudo inédito, publicado nesta terça-feira (21), revela que a locomoção lateral dos caranguejos é uma característica rara e originada de um ancestral comum de cerca de 200 milhões de anos atrás. De acordo com os pesquisadores, a locomoção lateral é uma característica definidora dos ‘caranguejos verdadeiros‘ (Brachyura) – o maior grupo de decápodes que se alimentam de outros caranguejos. Entre outros benefícios, esse modo de locomoção pode ser particularmente útil para escapar de predadores, pois torna a direção da fuga imprevisível.O ‘caranguejo verdadeiro’ se diferencia de outras espécies de outros, como o ‘caranguejos-eremita’. Atualmente número de ‘caranguejos verdadeiros’ soma quase oito mil espécies diferentes, já o grupo Anomura (‘caranguejo falsos’) totaliza um pouco mais de três mil. “A locomoção lateral pode ter contribuído significativamente para o sucesso ecológico dos caranguejos verdadeiros”, afirma o autor principal correspondente, Yuuki Kawabata, professor associado da Escola de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Integradas da Universidade de Nagasaki, no Japão.Ancestral comum e caranguejo • Tsubasa Inoue e Junya Taniguch“Existem cerca de 7.904 espécies de caranguejos verdadeiros, um número muito superior ao de seu grupo irmão, Anomura, ou de seus parentes mais próximos, Astacidea; eles colonizaram diversos habitats ao redor do mundo, incluindo ambientes terrestres, de água doce e de águas profundas; e seu formato corporal semelhante ao de um caranguejo evoluiu repetidamente ao longo do tempo em um fenômeno conhecido como carcinização”, completou o professor.O artigo foi publicado na pela revista eLife, acesso o estudo original. Leia Mais Milhares de peixes desafiam a gravidade para escalar uma cachoeira no Congo Bagres brasileiros conseguem escalar cachoeiras de 4 metros; veja vídeo Mistério na cadeia alimentar: por que jacarés não comem capivaras? Âmbar com inseto é achado pela 1ª vez na América do Sul | CNN PRIME TIMENo estudo, os pesquisadores analisaram 50 espécies de caranguejos verdadeiros. Usando uma câmera de vídeo padrão, eles registraram, durante 10 minutos, os movimentos de cada espécie em arenas circulares de plástico que reproduziam seu ambiente natural.Em seguida, combinaram sua análise comportamental com dados extraídos de um estudo que reconstruiu a história evolutiva dos caranguejos, usando sequências de 10 genes para 344 espécies na maioria das principais linhagens de caranguejos verdadeiros. Como seu conjunto de dados comportamentais nem sempre correspondia às espécies incluídas na filogenia, a equipe reduziu a árvore evolutiva para 44 gêneros (uma categoria intermediária entre espécie e família), cinco famílias e uma superfamília, permitindo que grupos intimamente relacionados representassem as espécies observadas quando as mesmas espécies não estavam disponíveis.(a) Movimento para a frente . (b) Movimento lateral. O eixo 0°-180° representa o eixo do corpo do caranguejo antes do movimento, com barras indicando a frequência da direção do movimento.• DivulgaçãoDas espécies analisadas, a equipe classificou 35 como animais que se locomovem lateralmente e 15 como animais que se locomovem para frente. Suas análises revelaram que a mudança para a locomoção lateral ocorreu apenas uma vez, a partir de um único ancestral que se locomovia para frente, na base do gênero Eubrachyura (um grupo que compreende espécies de caranguejos mais evoluídas), e permaneceu altamente conservada entre os caranguejos verdadeiros.A origem única e a diversidade de Eubrachyura são consistentes com a ideia de que a locomoção lateral atuou como uma inovação fundamental que contribuiu para o sucesso ecológico dos caranguejos verdadeiros. Os pesquisadores observaram ainda que a inovação da locomoção lateral pode não ser o único processo que contribui para a diversificação evolutiva dos caranguejos verdadeiros. Fatores externos, como a oportunidade ecológica proporcionada pela extinção em massa, também são cruciais para a diversificação evolutiva. *Sob supervisão de Thiago Félix