Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estudam o veneno de marimbondo como uma possível forma de frear o avanço do Alzheimer.A substância não cura a doença, mas pode ajudar a evitar que o cérebro continue se deteriorando, principalmente se for usada no início do tratamento.A descoberta partiu de uma observação simples da natureza. A picada do marimbondo é capaz de paralisar pequenas presas sem destruir o sistema nervoso do animal atacado. Isso indicava que a substância age de forma pontual, interferindo na comunicação entre os neurônios, sem matar as células.A partir dessa percepção, a professora Márcia Mortari, do Instituto de Biologia da UnB, passou a investigar quais componentes do veneno eram responsáveis por esse efeito. Após anos de pesquisa, os cientistas conseguiram isolar uma molécula com potencial terapêutico, que deu origem à Octovespina.4 imagensFechar modal.1 de 4Pesquisa da UnB investiga substância derivada do veneno de marimbondo que pode ajudar a retardar o avanço do AlzheimerArquivo pessoal2 de 4Veneno de marimbondo é analisado em laboratório como possível aliado no tratamento do AlzheimerArquivo pessoal3 de 4Estudo não fala em cura, mas aponta que composto pode proteger o cérebro e preservar a memória nas fases iniciais da doençaArquivo pessoal4 de 4Pesquisadores da UnB. Apesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase experimental e não há previsão de uso em humanosArquivo pessoalApesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase experimental e não há previsão de uso em pessoas.“Esse é um processo longo. Ainda precisamos confirmar a segurança e a eficácia da substância antes de avançar para testes em humanos”, diz Luana Camargo.Segundo a pesquisadora, podem ser necessários cerca de 10 anos para que os compostos derivados do veneno de marimbondo avancem para etapas mais avançadas da pesquisa. Leia também Distrito FederalApós câncer, professora da UnB lidera pesquisa sobre maconha medicinal Distrito FederalDispositivo criado por pesquisadora da UnB ajuda a evitar amputações O que acontece no cérebro no AlzheimerNo Alzheimer, uma proteína tóxica se acumula no cérebro e atrapalha a comunicação entre os neurônios. Para tentar se defender, o organismo provoca uma inflamação, que acaba piorando o problema.Com o tempo, as conexões entre as células cerebrais se perdem e os neurônios começam a morrer, causando perda de memória e confusão mental.Segundo Luana Camargo, do Instituto de Psicologia da UnB, os remédios atuais atuam principalmente tentando reduzir essa proteína, mas não conseguem impedir que o cérebro continue se degradando.“O que observamos é que a Octovespina atua protegendo os neurônios e diminuindo a inflamação no cérebro. Ela não cura o Alzheimer, mas ajuda a retardar a progressão da doença”, explica a pesquisadora.Nos testes com camundongos, os animais tratados com a substância apresentaram menos esquecimento. “Isso indica que o composto ajuda a manter o funcionamento do cérebro por mais tempo, especialmente quando usado nas fases iniciais da doença”, afirma Luana Camargo.