2025 marcou uma virada definitiva no setor de tecnologia: se nos anos anteriores a inovação era apresentada como promessa, no ano passado ela passou a ser aplicada em escala, especialmente no campo da inteligência artificial.A IA deixou de ser um recurso isolado, dentro de um chatbot, e passou a integrar as buscas online, a fazer compras, a dominar programação e matemática, e até a trabalhar em tarefas humanas, com os agentes autônomos.O Olhar Digital acompanhou essas mudanças ao longo de 2025. Na virada para 2026, consultamos especialistas para dar um panorama do que esperar do mundo da tecnologia neste novo ano. IA deve ser destaque novamente em 2026 (Imagem: Anggalih Prasetya/Shutterstock)Como 2025 preparou o terreno para 2026A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia pouco acessível e virou parte indispensável do nosso cotidiano. No entanto, 2025 ainda foi um ano marcado por grandes lançamentos, com empresas explorando o potencial dos modelos e das novas ferramentas. Isso levou a testes e erros, mas também à integração da IA ao dia a dia.Alguns dos exemplos incluíram chatbots se aproximando do setor de varejo, do entretenimento, da programação e das buscas online.Os agentes autônomos foram outra grande promessa. O OD fez uma reportagem especial explicando as expectativas, conquistas e frustrações dos agentes ao longo do ano. Confira neste link.A robótica também foi parte importante de 2025. Estados Unidos e China travam uma verdadeira batalha no campo de robôs humanoides, com promessas de que essas máquinas já estejam trabalhando em fábricas ou até servindo no exército neste ano. Avanços nos setores de realidade mista (com os óculos inteligentes das principais big techs), chips semicondutores (com a Nvidia se tornando dominante neste mercado) e sistemas de direção autônoma (com empresas como Waymo e Tesla disputando a vanguarda do setor) foram outros grandes destaques do ano passado que também devem continuar em 2026.Inclusive, para Edson Alves, CEO da Ikatec, 2026 não será um ano de revolução, mas sim de solidificação do que já apareceu em 2025 – principalmente com execução em escala. E a IA é um grande exemplo disso, deixando de ser um experimento para se tornar uma ferramenta essencial no dia a dia:Olhando para 2026, vejo um amadurecimento de algumas tecnologias que já existem hoje, mas ainda não escalaram como deveriam. A IA generativa, por exemplo, vai deixar de ser uma novidade de laboratório e se tornar parte da engrenagem operacional de pequenas e grandes empresas. Edson Alves, CEO da IkatecJéferson Campos Nobre, Membro do IEEE, Pesquisador do Grupo de Redes de Computadores do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutor em Ciência da Computação pela UFRGS, também enxerga uma evolução de tecnologias que já existem atualmente, como IA e Internet das Coisas. A diferença é que, segundo ele, essas ferramentas estarão operando cada vez mais de forma conjunta e voltada para objetivos específicos, em vez de usos gerais.Veja o que esperar da tecnologia para este ano.Chips semicondutores devem ficar mais integrados em dispositivos do dia a dia (Imagem: Anggalih Prasetya/Shutterstock)As tecnologias de 2026Inteligência artificial A inteligência artificial continuará sendo destaque este ano. No entanto, se 2025 foi o momento de lançar ferramentas e fazer testes, 2026 será a hora de incorporá-la de vez no cotidiano. Um relatório da Gartner aponta que, neste ano, a IA passará a ser indispensável, exigindo escala e implementação alinhada com as metas do negócio.Para Alessandra Montini, diretora do LabData, da Fia Business School, a IA ficou marcada por hype e experimentação em 2025. Ela corrobora que, este ano, a tecnologia deve ser incorporada estrategicamente nas operações das empresas, com destaque para os setores financeiros, de agronegócio, varejo e na área médica.Em 2025, IA era vista como um recurso adicional. Em 2026, ela será embutida em processos e sistemas, tornando-se parte do core das operações.Alessandra Montini, diretora do LabDataAlves também apontou que 2025 demonstrou o potencial da IA no geral. Já 2026 será a vez das ferramentas se especializarem por setor, com objetivos voltados para segmentos específicos – como setores jurídicos, de agronegócio, varejo e construção civil. “A IA vai deixar de ser ‘departamento de inovação’ e se tornar infraestrutura