Mercado cripto esfria enquanto o Bitcoin permanece dentro da “cruz da morte” | Análise

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Aquele breve pico de esperança no mercado cripto? Provavelmente já foi embora. O Bitcoin está sendo negociado em torno de US$ 90.600 após uma rápida passagem acima de US$ 93.000 no início desta semana, e o mercado cripto como um todo está sentindo o frio. A capitalização total do mercado está em US$ 3,06 trilhões — queda de cerca de US$ 35 bilhões, ou 1,14% — e uma rápida olhada nas 100 maiores moedas mostra que 80% estão tendo desempenho inferior hoje. Adeus ao rali das resoluções de Ano Novo.O cenário macroeconômico também não está exatamente gritando “compre tudo”. Os mercados tradicionais mostram sinais de desgaste. O S&P 500 acabou de encerrar seu terceiro ano consecutivo de ganhos acima de 14%, mas analistas alertam que a festa impulsionada pela IA pode estar ficando sem champanhe. O ouro, por outro lado, está se destacando fortemente — alta de mais de 60% em 2025 e avançando em direção a US$ 4.500 por onça, à medida que investidores buscam ativos de proteção em meio a tensões geopolíticas e dúvidas sobre a sustentabilidade dos gastos com IA.Todo o mercado cripto também voltou para território baixista, com US$ 3 trilhões em capitalização total. Seria necessário se manter acima da marca de US$ 3,2 trilhões para que os traders voltassem a falar em uma recuperação geral do mercado.Leia também: Bitcoin cai abaixo de US$ 90 mil e provoca US$ 437 milhões em liquidaçõesMas, para o setor cripto, a preocupação não é apenas a fraqueza dos preços. É o que acontece quando o dinheiro institucional fica cauteloso. Os ETFs de Bitcoin — fundos de investimento que acompanham o preço à vista do BTC — registraram entradas de US$ 1,2 bilhão nos dois primeiros dias de negociação de 2026, incluindo o maior fluxo diário desde outubro, de US$ 697 milhões. No entanto, pisaram no freio logo em seguida, com saídas de US$ 243 milhões no terceiro dia e mais US$ 476 milhões saindo ontem.Esse tipo de efeito “chicote” sugere que o interesse institucional voltou, mas é frágil.O que o Bitcoin dá, o Bitcoin tiraA configuração técnica do Bitcoin conta a mesma história. O preço está sendo negociado atualmente a US$ 90.673, queda de cerca de 0,66% no dia, mas ainda com alta de 3% nos últimos sete dias após um forte pico no início da semana que, por um dia, tirou os preços da área do death cross.A “cruz da morte” — quando a média móvel exponencial (EMA) de 50 dias cruza abaixo da EMA de 200 dias — continua vigente, um padrão que normalmente sinaliza mais quedas ou um período prolongado de lateralização. Com os preços agora abaixo de ambas as médias, a diferença entre elas tende a aumentar novamente, tornando mais difícil o surgimento da tão desejada “cruz dourada” — o oposto da “cruz da morte”.No momento, essa diferença é muito pequena, o que indica uma disputa equilibrada entre touros e ursos tentando definir o rumo dos próximos meses. Com um gap tão estreito, mesmo que os preços permaneçam baixistas, o ritmo da queda deve ser mais lento do que há alguns meses, quando o Bitcoin iniciou sua descida a partir da máxima histórica acima de US$ 126.000.O Índice Direcional Médio (ADX) está em 24,2, ligeiramente abaixo do limite de 25 que confirma uma tendência forte. O ADX mede a força da tendência nos gráficos de preço, independentemente da direção, em uma escala de 0 a 100. Leituras acima de 25 geralmente indicam que há uma tendência forte em andamento. Após o pico no início da semana, o ADX do Bitcoin despencou, mas agora começa a subir novamente, o que pode significar que a tendência baixista atual está ganhando um pouco mais de força.O Índice de Força Relativa (RSI) marca 52,4, colocando o Bitcoin firmemente em território neutro. O RSI mede o momentum em uma escala de 0 a 100, sendo valores acima de 70 considerados sobrecomprados e abaixo de 30, sobrevendidos. Com 52, o Bitcoin não emite sinais extremos em nenhuma direção. Os traders veem isso como um mercado preso no limbo — não quente o suficiente para perseguir altas, nem frio o bastante para entrar em pânico e vender.O suporte está se mantendo na faixa entre US$ 88.000 e US$ 90.000, onde o Bitcoin encontrou compradores em quedas recentes. Se esse nível for perdido, o próximo grande piso fica mais próximo de US$ 80.000 — nível que analistas da Bernstein apontaram como fundo no fim de novembro. No lado positivo, a resistência se concentra entre US$ 94.000 e US$ 97.000. O preço chegou a tocar brevemente os US$ 94.000 esta semana, mas não conseguiu se sustentar, e esse nível agora atua como uma barreira psicológica que os touros precisam reconquistar antes que alguém volte a falar em novas máximas.Ainda assim, o sentimento nos mercados de previsão permanece relativamente otimista, e esses traders não estão comprando a narrativa do apocalipse.Otimismo moderado permaneceOs gráficos são baixistas, os indicadores técnicos são fracos e, ainda assim, o dinheiro inteligente nos mercados de previsão não está em pânico. Então, o que está acontecendo?A resposta pode estar nos horizontes de tempo. Os indicadores técnicos de curto prazo sugerem mais volatilidade lateral ou novas quedas pela frente, mas fatores estruturais de longo prazo — como a adoção institucional, os fluxos para ETFs à vista e ventos macroeconômicos favoráveis vindos de possíveis cortes de juros pelo Federal Reserve — mantêm viva a tese altista. Tom Lee, da Fundstrat, espera uma correção no primeiro semestre de 2026, seguida por um rali no segundo semestre, com um alvo de US$ 115.000 no fim do ano.Se isso se concretizar, quebraria o padrão histórico, já que 2026 normalmente se alinharia como um ano de inverno cripto no ciclo tradicional de uma grande queda após três anos de alta.Por enquanto, porém, os touros precisam ver o Bitcoin recuperar os US$ 94.000 com convicção — idealmente com o ADX subindo acima de 25 para confirmar o momentum. Até que isso aconteça, espere mais movimentação lateral, com quedas ocasionais testando o suporte entre US$ 88.000 e US$ 89.000. A “cruz da morte” não garante um desastre, mas indica que o dinheiro fácil já foi feito. O que vem a seguir depende de os investidores institucionais continuarem aparecendo — ou decidirem ficar de fora desta vez.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. 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