O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou no domingo que Teerã consideraria as bases e instalações militares dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio como “alvos legítimos” caso Washington adote uma ação militar contra o Irã.“Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo”, disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.Durante uma sessão parlamentar, Qalibaf afirmou que o Irã está atualmente enfrentando Israel e os Estados Unidos simultaneamente em quatro frentes: econômica, cognitiva, militar e de contraterrorismo.As declarações ocorrem em meio a relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria avaliando opções militares para intervir contra a repressão aos protestos no país. Autoridades americanas disseram à CNN que Trump considera cumprir as ameaças de atacar o país, caso o regime usasse força letal contra manifestantes. Leia mais Manifestantes em apoio aos protestos do Irã se reúnem ao redor do mundo Repúdio internacional cresce após repressão do Irã contra manifestantes Manifestantes no Irã descrevem à CNN repressão violenta em protestos Pelo menos 490 manifestantes foram mortos e mais de 10 mil pessoas foram presas nos últimos 15 dias, segundo o levantamento mais recente da organização Human Rights Activists in Iran, sediada nos Estados Unidos.A CNN não pode confirmar esses números de forma independente.Os iranianos também enfrentam um apagão, que entrou no quarto dia. Autoridades desligaram o acesso à internet e às linhas telefônicas em meio à crise e cresce o temor de que a repressão aumente durante o bloqueio.Os protestos surgiram como uma resposta à crise econômica, e se transformaram no maior desafio ao regime dos aiatolás em anos. As manifestações rapidamente se voltaram contra os governantes clericais que governam desde a Revolução Islâmica de 1979.Autoridades em Teerã acusam os EUA e Israel de fomentar os distúrbios.O presidente iraniano Masoud Pezeshkian, em uma entrevista na TV, disse que Israel e os EUA estavam planejando a desestabilização e que os inimigos do Irã haviam trazido “terroristas que incendiaram mesquitas, atacaram bancos e propriedades públicas”.“Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, disse ele, acrescentando que o governo estava pronto para ouvir o povo e resolver os problemas econômicos.*Com Reuters e CNN InternacionalMortes, prisões de manifestantes e apagão digital ampliam crise no Irã | CNN PRIME TIME