Ministro da Saúde diz que preparou SUS para receber venezuelanos afetados por ataques

Wait 5 sec.

Diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou ter preparado o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro para receber os impactos que o conflito no país vizinho resultará. Em mensagem em uma rede social, ele escreveu que o Brasil cuidará “de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro”.Padilha foi o primeiro integrante do primeiro escalão do governo brasileiro a se manifestar sobre os ataques do governo de Donald Trump à Venezuela. Uma reunião de emergência foi convocada na manhã deste sábado para discutir o ataque e a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a prioridade neste momento é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento público.“Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, preparamos a nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para reduzirmos, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro. Que venha a PAZ! Enquanto isso, cuidaremos de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro”, afirma Padilha.Leia tambémVenezuela diz que bombardeios dos EUA atingiram populações civisO general afirmou que estão reunindo “as informações referentes a feridos e mortos diante do ataque vil e covarde” dos Estados UnidosAutoridades internacionais repercutem ataque dos EUA à VenezuelaOperação militar capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposaComo mostrou a colunista Janaína Figueiredo, do GLOBO, o governo brasileiro cogitava a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos à Venezuela há várias semanas. Esse cenário levou inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a viajar até a Colômbia entre a Cúpula de Líderes de Belém e a COP30 para participar da reunião de chefes de Estado e altos representantes dos países que integram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), para defender que a América Latina continue sendo uma zona de paz. Essa mesma preocupação levou Lula a telefonar para Maduro nos primeiros dias de dezembro.A fronteira entre Brasil e Venezuela tem pouco mais de 2 mil quilômetros de extensão, dividida entre os estados de Roraima (a principal passagem é entre Pacaraima-Santa Elena de Uairén) e Amazonas. Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.Nos últimos meses, Lula vinha tentando atuar como um mediador na escalada da crise entre EUA e Venezuela. Em conversa com jornalistas em 18 de dezembro, o presidente brasileiro defendeu “diálogo” para que se evitasse uma “guerra fratricida” na região e disse que tentaria falar com Donald Trump sobre o assunto antes do Natal. Entretanto, não há informações de que a conversa de fato ocorreu.O ataque à Venezuela foi anunciado por Trump por meio de uma rede social, em mensagem na qual disse que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra o país sul-americano e que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele não informou, no entanto, para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.Vídeos divulgados em redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.A crise diplomática entre os americanos e os venezuelanos vinha escalando nos últimos meses. O governo Trump já havia anunciado um bloqueio naval “total e completo” a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando a pressão sobre Caracas ao atingir diretamente o petróleo, principal setor de receita do país, e ampliando as medidas que Washington apresenta como parte de uma campanha contra tráfico de drogas.The post Ministro da Saúde diz que preparou SUS para receber venezuelanos afetados por ataques appeared first on InfoMoney.