O pré-candidato à presidência e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), comparou nesta segunda-feira (20) a relação entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o “crime organizado no Brasil” com abusos sexuais cometidos na igreja.Em entrevista à CNN, ele disse que as relações entre o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ministros do Supremo, seria como se o “papa e seus assessores cometessem abusos sexuais”.“Eu não tenho posicionamento radical ou extremista, mas estou indignado e inconformado com ministros do Supremo, que deveriam ser exemplos e, nesse momento, fizeram negócios, se encontraram, voaram com o maior chefe do crime organizado no Brasil. Me parece algo semelhante ao papa e seus assessores estarem fazendo algo referente a abuso infantil. Isso nos dá nojo. Alguém que deveria zelar pelo STF. A Corte não pode fazer negociatas”, disse à CNN.O ex-governador mineiro faz referência às relações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Vorcaro. Em novembro de 2025, Toffoli viajou em um jatinho particular para assistir à final da Libertadores da América. A aeronave pertencia a um advogado do Banco Master, instituição que logo depois seria alvo de um caso que cairia nas mãos do próprio Toffoli por meio de sorteio no STF.O também ministro Alexandre de Moraes, teria utilizado, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, ao menos oito voos em aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro entre maio e outubro de 2025. O ministro também estaria acompanhado de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. O magistrado negou as acusações.Zema também criticou o ministro Gilmar Mendes que, nesta segunda-feira, pediu sua inclusão no inquérito das Fake News. O ex-governador mineiro afirmou que a atitude do ministro confirmou sua crença de que o STF quer “calar qualquer um que discorde” deles.As críticas ao Supremo tem sido uma tônica dos discursos de Zema desde 2022, mas se intensificaram ao longo do ano passado. Ele foi o primeiro governador a se posicionar contra a decisão do STF que determinou medidas cautelares contra Jair Bolsonaro. Segundo o mineiro, a decisão era “mais um ato absurdo de perseguição política”.Ele também atribuiu no ano passado a sobretaxação de produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos ao STF. De acordo com ele, a Corte e o governo federal são responsáveis por “promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas”, o que, para Zema, teria impactos na economia do país.A CNN procurou o STF para comentar a declaração e aguarda retorno.