Terras raras: por que isso importa para os seus investimentos

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Terras raras podem parecer um assunto distante e técnico, reservado às aulas de química e geologia. Mas na verdade, explica Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso Outliers, se tornou um dos temas mais importantes da próxima década, com impacto direto na geopolítica global e sobre investimentos em setores como mineração, energia e tecnologia.Em 8 minutos de podcast – o intervalo de tomar um café –, Clara resumiu o relatório A nova fronteira das terras raras, produzido pelo time de analistas da Expert XP: o que são terras raras, por que a cadeia produtiva global está sendo reorganizada e o que o investidor brasileiro pode fazer com essas informações.O que são terras raras (e por que o nome engana)A primeira parte do episódio desfaz um equívoco comum: terras raras não são raras no sentido literal da palavra. Trata-se de “um grupo de 17 minerais com propriedades únicas que são essenciais para tecnologias modernas”, explica Clara. Esses elementos químicos estão nos ímãs de alta performance usados em carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones, chips e até equipamentos militares.“Terras raras são a base de tudo que representa o futuro. Sem elas não tem carro elétrico, energia renovável ou avanço tecnológico”— Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso OutliersVeja mais: A nova fronteira das terras rarasE também: EUA pressionam por acordo por terras raras – mas Brasil parece ter outros planosA demanda deve crescer de forma acelerada, impulsionada pela transição energética — que depende de ímãs permanentes para turbinas eólicas, veículos elétricos e tecnologias de armazenamento de energia. Mas o que torna o tema verdadeiramente estratégico não é a abundância ou a escassez do recurso em si. É quem controla a cadeia de transformação.“Falar sobre terras raras não é sobre ter a matéria-prima, é sobre dominar a cadeia inteira de produção”— Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso OutliersPor que a dependência explica 2026“Por que o tema terras raras ganhou tanta força em 2026? A resposta é simples: dependência. O mundo percebeu que depende demais de um único fornecedor para algo que é tão crítico”, diz a analista.Esse fornecedor é a China. Segundo dados do time de Research da XP apresentados no episódio, o país asiático responde por cerca de 70% da produção global de terras raras. Mas o dado mais revelador está em outro ponto da cadeia: a China domina mais de 90% da capacidade global de refino e praticamente toda a produção de ímãs permanentes.“Quem tem o recurso nem sempre tem a capacidade de processar, e quem domina o processamento controla de fato a cadeia. E é exatamente nesse tipo de assimetria que eu coloco esse tema no centro dos debates geopolíticos”, conclui Clara.Veja mais: Lula: haverá ‘salto de qualidade’ se País aproveitar potencial de minerais críticosE também: Brasil terá política de terras raras este ano, não empresa estatal, diz ANMBrasil é estratégico em terras rarasAqui entra um dado que surpreende muitos investidores: o Brasil ocupa a segunda posição mundial em reservas de terras raras, com cerca de 20% do total global, atrás apenas da China, que detém aproximadamente 40%.No entanto, Clara é direta ao apontar o hiato entre potencial e realidade: a produção brasileira ainda é muito limitada. Ter reserva é uma coisa; transformá-la em protagonismo econômico é outra. “Países como o Brasil podem ganhar relevância, mas execução sempre vai ser um diferencial”, afirma no Espresso Outliers.Mundo busca alternativas à ChinaO tema das terras raras não é exatamente novo. Clara recorda que, em 2010, um conflito entre China e Japão levou à interrupção das exportações do insumo. “Os preços dispararam, e ficou claro que a cadeia global era concentrada. Na época, isso foi um susto, só que agora virou uma pauta estratégica”, afirma.Nos anos seguintes, a China passou a restringir exportações e a usar esse domínio “como uma ferramenta geopolítica.” Em resposta, o mundo começou a reagir: a Europa aprovou leis para reduzir a dependência até 2030, os Estados Unidos criaram estoques estratégicos e financiaram projetos no setor, e vários países incentivaram a mineração local e a reciclagem.“Estamos vendo a reorganização global da cadeia produtiva, abrindo oportunidades de investimento”— Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso OutliersComo investir em terras rarasPara o investidor, Clara organiza três leituras. Primeiro, “cadeias estratégicas estão sendo redesenhadas” — o que cria oportunidades estruturais. Segundo, o tema não é só sobre commodities: “é sobre tecnologia, energia e política.” Terceiro, países como o Brasil podem ganhar relevância, mas execução é o diferencial.“No final do dia, o investidor que consegue conectar essas três grandes tendências — tecnologia, energia e geopolítica — ele está sempre um passo à frente. E terras raras são exatamente esse ponto de intersecção”, conclui Clara Sodré. O cenário atual — com governos incentivando setores estratégicos, cadeias sendo descentralizadas e novos players entrando em jogo — pode criar uma nova dinâmica de investimentos com impacto real em portfólios globais e locais.“O investidor com olhar global consegue capturar grandes tendências, mesmo quando a oportunidade está aqui no Brasil”— Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso OutliersThe post Terras raras: por que isso importa para os seus investimentos appeared first on InfoMoney.