As ações de empresas de proteínas são destaque de baixa na Bolsa brasileira no primeiro pregão de 2026. Às 10h51 (horário de Brasília), os papéis MBRF (MBRF3) caíam 4,45% (R$ 19,09) e Minerva (BEEF3) tinham baixa de 4,34% (R$ 5,51) nesta sexta-feira (2). O movimento ocorre após o governo chinês anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país. As medidas entraram em vigor ontem (1º) e serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atinge os principais exportadores da carne bovina.O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026. O volume alcança 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. A título de comparação, neste ano, no acumulado até novembro, o País já exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,028 bilhões.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa começa 2026 em alta, em busca dos 162 mil pontosÍndices futuros dos EUA começam ano com ganhosPetrobras inicia produção da plataforma P-78 no campo de BúziosNova unidade tem capacidade para produzir 180 mil barris por ‍diaOutros grandes players exportadores de carne bovina também terão suas vendas ao mercado chinês limitadas por cotas, que foram estabelecidas de acordo com a participação de cada país nas exportações à China. A maior cota é do Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas no próximo ano. Uruguai terá cota de 324 mil toneladas sem tarifa adicional em 2026, seguido por Nova Zelândia com 206 mil toneladas, Austrália com 205 mil toneladas e Estados Unidos com 164 mil toneladas.O JPMorgan reforça que esta é obviamente uma má notícia para as empresas listadas Minerva, JBS (BDR: JBSS32) e MBRF, sendo a Minerva a mais dependente das exportações de carne bovina da China, em relação às vendas. Para mitigar o impacto, a Minerva e a MBRF podem, alternativamente, utilizar suas operações no Uruguai (e, em certa medida, na Argentina) para suprir a demanda, já que esses países juntos possuem 150 mil toneladas de cota disponível para exploração.Para os analistas do JPMorgan, a introdução de cotas deverá alterar significativamente os fluxos globais do comércio de carne bovina. Os exportadores podem tentar antecipar os embarques no início do ano para evitar ultrapassar os novos limites, o que pode causar volatilidade nos volumes de comércio mensais. Com a China absorvendo menos carne bovina, outros mercados podem ver um aumento na oferta e, potencialmente, preços mais baixos, dando aos compradores mais poder de negociação. O Brasil pode perder receitas em 2026, o que poderia desestimular os pecuaristas a expandirem seus rebanhos, enquanto a Austrália prevê uma redução de um terço nas exportações para a China. O impacto no mercado americano é menos imediato, mas pode se intensificar se o acesso não for totalmente restabelecido. Os efeitos colaterais podem incluir a estabilização das indústrias de carne bovina e suína da China, à medida que os consumidores mudam suas preferências. “Para mitigar esses impactos, é provável que os exportadores diversifiquem seus mercados, negociem flexibilidade nas cotas, ajustem o cronograma de embarques e busquem soluções administrativas. Governos e grupos do setor também podem dialogar com as autoridades chinesas para esclarecer as regras de cotas e explorar a possibilidade de realocar cotas não utilizadas, além de fornecer apoio aos produtores afetados durante a transição”, aponta o JPMorgan.O Goldman Sachs avalia que essas medidas terão, naturalmente, implicações mais imediatas e diretas para os exportadores brasileiros com maior restrição de fornecimento, mas também podem resultar em preços globais estruturalmente mais baixos, à medida que os volumes fora da cota para a China forem redirecionados para outras regiões. Neste caso, o banco estima um potencial excesso de oferta de cerca de 30 pontos-base em 2026. Entre as empresas que acompanhamos, a Minerva é a que possui a maior exposição à carne bovina destinada à China, representando 15% de suas vendas. Do ponto de vista do volume, não vê um risco material, pois acredita que a Argentina e o Uruguai devem mais do que compensar a queda nas exportações do Brasil. Em relação aos spreads, no entanto, preços realizados mais baixos podem introduzir um risco potencial de queda de 2% a 3% em sua projeção original de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) para 2026, mantendo-se todas as outras variáveis constantes. O banco tem uma recomendação neutra para as ações da Minerva, com uma preferência relativa renovada por operadores mais diversificados, como a MBRF e a JBS.The post Ações de MBRF e Minerva caem mais de 4% após cotas da China para carnes; veja impacto appeared first on InfoMoney.