Cuba rejeita ameaças de Trump de que não receberá mais petróleo e dinheiro

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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país não receberia mais petróleo nem dinheiro.Neste domingo (11), dias após o ataque à Venezuela e a captura do ditador Nicolás Maduro, Trump disse que Cuba “viveu, por muitos anos, com grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela”. O presidente americano também sugeriu que o país caribenho fechasse um acordo com Washington “antes que seja tarde demais”.Em uma publicação no X, Díaz-Canel disse que os EUA não têm autoridade moral para forçar um acordo com Cuba.“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos e não ameaça; ela se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o presidente Cubano. Captura de Maduro completa uma semana; relembre o que aconteceu Análise: Trump tenta impor nova ordem global com ataques a aliados e rivais Venezuela realiza funeral para soldados mortos em operação dos EUA A Venezuela é o maior fornecedor de petróleo de Cuba, mas nenhum carregamento partiu dos portos venezuelanos para o país desde a captura de Maduro por conta de um bloqueio petrolífero imposto pelos EUA, segundo dados de transporte marítimo.Enquanto isso, Caracas e Washington avançam em um acordo de US$ 2 bilhões para o fornecimento de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos EUA, com os recursos que serão depositados em contas supervisionadas pelo Departamento do Tesouro americano.Este é um importante teste para a relação emergente entre Trump e a presidente venezuelana interina Delcy Rodríguez.Mas a pressão de Trump sobre Cuba representa a mais recente escalada em sua tentativa de alinhar as potências regionais aos Estados Unidos e ressalta a seriedade da ambição do governo de dominar o Hemisfério Ocidental.Os principais assessores de Trump, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, não esconderam a expectativa de que a recente intervenção americana na Venezuela possa levar Cuba ao limite.Autoridades americanas têm endurecido seu discurso contra Cuba nas últimas semanas, embora os dois países estejam em conflito desde a revolução de 1959 liderada por Fidel Castro.Cuba defende direitos de importaçãoO ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou em outra publicação no X neste domingo (11) que Cuba tem o direito de importar combustível de qualquer fornecedor disposto a exportá-lo.Ele também negou que Cuba tenha recebido compensação financeira ou de outra natureza “material” em troca de serviços de segurança prestados a qualquer país.Cerca de 32 integrantes das forças armadas e dos serviços de inteligência cubanos foram mortos durante o ataque dos EUA à Venezuela. Cuba afirmou que os mortos eram responsáveis ​​por “segurança e defesa”, mas não forneceu detalhes sobre o acordo entre os dois países aliados de longa data.Cuba depende da importação de petróleo bruto e combustível, principalmente da Venezuela e, em menor volume, do México, comprados no mercado aberto, para manter seus geradores de energia e veículos funcionando.Com a redução da capacidade operacional de refino da Venezuela nos últimos anos, o fornecimento de petróleo bruto e combustível para Cuba diminuiu.Mas o país sul-americano continua sendo o maior fornecedor, com cerca de 26.500 barris por dia exportados no ano passado, de acordo com dados de rastreamento de navios e documentos internos da estatal PDVSA, que cobriu aproximadamente 50% do déficit de petróleo de Cuba.Um vendedor de frutas e verduras da capital cubana Havana, Alberto Jimenez, de 45 anos, disse que o país não recuaria diante da ameaça de Trump.“Isso não me assusta. De jeito nenhum. O povo cubano está preparado para tudo”, disse Jimenez.Para muitos cubanos, é difícil imaginar uma situação pior. O governo da ilha tem lutado para manter o fornecimento de energia elétrica. A maioria da população vive sem eletricidade durante grande parte do dia, e até mesmo Havana viu a economia ser prejudicada por apagões rotativos que duram horas.A escassez de alimentos, combustível e medicamentos deixou os cubanos apreensivos e provocou um êxodo recorde, principalmente para os Estados Unidos, nos últimos cinco anos.México se torna fornecedor principalO México emergiu nas últimas semanas como um fornecedor alternativo crucial de petróleo para Cuba, mas o fornecimento permanece pequeno, de acordo com os dados de transporte marítimo.A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou na semana passada que o país não havia aumentado os volumes de fornecimento, mas, dados os recentes acontecimentos políticos na Venezuela, o México se tornou um “fornecedor importante” de petróleo bruto para Cuba.A inteligência americana pintou um quadro sombrio da situação econômica e política de Cuba, mas suas avaliações não oferecem suporte claro à previsão de Trump de que a ilha está “prestes a cair”, informou a agência Reuters, citando três pessoas familiarizadas com as avaliações confidenciais.A visão da CIA é que setores-chave da economia cubana, como agricultura e turismo, estão severamente afetados por frequentes apagões, sanções comerciais e outros problemas. A potencial perda das importações de petróleo e de outros tipos de apoio da Venezuela poderia dificultar a governança de Díaz-Canel.Moradora de Havana e manobrista, Maria Elena Sabina, de 58 anos, nascida pouco depois da ascensão de Castro ao poder, disse que já era hora de os líderes de Cuba promoverem mudanças em meio a tanto sofrimento.“Não há eletricidade aqui, nem gás, nem mesmo gás liquefeito. Não há nada aqui”, disse Sabina. “Então sim, uma mudança é necessária, uma mudança é necessária, e rapidamente.”