As stablecoins são a maior força do mercado de criptomoedas do Brasil: desde novembro de 2021, o conjunto de todos os tokens lastreados em dólar movimenta, mês a mês, cifras muito superiores às do Bitcoin. O último mês com informações da Receita Federal é dezembro de 2025, quando as stablecoins tiveram um volume de R$ 29,4 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões do BTC.O Portal do Bitcoin compilou as informações sobre o uso de criptoativos no Brasil para mapear esse domínio das stablecoins no cenário nacional e entender a trajetória que tornou essa classe de ativos tão dominante. O momento mais impressionante talvez seja o contraste entre 2019 e 2020: as stablecoins saltaram de um volume anual de R$ 730 milhões para R$ 26,3 bilhões.Foi em outubro de 2020 que as stablecoins conseguiram, pela primeira vez, uma “vitória”. Naquele mês, as criptomoedas pareadas no dólar tiveram um volume de R$ 3,3 bilhões, contra R$ 2,3 bilhões do Bitcoin. O BTC chegou a recuperar a liderança logo na sequência, e a disputa se estendeu até novembro de 2021, quando as stablecoins assumiram a ponta de forma definitiva.O crescimento entre 2019 e 2020 no volume das stablecoins foi de 3.469%, o que não voltaria a se repetir. Porém, todo ano desde então registra um avanço robusto: em 2021 o montante chegou a R$ 78,8 bilhões (alta de 198% ano a ano); em 2022 atingiu R$ 128,1 bilhões (+62%); em 2023 saltou para R$ 220,6 bilhões (+72%); em 2024, fechou em R$ 276,8 bilhões (+25%); e em 2025 ficou em R$ 361,6 bilhões (+30%).Leia também: Brasil bate recorde e movimenta R$ 500 bilhões em criptomoedas em 2025Em seis anos, o volume das operações com stablecoins no Brasil cresceu 48.816%. O montante saltou de R$ 739,3 milhões em 2019 para R$ 361,6 bilhões em 2025.Segundo Fabricio Tota, Diretor de Novos Negócios do MB | Mercado Bitcoin, o crescimento das stablecoins se deu por três fatores. O primeiro é o aumento das remessas conforme esses ativos se tornaram “um trilho eficiente para transferir valor, especialmente quando a alternativa é lenta, cara ou cheia de fricção”.Em segundo lugar, Tota destaca a melhora da experiência do usuário, que hoje pode usar até Pix para movimentar stablecoins. Por fim, ele aponta a dolarização como comportamento habitual das pessoas, não como investimento apenas.Os dados da Receita Federal apontam o uso de cinco stablecoins ao longo dos anos: USDT (Tether), USDC (Circle), BUSD (Binance), TrueUSD (TUSD) e USDP (Pax Dollar). Mas mesmo com essa aparente diversidade, o domínio da Tether é avassalador: o USDT foi responsável por 90% do volume de todas as stablecoins em 2025, o último ano com dados completos.O pico histórico do uso de stablecoins no Brasil ocorreu em novembro de 2025, quando o volume atingiu R$ 37,6 bilhões. Esse valor é 4,5 vezes maior do que o melhor mês da história do Bitcoin no Brasil (janeiro de 2021, com R$ 8,22 bilhões).Bitcoin vs StablecoinsPara Tota, essa distância de uso entre stablecoins e Bitcoin tende a seguir aumentando: “As stablecoins já cruzaram a barreira do mundo cripto. Tem muita gente e empresa que nunca se interessou por Bitcoin ou por ativos tokenizados, mas encontrou nas stablecoins um caso de uso útil para o dia a dia”.Um dado revela a resiliência dessa classe de ativos: o comportamento durante o “inverno cripto” de 2022. Enquanto o volume negociado de Bitcoin no Brasil desabou 68,3% naquele ano em comparação a 2021, o mercado de stablecoins ignorou a crise e registrou um crescimento de 62,4% no mesmo período. Além disso, a escala da dominância atingiu patamares inéditos. Se em 2019 o volume das stablecoins representava apenas 3% do volume do Bitcoin, essa proporção explodiu ao longo dos anos. O auge dessa disparidade ocorreu em 2023, quando as moedas estáveis chegaram a movimentar, em média, 16 vezes mais volume financeiro mensal do que o Bitcoin.Mesmo com a recuperação do preço do BTC em 2024, a relação se estabilizou em um patamar onde as stablecoins movimentam cerca de cinco vezes o valor da maior criptomoeda do mundo, consolidando uma nova estrutura de mercado onde o Bitcoin é a vitrine, mas o dólar digital é o motor.A Receita Federal monta sua base de dados com informações entregues por exchanges domiciliadas no Brasil, independentemente do valor da operação; informações entregues por pessoas jurídicas (PJ) e pessoas físicas (PF) que utilizem exchanges estrangeiras, sempre que o valor mensal das operações ultrapassar R$ 30 mil; e informações entregues por PJ ou PF que transacionem entre si sem a intermediação de exchange, sempre que o valor mensal das operações ultrapassar R$ 30 mil.Veja a evolução do uso de stablecoins no Brasil em comparação com Bitcoin no vídeo abaixo:Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. 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