básica de empresas. Vai entrar na cultura”, afirmou.Roberto Pena Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning por Stanford e pesquisador na área de Inteligência Artificial, aposta em IAs mais avançadas. Para ele, a tecnologia passou por uma fase de testes e, mais recentemente, dos agentes. Agora, as ferramentas devem amadurecer para finalmente ajudar nos ganhos de produtividade, como prometido. Isso já acontece na programação e começará a se tornar regra em mercados corporativos e trabalhos ‘de escritório’.Pena ainda destaca que as IAs devem ficar mais inteligentes. Ele lembra que, atualmente, a tecnologia não tem memória a longo prazo – ou seja, toda vez que você começa um chat novo, ela ‘zera’ tudo. O físico aposta que, em 2026, a IA terá memória a longa prazo e aprendizado em tempo real, o que permitirá que elas se tornem assistentes reais, sabendo da vida e do histórico do usuário para ajudá-lo a tomar decisões.Para ele, outro setor que ficará ainda mais integrado com a tecnologia é o do entretenimento. A OpenAI, por exemplo, já fechou um contrato com a Walt Disney para usar personagens da Disney, Marvel, Pixar e Star Wars para criar vídeos artificiais para a rede social Sora. A indústria de jogos também deve ser impactada pela IA, com estúdios passando a adotar as ferramentas diretamente na produção.Inteligência artificial geralA AGI (Artificial General Intelligence) é uma grande aposta do setor de tecnologia – que poucos sabem se será concretizada. Trata-se de uma ferramenta capaz de aprender e aplicar conhecimento por conta própria, com inteligência igualável à dos humanos.Executivos como Sam Altman, CEO da OpenAI, e Mark Zuckerberg, CEO da Meta, têm grandes expectativas. No entanto, por ora, tudo está apenas no campo das ideias.Para Pena, há uma chance real de que os modelos de linguagem avancem para chegar próximo ao que esperamos da AGI já em 2026… mas ele se mantém cauteloso. Isso pode demorar mais alguns anos.Fato é que, quando chegarmos lá, será algo revolucionário.Robôs humanoides devem ficar mais inteligentes em 2026 (Imagem: IM Imagery / Shutterstock)Robôs humanoidesOutro campo de destaque será o dos robôs humanoides. Pena aposta que o crescimento deve continuar em “franca ascensão”, com destaque para modelos de linguagem de inteligência artificial embarcados nos robôs. Na prática, isso permite que as máquinas fiquem cada vez mais inteligentes e autônomas, com capacidade para se moverem sozinhas, executarem tarefas complexas do mundo real com cada vez mais precisão e até conversar com o usuário. Porém, pode ser que os robôs humanoides não cheguem às casas das pessoas ainda este ano, principalmente por desafios regulatórios e de segurança. Isso porque, por ora, não é possível garantir que as máquinas não vão perder o controle ou fazer mal às pessoas, por exemplo.Nesse setor, a China está na vanguarda, com exércitos de robôs humanoides já saindo do papel.A Gartner também pontua que a IA física será importante em 2026, trazendo inteligência para o mundo real, especialmente nos robôs.Computação quânticaEm 2025, big techs já deram passos importantes em direção à computação quântica:Antes mesmo do ano começar, o Google anunciou o Willow, um chip que afirmou ser tão rápido que pode provar que “vivemos num multiverso”;Em fevereiro, foi a vez da Microsoft apresentar o chip Majorana, um marco significativo nesse setor. Trata-se do primeiro processador quântico do mundo alimentado por qubits topológicos, construído com um material inovador chamado topocondutor. A novidade abre caminho para computadores quânticos capazes de resolver problemas complexos em escala industrial;Já em outubro, a IBM anunciou que conseguiu executar um algoritmo fundamental de correção de erros quânticos em chips convencionais fabricados pela AMD, em avanço considerado importante rumo à comercialização dos supercomputadores quânticos.Grandes empresas e startups seguem investindo altos valores no setor, com a promessa de que estão perto da computação quântica estável e escalável. No entanto, especialistas consultados pelo site Financial Times acreditam que isso ainda deve demorar mais de 10 anos.Para Pena, os avanços vão continuar em 2026, com a tecnologia tendo ainda mais destaque. No entanto, ainda não será neste ano que ela decolará como prometido pelas big techs.Do outro lado, Montini