Desigualdade de gênero mantém mulheres com menor renda e mais vulneráveis

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Próximo ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, estudos da Oxfam Brasil apontam que a desigualdade econômica ainda atinge de forma significativa as mulheres. Os dados indicam que, no Brasil, a desigualdade de gênero também está ligada a fatores raciais, sociais e climáticos.Segundo o relatório Oxfam Davos 2026, divulgado em janeiro, 63% dos adultos analfabetos no mundo são mulheres. No Brasil, 59,4% dos lares onde os moradores enfrentam fome são chefiados por mulheres.Outro levantamento, o estudo Encruzilhada Climática Oxfam 2025, mostra diferenças de renda entre grupos raciais e de gênero. Homens brancos têm rendimento médio de R$ 2.598, enquanto mulheres brancas recebem, em média, R$ 2.439. Entre pessoas pretas ou pardas, homens ganham cerca de R$ 1.397 e mulheres, R$ 1.281. Leia Mais COP30: Websérie aborda o tema equidade racial no ambiente de trabalho De R$ 2 mil a R$ 5 mil: Veja a renda média dos brasileiros em cada estado Mulheres recebem 21% menos que homens no Brasil, diz governo A pesquisa também aponta que cerca de 48% dos domicílios localizados em áreas de risco climático são chefiados por mulheres. Entre essas famílias, 62% são lideradas por mulheres negras.A desigualdade também aparece no campo. Mulheres que trabalham em sistemas agroalimentares recebem, em média, 20% menos que os homens em funções comparáveis. De acordo com o estudo, essa diferença está relacionada à concentração feminina em postos menos remunerados, menor acesso a treinamento técnico e contratos de trabalho mais precários.O trabalho de cuidado realizado pelas mulheres continua sendo o grande pilar invisível que sustenta a economia global.Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam BrasilSegundo a diretora, a desigualdade de gênero se reflete em diferentes áreas da vida social e econômica. “Uma sociedade marcada pela desigualdade de gênero é aquela na qual meninas e mulheres têm um status diferente do que meninos e homens. Suas vidas têm um valor menor”.“Esse valor menor se expressa na maneira como se garante o acesso aos direitos, na maneira como existe proteção, na maneira como a gente, exercendo a mesma função, a gente recebe a mesma remuneração”, completou, em entrevista à CNN Brasil.Menos oportunidades nos negóciosEla também destaca que mulheres têm menos acesso a crédito, terra e oportunidades para desenvolver seu potencial profissional. “Ainda hoje entendemos que o mercado de trabalho tem uma preferência por homens para o exercício de funções de liderança e que, quando há mulheres nessas mesmas funções, frequentemente recebem remuneração pior do que os homens.”Fim da desigualdade de gênero poderia elevar PIB global | CNN NOVO DIADe acordo com Santiago, a desigualdade é ainda mais acentuada quando se considera o fator racial. “Quando pensamos a partir da dinâmica racial, as mulheres negras e indígenas vivenciam um desafio adicional, que é a desigualdade de gênero somada à desigualdade racial.”Leia também: Desigualdade de gênero atinge nível alarmante em 85% das cidades do BrasilPara a diretora da organização, compreender essas diferenças é fundamental para a formulação de políticas públicas. “Pensar isso ajuda a entender como essa violência se reproduz para todas as mulheres, mas não da mesma forma. As soluções precisam considerar a diversidade das mulheres brasileiras para garantir acesso igualitário a direitos e oportunidades.”