A madrugada deste sábado (3/01) foi marcada por um ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela. O presidente americano, Donald Trump, autorizou que tropas dos EUA realizassem uma operação em grande escala, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O conflito também preocupa a comunidade venezuelana que mora em São Paulo e acompanha os acontecimentos de longe, recebe notícias de familiares e teme pelas consequências políticas e humanitárias da crise.O Metrópoles conversou com Victor Rosales, de 33 anos, natural da Venezuela, que veio para São Paulo para concluir os estudos e hoje mora na região central da capital paulista. Sobre os ataques em Caracas, ele conta que custou a acreditar no que estava acontecendo. “Quando recebi as primeiras mensagens dos meus familiares, achei que não fosse real, pensei que era inteligência artificial”, disse Victor, refletindo a tensão que sente à distância.As primeiras confirmações sobre os ataques chegaram ao conhecimento de Victor por mensagens de familiares que ainda vivem em Caracas. Parte da família mora próximo a La Carlota, área onde ficam um quartel e uma base aérea, um dos principais pontos militares da capital venezuelana. Segundo Victor, os parentes já esperavam algum tipo de ataque, já que a região vinha sendo alvo frequente de tensões e ações militares.Uma familiar relatou que começou a ouvir explosões logo no início da manhã. Em um primeiro momento, ela tentou seguir a rotina e chegou a se arrumar para ir ao trabalho, mas percebeu rapidamente que a situação era mais grave do que os episódios de violência registrados anteriormente.16 imagensFechar modal.1 de 16Imagens da ofensiva realizada em CaracasJesus Vargas/Getty Images2 de 16Jesus Vargas/Getty Images3 de 16Jesus Vargas/Getty Images4 de 16Nicolás MaduroIgo Estrela/Metrópoles5 de 16EUA ataca Caracas, capital da VenezuelaBoris Vergara/Anadolu via Getty Images6 de 16Jesus Vargas/Getty Images7 de 16Lula e Maduro se encontram antes da cúpula dos países sul-americanosHugo Barreto/Metrópoles8 de 16EUA ataca Caracas, capital da Venezuelaenezuela. (Photo by Pedro Rances Mattey/Anadolu via Getty Images9 de 16Jesus Vargas/Getty Images10 de 16Imagens da ofensiva realizada em CaracasJesus Vargas/Getty Images11 de 16EUA ataca Caracas, capital da VenezuelaStringer/Anadolu via Getty Images12 de 16O ditador Nicolás Maduro e LulaIgo Estrela/Metrópoles13 de 16Jesus Vargas/Getty Images14 de 16Jesus Vargas/Getty Images15 de 16Vinícius Schmidt/Metrópoles16 de 16Imagens da ofensiva realizada em CaracasJesus Vargas/Getty ImagesNas primeiras horas do dia, Victor recebeu relatos de familiares e amigos sobre a situação em Caracas, especialmente nas áreas alvo dos ataques dos Estados Unidos. Para ele, o clima na cidade é de grande expectativa pelo que pode vir a seguir. “De um lado, algumas pessoas comemoram em pontos da cidade, mas para mim esse episódio representa uma pequena porta para a esperança de alguma mudança”, afirmou. Ainda assim, Victor avalia que o momento é de incerteza. “Há o sentimento de que isso pode marcar o início de uma caça às bruxas”, disse.A professora Denilde Holzhacker, especialista em Ciências Políticas e Relações Governamentais, avalia que o cenário na Venezuela é preocupante. Segundo ela, tudo depende de como os militares venezuelanos vão reagir e se decidirão entrar em conflito com as forças americanas, além de como a intervenção será coordenada com os grupos no poder e a oposição.A especialista avalia que a escalda da tensão entre EUA e Venezuela levanta o alerta para possíveis disputas internas: “Haverá competição entre grupos pelo controle do processo de transição e pelo estabelecimento da nova lógica de poder no país. Espera-se que a pressão internacional e o monitoramento de outros países, junto à definição das regras de atuação pelos Estados Unidos, possam reduzir a instabilidade e ajudar a determinar o caminho que a Venezuela seguirá.”Autoridades de SP comentam ataque na VenezuelaO ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela provocou reações de autoridades em São Paulo. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou em suas redes sociais que nenhum povo deve viver sob repressão e destacou que a cidade recebe de braços abertos os venezuelanos que buscaram refúgio “ao fugirem de um governo ditador”.O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também comentou a operação, alfinetando indiretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em postagem nas redes sociais, Tarcísio disse que o mundo amanheceu com a imagem simbólica de um “ditador cruel e corrupto capturado”, em referência a Nicolás Maduro.O governador em exercício, Felício Ramuth (PSD), também se manifestou nas redes sociais em apoio ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Ele escreveu: “Quando uma ditadura cai, a esperança renasce. Que a prisão do ditador comunista Maduro seja o início de um tempo de liberdade e prosperidade para o povo venezuelano, que tanto sofreu nas mãos desses criminosos”.O ex-secretário da Segurança Pública de Tarcísio de Freitas e atual deputado federal, Guilherme Derrite (PP), aproveitou a ocasião para associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Maduro. Segundo Derrite: “O grande amigo do Lula foi capturado hoje, depois de perseguir, calar, expulsar e matar seu próprio povo na Venezuela por décadas. Grande dia para quem está do lado certo da história”. Leia também São PauloManifestantes se reúnem na Paulista contra ataque dos EUA à Venezuela São PauloNunes sobre ataque à Venezuela: “Nenhum povo deve viver sob repressão” São PauloTarcísio alfineta Lula em declaração sobre ataque dos EUA à Venezuela São PauloNunes anuncia nova tarifa de ônibus em SP a partir de 6/1. Veja valor EUA x Venezuela: entenda a criseAs tensões entre Estados Unidos e Venezuela aumentaram desde agosto de 2025, quando os EUA dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações sobre Nicolás Maduro e reforçaram a presença militar no Caribe com navios de guerra e submarinos nucleares.Maduro é acusado de liderar o Cartel de los Soles, classificado pelos EUA como organização terrorista ligada ao tráfico de drogas, tornando membros do regime venezuelano alvos legítimos em operações militares. Em novembro, os Estados Unidos apreenderam navios com petróleo venezuelano e anunciaram bloqueio total a petroleiros sob sanções. Em dezembro, caças F-18 sobrevoaram áreas próximas a Caracas, elevando ainda mais a tensão.Apesar disso, Maduro havia tentado diálogo com Donald Trump, mas os resultados não foram positivos. Atualmente, a operação militar americana, chamada “Lança do Sul”, já atingiu mais de 20 embarcações no Caribe e no Pacífico, com o objetivo oficial de combater o tráfico de drogas, enquanto a região vive uma grave crise política e militar.