Ambev (ABEV3): UBS BB prevê queda de quase 10% nas ações e diz que é hora de vender

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O UBS BB rebaixou a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutra para venda nesta quinta-feira (16).O banco também revisou o preço-alvo de R$ 15 para R$ 14,50 em 12 meses – o que representa um potencial de desvalorização de 8,4% sobre o preço de fechamento anterior. Ontem (15), ABEV3 encerrou as negociações cotada a R$ 15,83.O preço-alvo para o ADR ABEV foi mantido em US$ 2,65, o que implica em um potencial de queda de 15,34% nos próximos 12 meses sobre o preço de fechamento da véspera, quando a ação encerrou a US$ 3,13.Para os analistas Rodrigo Alcantara, Kevin Zavala e Sanjeet Aujla, a relação risco-retorno, nos níveis atuais, está assimétrico para o lado negativo após uma alta de 32% das ações nos últimos seis meses.Nas contas do banco, Ambev negocia a um múltiplo de 16x o preço sobre lucro (P/L), um prêmio de 19% sobre a média dos últimos cinco anos e o que implica um crescimento de cerca de 18% nos próximo 12 meses — acima da expectativa de estabilidade do UBS BB.A equipe de analistas também vê uma “desconexão crescente” entre o perfil de crescimento de lucros da companhia, o custo de capital no Brasil e o valuation da empresa.Na B3, as ações da Ambev recuam em reação à revisão do banco. Por volta de 12h50 (horário de Brasília), ABEV3 caía 2,65%, a R$ 15,41, figurando como a quarta maior queda do Ibovespa (IBOV). new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "ABEV3", "ABEV3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "c2112d3"} ); Por que vender ABEV agora?Além da falta de atratividade da ação, os analistas consideram que já dois principais riscos de “frustração” em 2026 e 2027.O primeiro deles é o ambiente macroeconômico no Brasil, com taxas de juros elevadas, e o comportamento das commodities globais. Esses fatores, na avaliação do banco, podem pressionar o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização).Em segundo lugar, a remuneração ao acionista pode novamente decepcionar, dada a relutância da companhia em alavancar o balanço. “Como resultado, vemos risco de descompressão (de-rating) dos múltiplos ao longo dos próximos trimestres, em função dos resultados”, afirmaram os analistas, em relatório.O UBS BB também avalia que, mesmo com os ventos favoráveis como Copa do Mundo e feriados prolongados, não serão suficientes para uma forte recuperação de volumes de venda a ível de 2024.“Para a categoria, seguimos céticos quanto a um crescimento além de fatores cíclicos, já que pesquisas do UBS Evidence Lab continuam apontando menor propensão ao consumo de álcool entre consumidores brasileiros mais jovens”, destacam os analistas.A pesquisa mais recente mostrou que Geração Z apresenta engajamento significativamente menor com álcool em relação a faixas etárias mais velhas: apenas 36% relatam consumo semanal, contra 53% dos Millennials, 47% da Geração X e 42% dos Baby Boomers. O levantamento contou com mais de 1.000 consumidores no Brasil, segundo o UBS.Apesar disso, o banco projeta uma breve recuperação em relação a 2025: crescimento de 3,5% em 2026, após queda de 4,5% nos volumes no ano passado. A receita também devem avançar 8%.Além disso, o trio de analistas considera que as marcasm premium já representam cerca de 20% do volume de cerveja da Ambev no Brasil, ante 12% três anos atrás. “Ainda assim, os ganhos de margem têm sido limitados.”“Isso pode refletir tanto a pressão de custos de commodities quanto a compensação dos ganhos de mix por royalties mais elevados pagos à Anheuser-Busch InBev. No mesmo período, os royalties subiram de 0,9% para 1,5% das vendas consolidadas”, acrescentam os analistas.Remuneração aos acionistasPara os analistas do UBS BB, o payout acima de 100% deve permanecer em 2026, devido ao baixo nível de endividamento da companhia.“Com alavancagem de -0,5x dívida líquida/EBITDA ao final de 2025, o balanço da Ambev não apenas é sólido, como também figura entre os menos alavancados entre pares globais”, diz o relatório.O modelo de negócios também sustenta uma elevada geração de caixa (margem de fluxo de caixa operacional pós-impostos de 27%) e o Capex está em uma fase mais leve do ciclo, de cerca de 5% das vendas.“Vemos poucos motivos para que o payout total (dividendos + recompras) não acompanhe ao menos o lucro do período anterior”,afirmaram Rodrigo Alcantara, Kevin Zavala e Sanjeet Aujla.O cenário-base do banco considera um payout de cerca de 100%, o equivalente a US$ 3,5 bilhões por ano, nos próximos anos — abaixo dos mais de 130% em 2025, mas acima da média dos últimos 10 anos.O UBS BB ainda afirma que a Ambev poderia distribuir mais capital, mas a abordagem conservadora em relação à alavancagem limita as expectativas.