Animais “invisíveis” ajudam a reduzir o aquecimento global; entenda

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Quando se fala em aquecimento global, a atenção costuma se voltar para florestas, combustíveis fósseis e grandes sistemas industriais. Mas parte importante do equilíbrio climático do planeta depende de organismos quase imperceptíveis a olho nu. Nos oceanos, animais microscópicos conhecidos como zooplâncton desempenham um papel decisivo na retirada de carbono da atmosfera, um serviço ambiental silencioso, mas fundamental para frear o avanço das mudanças climáticas.Essa contribuição foi quantificada no estudo publicado na revista científica Limnology and Oceanography. Segundo o artigo, o zooplâncton atua como um agente ativo no ciclo global do carbono, ajudando a transportar grandes quantidades de CO₂ da superfície dos oceanos para regiões profundas, onde esse carbono pode permanecer estocado por décadas ou até séculos.O que é o zooplâncton e por que ele importaO zooplâncton é formado por pequenos animais marinhos, como copépodes, krill e larvas de diferentes espécies. Embora minúsculos individualmente, esses organismos estão presentes em enormes quantidades e ocupam uma posição estratégica na cadeia alimentar marinha. De acordo com o estudo, sua importância vai muito além de servir de alimento para peixes e mamíferos marinhos. Leia mais Foto do cometa 3I/ATLAS tirada por sonda em Júpiter intriga cientistas James Webb registra macabra nebulosa com formato de "Crânio Exposto" Entenda por que capivara e anta podem virar "amigos inseparáveis" Os autores explicam que o zooplâncton funciona como uma ponte entre o carbono capturado pelo fitoplâncton e o armazenamento desse carbono nas profundezas do oceano.Essa mediação biológica faz com que o carbono deixe de circular rapidamente entre oceano e atmosfera, reduzindo sua concentração atmosférica.Veja outros animais com características únicas na natureza Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 1 de 15 Parente do demônio da Tasmânia, o quoll do norte é um pequeno marsupial carnívoro que é objeto de um mistério biológico. Os machos são tão loucos por sexo que morrem de exaustão depois de uma maratona de acasalamento • Pixabay Trocar imagemTrocar imagem 2 de 15 Conhecido como “primo do canguru”, o vombate-de-nariz-pelado, ou vombate-comum, chama a atenção no mundo animal por um aspecto curioso: fezes em forma de cubos ou blocos • Jamie La/Moment RF/Getty Images/File via CNN Newsource Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 15 Dasyurus viverrinus, marsupial que vive nas florestas da Tasmânia, consegue brilhar no escuro • Prêmio de Fotografia Científica Beaker Street/Ben Alldridge Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 15 Muitas corujas-das-torres têm a parte inferior branca, uma característica que os pesquisadores sugerem que poderia permitir que as aves imitassem efetivamente a Lua, como uma forma de camuflagem antes de surpreender a presa • Juanjo Negro via CNN Newsource Trocar imagemTrocar imagem 5 de 15 Colêmbolo globular, um tipo de inseto que consegue dar cambalhotas para trás no ar, girando mais de 60 vezes a altura do seu corpo em um piscar de olhos. Eles podem atingir uma taxa máxima de 368 rotações por segundo • Adrian Smith Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 6 de 15 Pássaros canoros do gênero Junco-de-olhos-escuros mudaram o tamanho dos bicos durante o período da pandemia de Covid nos Estados Unidos por conta da mudança da oferta de alimento em um campus da Universidade da Califórnia • Sierra Glassman Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 7 de 15 Ácaros (batizados de Araneothrombium brasiliensis) parasitam aranhas e formam um colar de larvas para sugar fluídos. Descoberta brasileira envolveu pesquisadores do Instituto Butantan • Ricardo Bassini-Silva /Instituto Butantan Trocar imagemTrocar imagem 8 de 15 Veronika, uma vaca da raça Swiss Brown, vive em uma fazenda na pequena cidade austríaca de Nötsch im Gailtal. Ela surpreendeu cientistas ao demonstrar inteligência e usar ferramentas para se coçar • Antonio J. Osuna Mascaró Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 9 de 15 Nas águas geladas da Baía de Bristol, no Alasca, um novo estudo revela como uma pequena população de baleias beluga sobrevive ao longo do tempo por meio de uma estratégia surpreendente: elas acasalam com múltiplos parceiros ao longo de vários anos • OCEONOGRAFIC DE VALENCIA HANDOUT / REUTERS Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 10 de 15 Imagens feitas por pesquisador da UFSC mostram fungo parasita que controla aranhas na Amazônia e lembram o cordyceps de The Last of Us • Elisandro Ricardo Drechsler-Santos Trocar imagemTrocar imagem 11 