O que sabemos sobre o que ainda não vivemos 

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Podemos afirmar que, para uns,  a condição “geriátrica” é sinal de pavor e para outros corresponde a uma sensação de bem-estar, no seu respetivo contexto social, económico e pessoal. Em 1938, a Universidade de Harvard iniciou o estudo The Harvard study of adult development que por mais de 75 anos pesquisou a vida de 724 pessoas (aproximadamente 60 ainda vivas), de forma a perceber as principais características de uma boa vida longa. Não são uma carreira profissional de sucesso e o bem-estar financeiro que contribuem para um envelhecimento bem sucedido, mas antes uma rede de boas relações sociais e a respetiva qualidade dessas relações. Outra evidência no grupo estudado é de que a dor física acalma quando se está próximo de pessoas que nos fazem sentir bem. Em plena pandemia, em 2020, estudei o tema da Longevidade na Pós-Graduação de Psicogerontologia pelo ISPA. Na unidade curricular de Psicologia do Envelhecimento, lecionada pelo Professor Dr. Arménio Baptista Sequeira, ouvi a frase que, para mim, se tornou a ‘chave’ desta condição humana: «Envelhecemos como vivemos».  A velhice é a continuação de um estado e de uma atitude perante a vida que nos distingue. Acontecimentos inesperados, perdas prematuras, lutos e catástrofes imprevistas, como o caso da Pandemia, abalam-nos, e ainda mais numa fase tardia da vida, porém a nossa essência está definida desde o início.  Longevidade tem a ver com participação e capacitação. Envelhecimento saudável pode simplesmente ser a capacidade da pessoa em ajustar-se aos diferentes desafios que a vida lhe coloca, num equilíbrio entre expectativas e realidade. Tal é defendido pelo Modelo de Loevinger, no qual a satisfação com a vida é vista como a forma como chegamos à fase final e não ao que se conquistou. Por isso, mesmo numa idade mais avançada, a abertura a novas experiências é algo positivo, reajustando os objetivos, como por exemplo: aprender uma nova língua, desenhar ou tocar um instrumento. Bem-estar e autoestima estão empiricamente ligados. Variados acontecimentos e mudanças ao longo da vida ocorrem na idade mais avançada o que traz um impacto nesse bem-estar. Problemas de saúde, declínio do estatuto socio-económico, perda de um cônjuge, luto, e perda de apoio social. Ainda falta referir o estigma, preconceito e solidão, palavras que se colam a uma condição de vida que devemos resignificar numa época bonita.  A finalizar, partilho uma iniciativa que procura mudar esse olhar. O hub intergeracional A Avó veio Trabalhar, criado pela designer Susana António e o psicólogo Ângelo Campota, mostra como ter mais de 65 anos é irrelevante do ponto de vista criativo e até bastante divertido. Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui. O conteúdo O que sabemos sobre o que ainda não vivemos  aparece primeiro em Revista Líder.