Parecia uma era de ouro para o crédito privado quando a BlackRock Inc. desembolsou US$ 12 bilhões para comprar a HPS Investment Partners, uma das maiores gestoras globais de investimentos alternativos, focada principalmente em crédito privado, alardeando a perspectiva de vender a milhões de investidores de varejo retornos atraentes nestes papéis. Mas as expectativas da BlackRock em relação ao crédito privado para o varejo esbarraram na apreensão do mercado.Mas oito meses depois, a BlackRock enfrenta uma corrida de saques por parte de alguns clientes, temerosos de uma onda de falências de companhias que podem ser impactadas pela inteligência artificial. Por isso, a BlackRock teve que restringir os saques de um de seus maiores fundos de crédito privado após um aumento acentuado nos pedidos de resgate, o mais recente sinal de ansiedade dos investidores em relação ao setor de crédito privado estimado em US$ 1,8 trilhão.Leia tambémB3 reduz horário de funcionamento a partir desta segunda, 9; veja como ficaMudança se dá por conta do início do horário de verão nos EUA e na Europa, e afeta ações, derivativos e contratos futuros, revertendo ampliação feita em novembroSparta prevê turbulência no mercado de crédito privado e reforça o caixa“Liquidez é risco para o amador, mas oportunidade para o profissional”, afirma a gestora, ao justificar caixa acima de 20% à espera de abertura dos spreadsO HPS Corporate Lending Fund da empresa, de US$ 26 bilhões, um dos maiores fundos com empresas de desenvolvimento de negócios não negociadas em bolsa, afirmou em um comunicado na sexta-feira que os acionistas solicitaram o resgate de 9,3% de suas ações. Mas a administração decidiu limitar os resgates a 5%. Embora o valor total das ações fosse de cerca de US$ 1,2 bilhão, segundo cálculos da Bloomberg, os investidores receberão de volta cerca de US$ 620 milhões que o fundo detinha no final do ano.Este é o exemplo mais claro de restrição de resgates entre os principais fundos de crédito privado desde o final do ano passado, quando os investidores ficaram cada vez mais receosos em relação a essa classe de ativos após falências de grande repercussão levantarem preocupações sobre os padrões de empréstimo.Gestão de liquidezA BlackRock afirmou que a medida está alinhada com sua gestão de liquidez para o principal produto de crédito direto ao consumidor, conhecido como HLEND, e é uma característica “fundamental” do investimento.“Sem isso, haveria uma incompatibilidade estrutural entre o capital dos investidores e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado nos quais a HLEND investe”, declarou a empresa.As ações da BlackRock caíram até 8,3% ontem, enquanto as ações de gestoras de ativos alternativos, incluindo a KKR & Co. e a Ares Management Corp., também despencaram, registrando o pior início de ano em uma década.Fundos de crédito privado, em geral, estão se preparando para uma onda de pedidos de resgate, à medida que cresce a preocupação com as práticas de empréstimo do setor e a exposição a empresas que podem ser impactadas pela inteligência artificial.Com os pedidos de resgate começando a ultrapassar os limites de 5%, empresas como a BlackRock enfrentam decisões difíceis sobre oferecer ou não liquidez aos clientes, escreveu Glenn Schorr, da Evercore ISI, em um relatório.“A decisão da HPS de manter o limite em 5% é a correta, pois preserva a integridade dos veículos não negociados em bolsa, protege o fundo de ser forçado a vender ativos e evita alavancagem adicional”, escreveu Schorr. The post Fundos enfrentam onda de saques e gestoras, como a BlackRock, limitam retiradas appeared first on InfoMoney.