O Iraque corre contra o tempo para não perder mais um prazo constitucional para formar um governo, enquanto o conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã agrava um impasse político de longa data em Bagdá.O Iraque realizou eleições parlamentares em 11 de novembro para sua legislatura de 329 cadeiras, mas perdeu seu primeiro prazo constitucional ao não nomear um presidente dentro de 30 dias.Em 11 de abril, Nizar Amidi foi eleito presidente e agora tem 15 dias a partir dessa data para incumbir formalmente o candidato do maior bloco parlamentar de formar um novo governo — e, em última instância, escolher um primeiro-ministro. Leia mais Análise: Como a guerra afeta a relação de Trump com a China? Análise: Como alguns navios estão atravessando Ormuz durante o bloqueio? Análise: Trump cometeu blasfêmia em publicação que o retrata como Jesus? A disputa sobre quem se tornará primeiro-ministro — o cargo mais poderoso do Iraque — não é mais apenas uma questão interna, disse Issam al-Faili, analista político iraquiano e professor universitário.Ele afirmou que o conflito entre EUA e Irã tornou mais difícil para os parlamentares chegarem a um consenso sobre um candidato.“O Irã quer que o próximo primeiro-ministro apoie seus interesses, enquanto o governo Trump pressiona por um candidato que confronte as milícias apoiadas pelo Irã e busque desarmá-las”, disse al-Faili. Os Estados Unidos veem as milícias “como uma ameaça aos seus interesses regionais”, acrescentou.Na prática, disse al-Faili, é improvável que um primeiro-ministro seja eleito sem pelo menos a aceitação tácita do Irã.Guerra no Oriente Médio: Casa Branca expressa otimismo sobre acordo com Irã | CNN 360ºOs Estados Unidos já minaram potenciais candidatos, e o presidente americano Donald Trump alertou que os EUA cortariam o apoio ao Iraque se um ex-primeiro-ministro retornasse ao poder.O Irã pode sinalizar suas preferências por meio de extensas redes no Iraque, disse al-Faili, incluindo movimentos políticos aliados, como o Movimento Islâmico Dawa, e facções armadas dentro das FMP (Forças de Mobilização Popular), um grupo guarda-chuva de milícias predominantemente xiitas.Al-Faili afirmou que, mesmo que um primeiro-ministro seja escolhido, ele provavelmente enfrentará pressão dos EUA para desarmar as facções apoiadas pelo Irã.Entenda como funcionam as minas usadas pelo Irã no Estreito de Ormuz