Casa Branca exclui chefe da espionagem dos EUA do planejamento para derrubar Maduro

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A Casa Branca deixou de fora a Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, durante meses de planejamento para derrubar Nicolás Maduro, porque sua oposição anterior a uma ação militar na Venezuela gerou dúvidas sobre seu apoio à operação, segundo pessoas próximas ao assunto.A exclusão de Gabbard das reuniões era tão conhecida que alguns assessores da Casa Branca brincavam que a sigla do seu cargo, DNI, significava “Do Not Invite” (Não Convidar), segundo três fontes que preferiram não se identificar. Um representante da Casa Branca negou que essa brincadeira tenha existido.Leia tambémSenado dos EUA aprova veto a novos ataques militares de Trump à VenezuelaCinco republicanos cruzaram as linhas partidárias para se juntar a todos os democratas na votação processual destinada a conter TrumpEquipe de Trump corre para fechar acordos e ampliar presença dos EUA na GroenlândiaApós o presidente mostrar interesse renovado, EUA buscam negócios e alternativas para fortalecer laços com a ilha, enquanto Dinamarca resiste à vendaEm 2019, quando era deputada democrata, Gabbard afirmou que os EUA deveriam “ficar fora” da Venezuela, e até o mês passado criticava os “belicistas” que querem empurrar os EUA para um conflito.Essa exclusão é mais uma prova da tensão antiga em torno do papel de Gabbard na administração Trump, e mostra como a decisão do presidente de derrubar Maduro — mesmo tendo feito campanha contra o início de novas guerras — abriu fissuras não só entre seus apoiadores MAGA, mas também dentro da sua equipe.O vice-presidente JD Vance chamou de “falsa” a ideia de que ele ou Gabbard foram deixados de fora do planejamento da operação. O diretor de Comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que Trump “tem total confiança na DNI Gabbard e ela está fazendo um trabalho excelente.”“Somos todos parte do mesmo time,” disse Vance a jornalistas na Casa Branca nesta quinta-feira (8). “Uma coisa incrível dessa operação é que mantivemos tudo muito restrito aos altos funcionários do governo e mantivemos o segredo por muito tempo.”Um alto funcionário da inteligência contestou a ideia de que Gabbard foi excluída, dizendo que ela forneceu informações que ajudaram a missão, mesmo que de forma mais analítica do que operacional. Uma porta-voz do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) indicou à Bloomberg um post de Gabbard nas redes sociais, na terça-feira, elogiando os militares pela “execução impecável” da operação para capturar Maduro.“O presidente Trump prometeu ao povo americano que protegeria nossas fronteiras, enfrentaria o narcoterrorismo, cartéis perigosos e traficantes,” escreveu ela. O post quebrou um silêncio de vários dias, depois que outros altos funcionários de segurança nacional comemoraram a operação em entrevistas e nas redes sociais.Embora o papel de Gabbard não seja operacional, sua exclusão do planejamento — que começou a se intensificar no fim do verão — é incomum, segundo ex-funcionários que trabalharam em governos democratas e republicanos. Como diretora de inteligência nacional, Gabbard deveria ser a principal conselheira de Trump em inteligência, supervisionando as 18 agências de inteligência dos EUA, incluindo a CIA.Fotos divulgadas pela Casa Branca após a operação mostram Trump e vários assessores próximos, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o diretor da CIA John Ratcliffe e o vice-chefe de gabinete Stephen Miller, reunidos em uma sala improvisada assistindo aos eventos em tempo real. Gabbard não estava entre eles.“É muito estranho a DNI não estar envolvida em operações como essa, especialmente algo relacionado à Venezuela,” disse Cedric Leighton, coronel aposentado da inteligência da Força Aérea dos EUA. “A foto mostra exatamente o que está acontecendo com Tulsi Gabbard agora.”Isso também mostra o ceticismo da equipe Trump em relação ao cargo de DNI. Alguns defendem que a função, criada após o 11 de setembro para coordenar as várias agências de inteligência, deveria ser extinta. Ao mesmo tempo, a Casa Branca e Trump demonstraram desconforto com Gabbard desde que ela assumiu o cargo.No verão passado, Trump ficou irritado com um vídeo que Gabbard postou nas redes sociais em junho, alertando que o mundo está mais perto de uma guerra nuclear do que nunca, segundo fontes. O vídeo não citava países, mas foi publicado pouco antes de Trump ordenar um ataque ao Irã.Marc Gustafson, diretor de análise do Eurasia Group e ex-chefe da Sala de Situação da Casa Branca, disse que não é incomum diretores serem deixados de fora de planejamentos assim. Presidentes anteriores — como Obama, Biden e até Trump no primeiro mandato — às vezes confiavam no diretor da CIA ou no DNI para planejar eventos, deixando o outro de fora temporariamente.Gabbard continua a informar o presidente regularmente e participa de reuniões no Salão Oval, disse o alto funcionário de inteligência. Ele afirmou que é injusto focar só nas opiniões passadas de Gabbard, já que outros assessores de Trump, como Vance, também já discordaram de políticas ou criticaram o presidente.Sob Trump, Gabbard deu um tom mais político ao seu papel. Ela priorizou a desclassificação de documentos importantes para a base de Trump — como o assassinato do presidente John F. Kennedy e a interferência russa nas eleições — e combateu o que ela e Trump chamam de Estado Profundo na comunidade de inteligência.Gabbard, de 44 anos, veterana da Guerra do Iraque e oficial da Reserva do Exército, é uma crítica aberta do envolvimento dos EUA em guerras prolongadas para mudança de regime, inclusive no seu cargo atual.Em 2019, ela disse que “não queremos que outros países escolham nossos líderes — então temos que parar de tentar escolher os deles.”“Quando olhamos para a história, toda vez que os EUA entram em outro país e derrubam um ditador ou governo, o resultado é desastroso para o povo desses países,” disse ela à Fox News em maio daquele ano.Gabbard, que concorreu à presidência em 2020, afirmou em outubro que “por décadas, nossa política externa ficou presa num ciclo sem fim e contraproducente de mudança de regime ou reconstrução de nações.”“O velho jeito de pensar de Washington é algo que esperamos ter deixado para trás,” disse ela.© 2026 Bloomberg L.P.The post Casa Branca exclui chefe da espionagem dos EUA do planejamento para derrubar Maduro appeared first on InfoMoney.