Mercado de trabalho sobe a fasquia e aperta o cerco à improvisação

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O mercado de trabalho entra em 2026 num ponto de viragem discreto, mas profundo. A tecnologia acelera, os perfis profissionais especializam-se e as empresas procuram respostas para uma escassez de talento que deixou de ser conjuntural. É neste contexto que a Eurofirms – People First identifica cinco tendências que deverão marcar o próximo ano, num retrato onde a inovação convive com a necessidade de manter o trabalho legível, humano e sustentável.Da formação contínua à transição industrial, passando pela reorganização dos modelos de trabalho e pela procura de perfis executivos em áreas críticas, o diagnóstico aponta para um mercado mais exigente, mais segmentado e menos tolerante à improvisação. Formação contínua torna-se eixo estrutural da gestão de talentoA formação deixou de ser um complemento e passou a integrar o centro da estratégia empresarial. Em 2026, a capacidade de aprender e reaprender será um fator decisivo, num mercado em que muitas das competências procuradas não estão disponíveis à partida.O upskilling e o reskilling ganham expressão através de modelos de aprendizagem aplicados ao contexto real de trabalho, com destaque para soluções de just in time learning, programas híbridos e percursos formativos personalizados. A articulação entre empresas e entidades formativas tende a intensificar-se, numa lógica de alinhamento entre necessidades operacionais e expectativas de progressão profissional. O impacto faz-se sentir tanto na produtividade como na retenção de talento. Outsourcing consolida-se como resposta à escassez de perfis especializadosA dificuldade em encontrar determinados perfis leva as empresas a reforçar o recurso ao outsourcing e ao trabalho temporário. Em 2026, estas soluções deixam de ser encaradas como exceção e afirmam-se como instrumentos de gestão da incerteza, permitindo ajustar rapidamente as equipas às flutuações da procura e às exigências técnicas de projetos específicos.Esta tendência é particularmente visível em setores onde a especialização técnica é elevada e o tempo de resposta se tornou crítico. Flexibilidade e bem-estar moldam as escolhas dos profissionaisA flexibilidade passa a ser um critério central nas decisões de carreira. Modelos híbridos, horários adaptáveis e funções polivalentes tornam-se parte integrante das propostas de valor das empresas, acompanhados por uma maior atenção à experiência do colaborador, à transparência dos processos e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.Na hotelaria, esta mudança já se faz notar. A procura por talento mantém-se elevada nas funções operacionais, mas estende-se também às áreas de suporte, onde começam a surgir regimes híbridos para funções de back office e apoio administrativo. A par das competências técnicas, ganham peso as capacidades de comunicação, resolução de problemas e integração de práticas sustentáveis no quotidiano das operações. Tecnologia, dados e sustentabilidade lideram a procura por executivosNo segmento de Executive Search, as áreas em destaque refletem a transformação estrutural da economia. A procura concentra-se em perfis ligados à cibersegurança, análise de dados e experiência do utilizador, bem como em cargos de liderança associados às energias renováveis e à sustentabilidade.A logística e a gestão de cadeias de abastecimento continuam a ganhar relevância, num contexto de maior complexidade e exposição internacional. As organizações valorizam líderes com visão estratégica, capacidade de decisão e uma abordagem ética à gestão, atributos cada vez mais associados à competitividade de longo prazo. Da oficina à Smart Factory, a indústria acelera a transição tecnológicaA indústria entra numa fase de modernização acelerada. A passagem da oficina tradicional para a Smart Factory intensifica a procura por técnicos de manutenção industrial, programadores CNC e especialistas em automação e robótica.Este movimento atravessa vários setores, do farmacêutico ao agroalimentar, passando pela cerâmica, e reforça a necessidade de operadores polivalentes, técnicos de metrologia, manutenção eletromecânica e injeção, bem como engenheiros de processos e técnicos laboratoriais. Em paralelo, logística, e-commerce e supply chain mantêm uma trajetória de crescimento, impulsionada pela expansão do comércio online e pela inovação nos modelos logísticos.Para João Lourenço, Country Leader da Eurofirms Portugal, o desafio está em equilibrar inovação e pessoas. A tecnologia, sublinha, é «incontornável, mas o futuro do trabalho só será sustentável se integrar ética, transparência e investimento continuado no capital humano». A formação contínua e a flexibilidade deixam de ser projetos pontuais e passam a compromissos estruturais, num momento em que Portugal tem condições para se afirmar como polo de talento desde que saiba cuidar dele. Créditos fotográficos: Eurofirms O conteúdo Mercado de trabalho sobe a fasquia e aperta o cerco à improvisação aparece primeiro em Revista Líder.