Embora a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro após ataques aéreos dos EUA represente um desenvolvimento geopolítico sísmico, os primeiros sinais sugerem que o mercado global de petróleo irá, em grande parte, absorver a medida com relativa tranquilidade.A infraestrutura petrolífera da Venezuela não foi afetada após uma série de ataques dos EUA em Caracas e outros estados, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto. Instalações importantes, como o porto de Jose, a refinaria de Amuay e as áreas petrolíferas na Faixa do Orinoco, continuam operacionais, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é confidencial.Leia tambémAtaque dos EUA na Venezuela desafia ONU e pode criar precedente perigoso, diz juristaEspecialista em direito internacional alerta para risco à soberania estatal e reflexos políticos, econômicos e humanitários na região após operação militar contra MaduroAtaque dos EUA à Venezuela eleva incerteza e traz 3 impactos para mercado brasileiroImpacto é principalmente para o mercado de petróleoEmbora a Venezuela já tenha sido uma potência na produção de petróleo, sua produção caiu drasticamente nas últimas duas décadas e agora representa menos de 1% da oferta global. A recente pressão dos EUA sobre o regime de Maduro, incluindo a apreensão de petroleiros carregados com petróleo bruto venezuelano, forçou o país a começar a fechar alguns poços de petróleo.O presidente Donald Trump afirmou, durante uma coletiva de imprensa no sábado (3), que as sanções à indústria petrolífera da Venezuela permanecerão em vigor e que as empresas petrolíferas americanas ajudarão a reconstruir a infraestrutura e a reativar a produção. Tal reconstrução seria extremamente ambiciosa e, muito provavelmente, uma perspectiva distante. Enquanto isso, a oferta mundial de petróleo deverá exceder a demanda em 3,8 milhões de barris por dia em 2026, o que representaria um excesso recorde, segundo a Agência Internacional de Energia.Os preços do petróleo bruto caíram nas últimas semanas para cerca de US$ 60 o barril. Um produto de negociação de varejo do fim de semana, administrado pelo IG Group, mostrou que os preços do petróleo bruto dos EUA chegaram a subir quase US$ 2 em relação ao fechamento de sexta-feira.“Avalio que os preços do petróleo Brent subirão apenas marginalmente na abertura do domingo à noite, de US$ 1 a US$ 2 ou até menos”, disse Arne Lohman Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management. “Mesmo em condições normais, uma perturbação dessa magnitude é administrável para o mercado. Em particular, todas as previsões apontam para um excesso de oferta significativo no primeiro trimestre, impulsionado pela demanda sazonalmente fraca e pelos aumentos de produção da OPEP+.”A Venezuela é membro da OPEP, que, juntamente com aliados, incluindo a Rússia, tem reunião marcada para domingo (4). A videoconferência planejada deverá confirmar a suspensão dos aumentos de produção, segundo três delegados afirmaram no início desta semana.As apreensões de petroleiros no Caribe nas últimas semanas assustaram os operadores de embarcações sancionadas. Pelo menos sete navios mudaram de rumo ou pararam no mar, de acordo com os movimentos de navios rastreados nesta sexta-feira (2) pela Bloomberg. Isso se soma a outros quatro que se afastaram logo após as forças americanas abordarem o navio Skipper em meados de dezembro.Apesar da volatilidade do último mês, a produtora de petróleo americana Chevron continuou operando no país sob uma isenção de sanções concedida pelo governo Trump.“A Chevron permanece focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, bem como na integridade de nossos ativos”, disse a empresa em um comunicado no sábado. “Continuamos operando em total conformidade com todas as leis e regulamentações relevantes.”A captura de Maduro aumenta as especulações sobre o futuro da indústria petrolífera venezuelana a longo prazo. Estima-se que o país possua mais reservas de petróleo no subsolo do que a Arábia Saudita e, ao longo do último século, atraiu algumas das maiores operadoras internacionais.Mas duas ondas de nacionalização deixaram um gosto amargo na boca de empresas como a Shell, a Exxon Mobil e a ConocoPhillips. A Exxon e a Conoco posteriormente buscaram indenização após seus ativos terem sido confiscados pelo falecido presidente Hugo Chávez.Além da Chevron, a espanhola Repsol, a italiana Eni a francesa Maurel & Prom também ainda estão presentes na Venezuela e são parceiras em empreendimentos de petróleo e gás com a estatal Petróleos de Venezuela SA.Trump afirmou neste sábado que as empresas americanas reconstruiriam o setor petrolífero venezuelano e venderiam uma “grande quantidade” de petróleo para compradores globais, incluindo clientes atuais e novos. Não ficou imediatamente claro a quais empresas petrolíferas ele se referia, nem especificou quando elas poderiam iniciar a produção.Trump disse neste sábado que as empresas americanas reconstruiriam o setor petrolífero venezuelano e venderiam uma “grande quantidade” de petróleo para compradores globais, incluindo clientes atuais e novos. Não ficou imediatamente claro a quais empresas petrolíferas ele se referia, e ele não especificou quando elas poderiam iniciar a produção.“A história mostra que mudanças forçadas de regime raramente estabilizam o fornecimento de petróleo rapidamente, com a Líbia e o Iraque oferecendo precedentes claros e preocupantes”, disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy.© 2026 Bloomberg L.P.The post Mercado de petróleo absorverá crise na Venezuela com tranquilidade, dizem analistas appeared first on InfoMoney.