Jovens exigem mais dos políticos – só estar nas redes sociais já não mobiliza

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A simples presença dos partidos e candidatos nas redes sociais já não é suficiente para mobilizar os jovens eleitores, revela um estudo realizado pelo IPAM Porto junto do público jovem. A qualidade da comunicação política digital, como a clareza e a transparência das mensagens, é hoje mais determinante para o envolvimento cívico do que a frequência ou a visibilidade online.Com dados recolhidos em 2024 e replicados em 2025, em períodos próximos de atos eleitorais, o estudo mostra que 67,2% dos jovens consideram a informação política digital essencial para o seu envolvimento cívico. No entanto, apenas 27,6% afirmam confiar na informação política que circula nas plataformas digitais, evidenciando um fosso crescente entre exposição e credibilidade. Desinformação, clareza e transparência: o que os jovens exigem da comunicação políticaA perceção de desinformação é generalizada: 58,5% dos jovens reconhecem que as plataformas digitais contribuem para a disseminação de conteúdo pouco credível. Ainda assim, esta consciência não afasta os jovens da política.Pelo contrário, a análise do IPAM conclui que os jovens demonstram uma maturidade crítica crescente, distinguindo cada vez mais entre estar exposto à comunicação política e sentir-se verdadeiramente envolvido. Jovens querem programas claros e comunicação credível – não apenas presença digitalOutro dado relevante do estudo prende-se com a clareza da comunicação dos programas eleitorais. Apenas 35 % dos jovens consideram que os partidos comunicam os seus programas de forma clara. Contudo, entre este grupo, observa-se um aumento significativo da confiança na informação política, o que vem reforçar a ideia de que mensagens bem estruturadas têm impacto direto no envolvimento cívico.A transparência surge como outro fator decisivo. Mais de metade dos jovens (51,1%) concorda que a comunicação política digital aumenta a transparência, e esta perceção está fortemente associada a níveis mais elevados de participação e interesse político, tanto em 2024, como em 2025, indicando uma tendência consistente ao longo do tempo.Apesar do olhar crítico sobre a comunicação digital, os dados indicam uma forte predisposição para a participação eleitoral: 88,9% dos jovens inquiridos afirmam ter votado nas últimas eleições legislativas. Para os autores do estudo, este resultado demonstra a ideia de apatia juvenil.«Num contexto de aproximação das eleições presidenciais, o principal risco para candidatos e partidos não é a ausência nas redes sociais, mas uma presença pouco esclarecedora. Estratégias centradas apenas no volume de conteúdos ou na multiplicação de plataformas tendem a ter efeitos limitados junto de um eleitorado jovem atento, informado e exigente. Para mobilizar este segmento, não basta estar online: é decisivo comunicar com clareza, consistência e transparência», afirma Catarina Domingos, Professora do IPAM e uma das autoras do estudo.O conteúdo Jovens exigem mais dos políticos – só estar nas redes sociais já não mobiliza aparece primeiro em Revista Líder.