A tragédia no bar Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, onde um incêndio matou ao menos 40 pessoas e deixou mais de uma centena de feridos na noite de Ano-Novo, levanta questões sobre segurança na luxuosa estação de esqui. O jornal francês Libération cita o caso da boate Kiss de 2013, no sul do Brasil, como um antecedente.“Da festa ao pesadelo”, diz a manchete do Libération, sublinhando que a maioria das vítimas era de jovens entre 15 e 20 anos. O jornal enfatiza o impacto humano e emocional da tragédia, especialmente sobre os jovens da região e as famílias que ainda procuram desaparecidos, descrevendo o evento como uma das piores tragédias da história recente da Suíça.Libération também lembra outros casos similares, entre eles, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 2013. Um incêndio causou a morte de 242 pessoas, a maioria jovens.O artigo do Le Parisien foca nas questões de segurança em torno do bar Constellation. A investigação busca determinar se o estabelecimento cumpria as normas de segurança contra incêndio, especialmente por se tratar de um espaço com vários níveis, um subsolo usado como discoteca e materiais altamente inflamáveis. As imagens gravadas por testemunhas mostram vítimas tentando, sem sucesso, encontrar saídas de emergência, levantando fortes dúvidas sobre o cumprimento das normas de segurança contra incêndio. Leia também MundoPapa faz orações às famílias das vítimas de incêndio na Suíça MundoSuíça decreta 5 dias de luto após fogo e mortes em estação de esqui MundoItaliano de 16 anos é a 1ª vítima identificada em tragédia na Suíça MundoIncêndio na Suíça: identificação de corpos é extremamente difícil Por ora, os investigadores trabalham com a hipótese de acidente, com um incêndio seguido de explosão no subsolo do estabelecimento, possivelmente ligado a instalações técnicas, uso de material pirotécnico ou presença de botijões de gás. O local, que podia receber várias centenas de clientes, tinha oficialmente cerca de 300 lugares internos, levando os investigadores a questionarem a capacidade máxima autorizada, o número de extintores e de rotas de evacuação disponíveis.O texto destaca ainda o paradoxo entre o drama e o contexto local: devido à seca, fogos de artifício haviam sido proibidos pelas autoridades turísticas, que pediam celebrações discretas nos bares. O Le Constellation, no entanto, funcionava intensamente à noite, com DJ, coquetelaria, espaço de chicha e ambiente de boate.7 imagensFechar modal.1 de 7Incêndio em bar na Suiça mata 40 pessoasHarold Cunningham/Getty Images2 de 7Emanuele Galeppini, da Federação Italiana de Golfe, é a primeira vítima identificada em incêndio na Suíça@federazioneitalianagolf/Instagram3 de 7Fogos de artifício podem ter causado explosão em resort na SuíçaHarold Cunningham/Getty Images4 de 7Explosão em resort de esqui de luxo deixa ao menos 40 mortos na SuíçaHandout photo by Valais Cantonal Police via Getty Images5 de 7Bombeiros se reúnem para deixar flores e velas no local após um incêndio que começou durante a madrugada no bar Le ConstellationHarold Cunningham/Getty Images6 de 7Bar Le ConstellationValais Cantonal Police via Getty Images7 de 7Parte interna do bar onde incêndio ocorreuHandout photo by Valais Cantonal Police via Getty ImagesO estabelecimento pertence, desde 2015, a um casal francês, descrito por profissionais locais como gestores sérios e habituados a controles de segurança. Apesar dessa reputação, permanece a questão central: a modernização e diversificação do local foram feitas em detrimento da segurança? Os proprietários não se pronunciaram até o momento, e o gerente teria ficado ferido no incêndio.Estado de emergênciaLe Monde diz que a Suíça está profundamente abalada após uma das piores tragédias da história recente do país. Em sinal de luto nacional, bandeiras foram hasteadas a meio mastro e o presidente da Confederação, Guy Parmelin, substituiu a tradicional mensagem de Ano-Novo por um pronunciamento de pesar, destacando o contraste brutal entre a celebração e a catástrofe.Os testemunhos recolhidos pela imprensa descrevem cenas de extrema violência, comparadas a um cenário de guerra, com vítimas jovens gravemente queimadas e socorristas visivelmente sobrecarregados.Diante da magnitude do desastre, o cantão do Valais decretou estado de emergência, mobilizando todos os recursos disponíveis. Aviões de resgate foram enviados para transferir grandes queimados a hospitais especializados em Lausanne e Zurique, enquanto a população foi orientada a evitar riscos para não sobrecarregar os serviços de saúde.O texto destaca que a tragédia marca um ponto de ruptura para Crans-Montana, até então conhecida por sua imagem elegante e por grandes projetos turísticos e esportivos. Assim como o Le Parisien, o jornal também sugere questionamentos sobre as causas do incêndio e o cumprimento das normas de segurança, levantando dúvidas sobre se algo falhou estruturalmente ou se a rapidez do fogo ultrapassou o que as normas preveem. A investigação deverá levar dias para esclarecer responsabilidades e compreender plenamente o ocorrido.Leia mais reportagens como essa no RFI, parceiro do Metrópoles.