A nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês começa a valer nesta quinta (1/1) e afeta diretamente o salário de milhões de trabalhadores, ao aliviar o desconto em folha para rendas mais baixas e intermediárias e aumentar a cobrança para contribuintes de alta renda, visando redistribuir a carga tributária sem reduzir a arrecadação total.Quem é beneficiado pela isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil?A principal mudança está na ampliação da faixa de isenção. A partir de agora, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil ficam livres do desconto de IR na folha de pagamento, enquanto antes a isenção alcançava apenas quem recebia até cerca de R$ 3.036.Considerando o décimo terceiro salário, quem se mantém dentro do limite de R$ 5 mil por mês pode ter economia de até R$ 4 mil por ano, a depender de outras fontes de renda e deduções. Em geral, esse alívio tende a ser usado para consumo, quitação de dívidas ou formação de reserva financeira.Como fica o desconto do IR para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350?A reforma cria uma faixa intermediária para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês. Nessa faixa há desconto parcial e gradual, que diminui conforme o salário se aproxima de R$ 7.350, evitando saltos bruscos de tributação ao ultrapassar os R$ 5 mil.Alguns exemplos ajudam a visualizar a diferença em relação à regra antiga e o impacto anual no bolso do contribuinte dessa faixa de renda:Salário de R$ 5.500: redução de cerca de 75% no imposto mensal;Salário de R$ 6.500: economia aproximada de até R$ 1.470 por ano;Salário de R$ 7.000: redução estimada em torno de R$ 600 anuais.Acima de R$ 7.350, continua valendo a tabela progressiva atual, com alíquota máxima de 27,5%. Para salários mais altos, o impacto imediato é menor, embora o resultado final seja influenciado pelas demais mudanças da reforma.Quando a nova isenção passa a aparecer na folha de pagamento?O efeito da isenção até R$ 5 mil e do desconto gradual até R$ 7.350 aparece já no salário pago em janeiro de 2026, com impacto direto na retenção na fonte. Quem está isento deixa de ver o desconto de IR no holerite, enquanto a faixa intermediária percebe menor valor retido.Nada muda de imediato para a declaração do Imposto de Renda entregue em 2026. As novas regras serão sentidas integralmente na declaração de 2027, relativa a 2026; em 2026, muitos contribuintes ainda poderão ser obrigados a declarar com base nos rendimentos de 2025.Quais são as principais mudanças para alta renda e investidores?Além da isenção até R$ 5 mil, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado a quem recebe acima de R$ 600 mil por ano, com alíquota progressiva que pode chegar a 10%. Para rendas superiores a R$ 1,2 milhão anuais, a alíquota efetiva mínima será de 10% sobre o conjunto dos rendimentos tributáveis.Entram na base do IRPFM salários, lucros, dividendos e rendimentos financeiros tributáveis, com possibilidade de compensar valores já tributados na fonte. Ficam de fora rendimentos de poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários, Fiagro, heranças, doações, indenizações por doença grave, ganho de capital em imóveis fora da bolsa e valores recebidos acumuladamente por ações judiciais.Como a tributação de dividendos e o IRPF mínimo afetam o contribuinte?A reforma retoma a tributação de dividendos para pessoas físicas, com retenção de 10% na fonte sobre dividendos que superem R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa. O imposto retido poderá ser compensado na declaração, e lucros apurados até 2025 seguem isentos apenas se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.Com isso, o sistema combina isenção ampliada para rendas mais baixas, alívio parcial para faixas intermediárias e maior cobrança para alta renda e grandes investidores, especialmente sócios e empresários com grande volume de distribuição de lucros. Os efeitos completos serão percebidos sobretudo a partir da declaração de 2027, quando todas as novas regras estiverem integradas.FAQ sobre isenção do IRQuem ganha até R$ 5 mil continua obrigado a entregar declaração de IR? A faixa de isenção até R$ 5 mil vale para o desconto mensal em folha. A obrigação de declarar depende de critérios como renda anual total, tipo de rendimento e bens, não apenas do salário bruto.A nova isenção altera o cálculo do décimo terceiro salário? O décimo terceiro continua sendo tributado de forma separada, mas quem estiver dentro da faixa de isenção tende a não ter IR descontado também sobre esse valor, respeitadas as demais regras.O imposto mínimo para alta renda afeta quem vive só de aluguel de imóvel residencial? Aluguéis são rendimentos tributáveis e entram no cálculo global de renda. Se o total anual ultrapassar os limites definidos, podem compor a base do imposto mínimo.Pequenos investidores em ações passam a pagar mais imposto com a reforma? A tributação de dividendos de 10% na fonte incide sobre valores mensais acima de R$ 50 mil por empresa, o que tende a alcançar principalmente investidores com grandes participações societárias.O post Começa a valer nesta quinta (1/1) a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil apareceu primeiro em Terra Brasil Notícias.