O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques dos Estados Unidos à Venezuela neste sábado (3).Em publicação na rede social X, o mandatário brasileiro afirmou que os “bombardeios em território venezuelano e captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”.“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse.Lula ainda afirmou que a “condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões” e declarou que segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.Atacar países, em…— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026Ataque à Venezuela já tem reflexos no BrasilMais cedo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Sistema Únido de Saúde (SUS) brasileiro já começou a sentir os impactos dos ataques dos EUA à Venezuela, país que faz fronteira com o Estado de Roraima.“Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde. OMinistério de Saúde e o SUS Roraima já absorvem impactos da situação da Venezuela”, declarou Padilha em publicação no X.O ministro também destacou que os investimentos do país na região próximo à fronteira ficaram “ainda maiores” depois que os EUA suspenderam financiamentos que apoiavam a Operação Acolhida. “O Ministério da Saúde, desde então, ampliou investimentos e profissionais na cidade e área indígena, via nossa Agência do SUS (AgSUS).”O Exército brasileiro também monitora a situação no país vizinho e mantém tropa mobilizada na fronteira do país, em Roraima. Segundo informações do Broadcast, até as primeiras horas da manhã deste sábado, não foi notado fluxo atípico de imigrantes deixando a Venezuela a partir de Santa Elena de Uairén, cidade vizinha da brasileira Pacaraima (RR).Contudo, é esperado um aumento de refugiados após a ação militar norte-americana no território venezuelano.Tensão entre EUA e VenezuelaDurante a madrugada deste sábado, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram seu presidente, Nicolás Maduro, e esposa. A ação militar foi confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump, após meses de pressão sobre ele por acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade no poder.“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com sua esposa, capturado e levado para fora do país”, disse Trump em uma postagem no Truth Social.Os EUA acusam Maduro de administrar um “narcoestado” e de fraudar a eleição de 2024, que a oposição disse ter vencido de forma esmagadora. O líder venezuelano, que sucedeu Hugo Chávez e assumiu o poder em 2013, tem dito que Washington quer assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.LEIA TAMBÉM: Reação da América Latina: Colômbia, Chile e Cuba condenam ataque dos EUA à Venezuela, enquanto Argentina comemora