acredita que a computação quântica passará a ter usos reais em instituições financeiras, farmacêuticas e logísticas já este ano. Isso acontecerá através dos serviços em nuvem, com foco no fortalecimento de IA e criptografia.O Olhar Digital produziu uma reportagem completa sobre a computação quântica e o que esperar em 2026. Confira neste link.Especialistas divergem se computação quântica vai, de fato, deslanchar em 2026 (Imagem: Motion Loop/Shutterstock)Chips semicondutoresAtualmente, a Nvidia é o grande nome do setor… mas 2026 deve ser marcado por ainda mais empresas entrando no jogo.A China, por exemplo, já está em disputa com os Estados Unidos pelo fornecimento de chips. Inclusive, o país trabalha em um projeto de uma máquina capaz de construir semicondutores avançados, visando alcançar a autonomia ainda nesta década.Segundo Pena, a Nvidia deve continuar plena em 2026, mas a fatia de mercado que a empresa detém atualmente deve diminuir com a entrada de mais competidoras. Ele aposta na fabricação de chips menores, capazes de rodar IA mais robustas diretamente nos dispositivos. Isso vai abrir portas para que a tecnologia possa funcionar em televisores, geladeiras e outros aparelhos do dia a dia, o que deve representar uma virada de jogo.Transferência de combustível no espaçoOutro destaque da tecnologia será no setor aeroespacial. Pena estima que a SpaceX – empresa que domina os voos comerciais atualmente – consiga fazer a transferência de combustível no espaço. Segundo ele, isso é um passo gigantesco rumo à exploração espacial, já que permite o reabastecimento de aeronaves diretamente no ar.Além de beneficiar a própria empresa, o feito pode viabilizar projetos espaciais em andamento atualmente, como o Artemis, que visa levar humanos de volta à Lua.Troca de combustível no espaço pode viabilizar missões espaciais mais longas (Imagem: youledtayif / Shutterstock.com)Outras tecnologias de destaquePara Edson Alves, realidade mista vai ganhar espaço no varejo, educação e saúde, e Internet das Coisas vai escalar na indústria, logística e agronegócio;Alessandra Montini aposta que agentes autônomos seguirão ganhando força e vão ultrapassar os modelos de linguagem tradicionais, ganhando mais autonomia em tarefas complexas;Ela também aposta em computação neuromórfica, campo da ciência que projeta sistemas de hardware e software inspirados na arquitetura e funcionamento do cérebro humano;Já Jeferson Nobre acredita que o Edge Computing, uma arquitetura de TI que processa dados mais perto de onde eles são gerados (em vez de enviá-los para um data center único), estará em alta, o que deve permitir mais integração da inteligência artificial e da Internet das Coisas em dispositivos inteligentes do dia a dia.Especialistas acreditam que IA não vai tirar lugar dos humanos (Imagem: Stokkete/Shutterstock)E onde ficam os humanos nisso?O ponto chave de 2026 está na evolução das tecnologias já existentes, mas com mais integração entre si e mais presença no dia a dia das empresas e funcionários.E qual o papel dos humanos nisso?Para Edson Alves, os avanços de IA não vão eliminar pessoas, mas expor aquelas que não evoluem. Ele aposta que, entre as novas profissões que surgirão neste ano, estão vagas ligadas à curadoria, engenharia e auditoria de modelos.Nobre também destaca o papel dos humanos nisso tudo:Por mais vantagens e facilitade que temos com a IA, também temos diversos problemas, como alucinações e vieses. Então, o papel dos humanos vai continuar sendo extremamente relevante, especialmente no que tange à curadoria do que é realizado – verificando o resultado, analisando o resultado, validando informações.Jéferson Campos NobrePara ele, profissionais que demonstrarem que sabem usar IA para aumentar a produtividade serão mais valorizados no mercado.Alessandra Montini também defende que o “mercado não vai substituir humanos, mas redefinir papéis”. Com a inteligência artificial e a automação, o humano não desaparece, ele muda de função. Nesse sentido, habilidades como criatividade, pensamento crítico e empatia serão diferenciais, já que a tecnologia cobre tarefas repetitivas e analíticas.Ela também destaca que os profissionais do futuro precisão atuar como designers de processos, curadores de dados e tomadores de decisão estratégicos.O post As tecnologias para ficar de olho em 2026 apareceu primeiro em Olhar Digital.