Incerteza na economia global marca 2025 e vira fator “estrutural” para 2026

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A palavra de 2025 para a economia foi: incerteza. As políticas de Donald Trump confundiram mercados e produziram choques no comércio e na política interna americana.“Eu vou começar imediatamente a revisão do nosso sistema de comércio para proteger trabalhadores e familiares americanos. Ao invés de taxar nossos cidadãos para enriquecer outros países, nós vamos taxar outros países para enriquecer nossos cidadãos”, disse Trump durante seu discurso de posse em janeiro.A frase se materializou ao longo do primeiro ano do segundo mandato dele. O republicano gerou idas e vindas tarifárias, que renderam a expressão “Trump Always Chickens Out” (TACO) — ou “Trump Sempre Amarela”, em português. Leia Mais Petróleo fecha em queda e encerra ano com maior baixa porcentual desde 2020 Brasil diz aos EUA que não será “mero exportador” de terras raras A economia do Brasil em 2025 explicada em 5 gráficos As tarifas contra a China, por exemplo, chegaram a 145% antes de serem trazidas ao atual patamar de 20%. Mesmo assim, os Estados Unidos terminam 2025 com o maior nível tarifário desde 1935, por volta de 16,8%, segundo relatório do Budget Lab, da Universidade de Yale.O tarifaço foi sentido no bolso do americano. Diversos produtos, como o café, tiveram alta acima de 10% em um ano para os americanos.A política fiscal americana também viveu cercada de incertezas. 2025 foi o ano da maior paralisação da história do governo do país, ultrapassando os 40 dias.A administração Trump não encontrou uma solução definitiva. Novos embates sobre o financiamento de programas de saúde são esperados, apontando para a possibilidade de um novo shutdown.Mas, de modo geral, a economia americana demonstrou resiliência e cresceu 2,3% até o terceiro trimestre deste ano, número próximo ao de 2024. O crescimento foi puxado pelo consumo das famílias e por uma série de investimentos em inteligência artificial feitos pelas principais empresas do país.O cenário de resiliência econômica se repetiu em outros países, que se adaptaram às mudanças repentinas de cenário na Casa Branca.A União Europeia, por exemplo, elevou gastos em defesa e viu países-membros como a Alemanha afrouxarem medidas de austeridade fiscal para incentivar a economia. Por outro lado, a segunda maior economia do bloco, a França, segue com problemas de endividamento e instabilidade política, sem um sinal claro de resolução.A China seguiu como um grande polo exportador e atingiu a marca inédita de US$ 1 trilhão de superávit comercial, conseguindo desviar parcialmente dos ataques comerciais de Trump. Parte disso veio de uma estratégia adotada pelo presidente Xi Jinping para compensar a fraca demanda interna.Para o ano que vem, a previsão é de um crescimento parecido com o de 2025, segundo relatório do IFF (Instituto de Finanças Internacionais). A organização aponta que a economia global vai seguir se adaptando a um “novo normal”, com taxas de juros mais elevadas, dívidas públicas crônicas e rápidas mudanças tecnológicas.Por fim, o instituto destaca que a incerteza vista em 2025 se tornou um fator estrutural no ciclo econômico.