O professor de Relações Internacionais da FESPSP, Alexandre Coelho, analisou os possíveis desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, que podem ser retomadas nos próximos dias. Durante entrevista ao Live CNN desta terça-feira (14), o especialista destacou os impactos econômicos globais do bloqueio americano no Estreito de Ormuz e as chances de um acordo entre as nações.Segundo Coelho, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz não causa apenas efeito militar somente contra o Irã: “Está muito claro que o efeito está sendo sistêmico, ou seja, está atingindo inclusive quem não faz parte dessa guerra, como a própria Europa, o Brasil, os países do Sul Global, entre outros países ao redor do mundo”, explicou.O professor destacou que o bloqueio americano agrava o problema de passagem de navios pelo estreito, o que pode resultar em inflação mundial. “Se já estava com um problema de gargalo ali na passagem pelo Estreito de Ormuz, a gente pode dizer que esse problema dobrou, ou seja, menos navios vão passar pelo Estreito de Ormuz. Isso vai causar inflação no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos”, alertou Coelho. Leia Mais "Ações provocativas dos EUA" podem ter "consequências perigosas", diz Irã Bloqueio americano em Ormuz tenta reconfigurar a guerra Como funciona o processo de abertura do Estreito de Ormuz? Entenda Quanto as negociações entre Irã e Estados Unidos, há a expectativa que os dois países retomem as conversas no fim desta semana. O primeiro encontro ocorreu no Paquistão e terminou sem acordo. Alexandre Coelho observa que ambos os lados apresentam demandas maximalistas.“O Irã chegou a largar os pedidos, que eram, por exemplo, descongelar os seus ativos que estão bloqueados e congelados hoje ao redor do mundo. Isso não estava na pauta de negociação antes do final de semana e passou a estar durante este final de semana”, comentou.Para que um acordo seja alcançado, o especialista avalia que ambos os lados terão que ceder. “No caso do Irã, bem provável que para sair esse acordo, tenha que deixar de lado alguns pedidos que surgiram do nada no final de semana. E por parte dos Estados Unidos, tem que entender que o Irã, de fato, não vai, de uma hora para outra, abandonar a possibilidade de enriquecimento de urânio”, analisou.O professor também comentou sobre as negociações entre Israel e Líbano. Segundo ele, esse acordo é fundamental para o sucesso das negociações entre Estados Unidos e Irã. “Esse acordo, se ele surgir, ele é importantíssimo inclusive para a eficácia do acordo entre Estados Unidos e Irã”, afirmou.Coelho alertou, porém, para a necessidade de incluir o Hezbollah nas negociações: “Israel tem de também incluir o Hezbollah aqui, porque se o acordo for tão somente com o governo libanês, o risco do Hezbollah voltar a atacar Israel e Israel bombardear o sul do Líbano é muito efetivo, o risco é muito alto. E isso acontecendo, consequentemente, o acordo entre Estados Unidos e Irã vai ser prejudicado”, afirma. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.