Vorcaro gastou ao menos R$ 390 milhões em festas e viagens de luxo enquanto Master ruía

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez nesta semana pela Polícia Federal, gastou ao menos USD 68,9 milhões — mais de R$ 390 milhões na cotação atual — em festas privadas, iates, ilhas alugadas e viagens de luxo para a família entre maio de 2021 e agosto de 2023. O valor foi transferido por meio de wires internacionais para uma empresa de eventos sediada na Flórida, a Signature Luxury Services LLC. Os documentos que comprovam as movimentações foram obtidos com exclusividade pela Jovem Pan News.No mesmo período, o Banco Master captava bilhões de reais em CDBs de investidores pessoas físicas e institucionais, papéis garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos. Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, em novembro de 2025, o FGC estimou um desembolso de R$ 41 bilhões para cobrir as garantias — o maior da história do fundo. Cerca de 1,6 milhão de clientes foram afetados, entre eles o fundo de pensão Rioprevidência (R$ 970 milhões), a Oncoclínicas (R$ 433 milhões) e a CEDAE (R$ 200 milhões).O maior gasto individual registrado nos documentos é uma festa particular realizada em setembro de 2023 em Taormina, na Sicília. O evento custou ao menos USD 25 milhões. Para a ocasião, Vorcaro contratou o Coldplay por USD 11,4 milhões, Michael Bublé por USD 2 milhões, Andrea Bocelli por USD 958 mil, Seal e David Guetta por cerca de USD 915 mil cada, além de outros artistas. Os convidados foram hospedados em três hotéis reservados integralmente: o Four Seasons San Domenico Palace, o Belmond Grand Timeo e o Belmond Villa Sant’Andrea, com custo total superior a EUR 3 milhões.A produção técnica do evento consumiu mais de EUR 11,5 milhões em adiantamentos. Uma empresa de logística recebeu EUR 381 mil apenas para coordenar o planejamento, que incluía um aplicativo exclusivo para os convidados. O evento foi preparado ao longo de mais de um ano, com quatro viagens de inspeção ao local entre agosto de 2022 e janeiro de 2023.Os demais gastos documentados cobrem um circuito de destinos de alto padrão. Em abril de 2021, Vorcaro alugou um iate nas Maldivas e viajou com a família ao Zimbabwe, em operação que somou cerca de USD 2 milhões. Em julho do mesmo ano, reservou por seis noites a ilha privativa de Little Pipe Cay, nas Bahamas, a USD 50 mil por noite, com festa de aniversário incluída.Documento obtido pela Jovem Pan NewsEm setembro de 2021, a família ocupou uma vila de 12 suítes em Mykonos e fretou o iate histórico M/Y Christina O para uma rota entre as ilhas gregas. Em janeiro de 2022, alugou seis suítes no Le K2 Palace, em Courchevel, por 13 noites, com instrutores de esqui particulares, motoristas e equipe de segurança dedicada. No mesmo mês, viajou a Marrakech e ficou no Royal Mansour.Em abril de 2023, Vorcaro organizou uma sequência de eventos em Roma, Veneza e Capri que custou cerca de USD 7 milhões. O cantor espanhol C. Tangana foi contratado por EUR 1,35 milhão, Ja Rule por USD 280 mil e o DJ Black Coffee por EUR 277 mil. O hotel veneziano The Venice Venice foi reservado integralmente por EUR 470 mil. Em agosto de 2023, às vésperas da liquidação do banco, outro evento foi realizado no Brasil com The Chainsmokers (USD 1,32 milhão) e o DJ Alok (EUR 280 mil), além de um contrato com a Dolce & Gabbana Alta Costura de EUR 400 mil.Os pagamentos eram realizados em transferências internacionais que chegaram a USD 10,9 milhões em uma única operação, em agosto de 2023 — mês em que o Banco Central já pressionava Vorcaro a capitalizar a instituição. Ao todo, os documentos registram ao menos 21 transferências de grande porte no período.Documento obtido pela Jovem Pan NewsAs investigações da Operação Compliance Zero, supervisionadas pelo ministro André Mendonça, do STF, apuram fraude financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na segunda fase da operação, deflagrada na quarta-feira (4), Vorcaro foi preso por suspeita de ocultar mais de R$ 2,2 bilhões, transferidos para uma conta do pai na Reag Investimentos, e por manter uma estrutura privada de vigilância e intimidação — apelidada de “A Turma” — usada para monitorar jornalistas e ex-funcionários. Segundo a PF, o banqueiro chegou a ordenar a simulação de um assalto para agredir fisicamente um repórter que cobria o caso.A defesa de Vorcaro nega categoricamente as condutas atribuídas a ele. Afirma que o Banco Master era solvente e que a crise foi de liquidez, provocada por mudanças regulatórias e ataques reputacionais. Diz ainda que todas as operações com o Banco de Brasília foram técnicas e auditadas. Leia também Banco Master: imagens mostram Daniel Vorcaro na prisão Daniel Vorcaro chega à Penitenciária Federal de Brasília