O bloqueio da internet no Irã completou 48 horas neste sábado (10), segundo a organização de vigilância em cibersegurança NetBlocks.“O Irã está offline há 48 horas, e a telemetria mostra que o bloqueio nacional da internet permanece em vigor”, afirmou a NetBlocks em uma publicação na rede social X.Um residente de Teerã confirmou hoje à CNN que o serviço de telefonia celular está indisponível na capital iraniana.Dados de conectividade da internet mostram que o uso caiu para 1% do tráfego normal, a partir de 8 de janeiro de 2026. O país mergulhou em um apagão de internet à medida que protestos antigovernamentais se espalharam pelo país. Guarda Revolucionária do Irã declara "linha vermelha" na segurança do país Procurador-geral do Irã diz que ação contra manifestantes será implacável Protestos no Irã já deixaram 65 mortos e mais de 2 mil presos, diz agência Na sexta-feira (9), o diretor da NetBlocks, Alp Toker, disse à CNN que alguns iranianos conseguiram se comunicar com o mundo exterior usando terminais Starlink contrabandeados ou sinal de celular de países vizinhos.“Os apagões nacionais costumam ser a estratégia preferida do regime quando há risco de uso de força letal contra manifestantes”, disse Toker, “com o objetivo de impedir a divulgação de notícias sobre o que está acontecendo no país e também limitar a atenção internacional.”No entanto, um morador de Teerã, de 47 anos, disse anteriormente à CNN, sob condição de anonimato, que o apagão teve o efeito oposto, levando mais manifestantes aos protestos.“O corte da internet parece ter saído pela culatra, já que o tédio e a frustração levaram ainda mais pessoas às ruas”, declarou ele.Protestos já duram duas semanasPelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país durante as manifestações contra o atual regime, segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos.A Guarda Revolucionária do Irã alertou neste sábado (10) que a proteção da segurança era uma “linha vermelha” e os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensificava os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos.As declarações vieram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um novo alerta aos líderes iranianos na sexta-feira (9) e depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou neste sábado: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.Os protestos continuaram durante a noite. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, capital do país, e culpou “manifestantes violentos”.A TV estatal transmitiu imagens dos funerais de membros das forças de segurança que, segundo ela, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.Os protestos se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, começando como resposta à inflação crescente, mas rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.As autoridades acusam os EUA e Israel de fomentarem os “distúrbios”. Grupos de direitos humanos documentaram dezenas de mortes de manifestantes.Irã corta internet da população após crescimento de protestos antigoverno | LIVE CNN