A Europa não quer mais ouvir desculpas das plataformas de tecnologia sobre por que elas não conseguem verificar a idade dos usuários. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta terça-feira (14) um novo aplicativo europeu de verificação de idade que dará aos usuários uma espécie de cartão de identidade digital para comprovar sua faixa etária online — sem compartilhar suas informações pessoais sensíveis com todos os sites ou aplicativos que desejam acessar.A medida surge no momento em que as plataformas de tecnologia enfrentam uma crescente pressão global para proteger melhor os jovens na internet. No entanto, alguns líderes do setor levantaram preocupações práticas e de privacidade sobre a coleta de informações sensíveis dos usuários para verificar suas idades. Leia mais WhatsApp anuncia ferramentas de controle das contas de menores de idade Por que as redes sociais estão sob pressão por serem "viciantes"? TikTok impõe novas medidas de controle de conta de menores de 16 anos O novo aplicativo da Europa fornecerá uma solução centralizada que remove o fardo das plataformas de tecnologia de terem que verificar a idade dos usuários por conta própria.“As plataformas online podem confiar facilmente em nosso aplicativo de verificação de idade. Portanto, não há mais desculpas”, disseram von der Leyen e a vice-presidente executiva da Comissão da UE, Henna Virkkunen, em um comunicado. “A Europa oferece uma solução gratuita e fácil de usar que pode proteger nossos filhos de conteúdos nocivos e ilegais.”Os usuários verificarão sua idade no novo aplicativo da Europa enviando um passaporte ou documento de identidade, de acordo com o comunicado. As plataformas de tecnologia poderão então acessar o aplicativo para verificar se um usuário está acima ou abaixo de uma determinada idade — por exemplo, 16 ou 18 anos, dependendo dos requisitos locais — mas a data de nascimento do usuário e outras informações pessoais não serão compartilhadas.Von der Leyen afirmou em uma postagem no LinkedIn na quarta-feira que o aplicativo terá os “padrões de privacidade mais altos do mundo”.As preocupações em torno do impacto das plataformas de tecnologia, especialmente as redes sociais, no bem-estar dos jovens apenas aumentaram desde que um júri na Califórnia considerou a Meta e o YouTube responsáveis por prejudicar uma jovem com recursos viciantes no mês passado. Separadamente, um júri no Novo México considerou a Meta responsável por permitir o abuso sexual infantil em suas plataformas.Reguladores em todo o mundo têm pressionado as empresas de tecnologia a criar mais salvaguardas para usuários jovens ou a restringir totalmente o acesso de adolescentes às redes sociais.A Austrália aprovou em dezembro uma lei pioneira no mundo proibindo crianças menores de 16 anos de acessar redes sociais, e um punhado de outros países, inclusive na Europa, quer seguir o exemplo. Nos Estados Unidos, diversos estados aprovaram legislações para forçar as plataformas de tecnologia a verificar a idade dos usuários e obter o consentimento dos pais quando menores criam contas.No entanto, algumas empresas de tecnologia levantaram preocupações práticas e de privacidade sobre os requisitos de verificação de idade. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, defendeu que as lojas de aplicativos atuem como centrais de verificação de idade que possam compartilhar informações com os operadores de apps; Google e Apple argumentaram que a proposta de Zuckerberg os forçaria a coletar dados pessoais desnecessários, mesmo de usuários adultos que desejam acessar aplicativos inofensivos.O novo aplicativo da Europa está “tecnicamente pronto” e em breve estará disponível para os cidadãos da UE, de acordo com o comunicado.Meta, Snap, TikTok e Apple não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre o novo aplicativo. O Google se recusou a comentar.Os estados-membros da UE poderão adaptar o aplicativo às suas leis domésticas, incluindo quaisquer proibições de redes sociais relacionadas à idade, disse o porta-voz de tecnologia da Comissão Europeia, Thomas Regnier, à CNN.Sob a Lei de Serviços Digitais da UE (DSA), que regula grandes plataformas de tecnologia, os sites obrigados a restringir usuários menores não serão forçados a usar o novo aplicativo. No entanto, eles devem provar que suas ferramentas alternativas de verificação de idade são igualmente eficazes ou enfrentarão sanções, disse Regnier.“Este aplicativo oferece aos pais, professores e cuidadores uma ferramenta poderosa para proteger as crianças”, disseram von der Leyen e Virkkunen. “Teremos tolerância zero para empresas que não respeitarem os direitos de nossos filhos.”WhatsApp restringe perfis de menores de idade no Brasil; entenda