de 15 Cientistas registraram uma rara água-viva fantasma gigante (Stygiomedusa gigantea) durante uma expedição científica em ecossistemas de águas profundas ao longo de toda a costa da Argentina. O avistamento foi divulgado pelo Instituto Oceanográfico Schmidt. O sino do animal pode atingir até um metro de diâmetro, enquanto seus quatro braços podem chegar a até 10 metros de comprimento. • Reuters Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 12 de 15 As crianças adoram brincar de faz-de-conta, organizando festas de chá imaginárias, educando turmas de ursinhos de pelúcia ou administrando seus próprios mercadinhos. Agora, um novo estudo sugere que essa brincadeira de faz-de-conta não é um talento exclusivamente humano, mas uma habilidade que os grandes símios também possuem, como o bonobo • Iniciativa dos Macacos Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 13 de 15 Cientistas identificaram um novo tipo de célula visual em peixes de águas profundas que combina a forma e a estrutura dos bastonetes com a maquinaria molecular e os genes dos cones. Esse tipo híbrido de célula, adaptado para ambientes de pouca luz, foi encontrado em larvas de três espécies no Mar Vermelho. As espécies estudadas foram: o peixe-machado (Maurolicus mucronatus), o peixe-luz (Vinciguerria mabahiss) e o peixe-lanterna (Benthosema pterotum) • Wen-Sung Chung/Divulgação/Reuters Trocar imagemTrocar imagem 14 de 15 Chimpanzés selvagens em Uganda forneceram novo suporte à hipótese do "macaco bêbado" - a ideia de que os primatas são expostos há muito tempo a baixos níveis de álcool em frutas fermentadas, e podem até ser atraídos por eles - depois que testes de urina revelaram que a maioria das amostras continha um marcador metabólico direto de etanol, relataram pesquisadores em um novo estudo. • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 15 de 15 Estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) aponta que os primeiros animais da Terra provavelmente eram ancestrais das esponjas marinhas. A pesquisa identificou “fósseis químicos” preservados em rochas com mais de 541 milhões de anos • Shutterstock Trocar imagemTrocar imagem visualização default visualização full visualização gridA bomba biológica de carbono dos oceanosA pesquisa detalha o funcionamento da chamada bomba biológica de carbono, mecanismo natural que regula o clima global. Nesse processo, o carbono atmosférico é inicialmente absorvido pelo fitoplâncton por meio da fotossíntese. Em seguida, esse carbono é transferido ao longo da cadeia alimentar.O artigo ressalta que o zooplâncton desempenha um papel central nessa dinâmica, acelerando o transporte do carbono para águas profundas. Ao contrário do que modelos anteriores sugeriam, o zooplâncton não atua apenas de forma passiva, acompanhando o afundamento natural das partículas, mas exerce um papel ativo no deslocamento do carbono.Migração vertical diária: um elevador natural de carbonoUm dos principais mecanismos descritos no estudo é a migração vertical diária do zooplâncton. Segundo os autores, esses organismos sobem à superfície durante a noite para se alimentar e descem para águas mais profundas durante o dia, como forma de proteção contra predadores.Esse movimento cotidiano funciona como um verdadeiro “elevador de carbono”. Ao se alimentar na superfície e metabolizar o carbono em profundidade, o zooplâncton transporta matéria orgânica para camadas mais profundas do oceano. O estudo estima que esse transporte ativo pode ser responsável por até 40% do carbono exportado para o oceano profundo em algumas regiões.Pellets fecais e o sequestro eficiente de CO₂Outro ponto destacado pelo artigo é a produção de pellets fecais pelo zooplâncton. Embora pouco atraente à primeira vista, esse processo é crucial para o sequestro de carbono. Segundo a pesquisa, esses pellets são densos e afundam rapidamente, levando o carbono para regiões onde ele tem menos chance de retornar à atmosfera.Os autores indicam que esse mecanismo torna a bomba biológica mais eficiente, especialmente em áreas com grande concentração de zooplâncton, como regiões polares e zonas de alta produtividade oceânica.Um serviço climático sob ameaçaApesar de sua importância, o estudo alerta que o papel do zooplâncton na regulação do clima é altamente sensível às mudanças ambientais. O aquecimento dos oceanos, a acidificação das águas e a redução da disponibilidade de alimento podem alterar os padrões de migração e a sobrevivência desses organismos.De acordo com o artigo, qualquer enfraquecimento desse sistema pode reduzir a capacidade do oceano de atuar como sumidouro de carbono, criando um efeito de retroalimentação que acelera o aquecimento global.Aquecimento global ou mudança climática? Entenda a diferença