Comemoração pela prisão de Maduro parece precipitada

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Os desdobramentos da captura de Maduro deixam cada vez mais evidente o interesse de Trump em garantir acesso ao petróleo da Venezuela, sem maiores implicações para o sistema político do País. Não fez qualquer aceno à oposição. O chavismo continua no governo, através da vice Delcy Rodríguez, com as mesmas repressões impostas aos opositores e jornalistas. O anúncio que a Venezuela concordou em entregar de 30 a 50 milhões de barris de petróleo para os Estados Unidos e a captura de navios que iriam para outros países, como a Rússia, demonstra que toda a operação também tinha como objetivo afastar a Rússia e a China. O petróleo que irá para as refinarias americanas na Costa do Golfo, em princípio, iria para o mercado chinês.De aceno à população venezuelana se tem apenas a afirmação de Trump de que irá adquirir o petróleo a preços de mercado, o que pode garantir mais de US$ 2 bilhões para a Venezuela e ele será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que seja usado em benefício do povo, não para a corrupção ou o regime. Mas no plano de três fases para o país, não cita qualquer prazo para a realização de eleições. Começa com foco na estabilização do país que, por enquanto, está se dando pela força, como na época de Maduro, mas ele fora do jogo, preso nos Estados Unidos. E é o temor de reações mais fortes que, talvez, esteja inibindo reação da oposição. Até a repressão sobre os presos políticos no país aumentou. A reconciliação, embora citada, virá numa etapa posterior, por ora sem perspectiva. Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp! WhatsApp As comemorações pela prisão de Maduro, pelo que se tem até agora, foram precipitadas. O regime, o chavismo, seguem presentes, só que, com possíveis cortes dos embargos por parte dos Estados Unidos. Talvez, pelo menos, se possa esperar por alguma melhora em termos econômicos, com a retomada de investimentos. Mas conciliação política, possibilidade de participação da oposição é outra história.Na sexta-feira (9), Trump irá se reunir com as principais petroleiras americanas para discutir a questão. Mas a retomada pode não ser tão rápida. A infraestrutura da Venezuela está sucateada e o petróleo de lá, muito pesado, implica custos maiores para o refino. E os planos de investimentos, certamente, devem levar em conta o retorno futuro. A expansão da demanda por petróleo não tem acompanhado a oferta, com queda dos preços há três anos. Se houver maior disponibilidade com a exploração das reservas na Venezuela que, comprovadamente, são as maiores do mundo, superando da Arábia Saudita e do Irã, isso poderá implicar mais pressão sobre os preços, reduzindo o possível retorno para a empresas que estiverem operando no país – as petrolíferas americanas.Agora é acompanhar o encaminhamento das propostas de Trump, que sempre podem trazer novas surpresas. Leia também 2026 renova cenário de incertezas