Escutar pode ser a competência mais subestimada nas empresas

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Ouvir parece simples, mas raramente o é. Para que qualquer interação profissional seja realmente produtiva, não basta falar bem ou apresentar argumentos sólidos. É necessário garantir que os interlocutores estão, de facto, a escutar.A escuta ativa, aquela que envolve atenção, compreensão e resposta consciente, é hoje vista por especialistas em liderança e comunicação como um fator crítico para melhorar a colaboração, prevenir conflitos e tomar decisões mais informadas.Como sintetizou o analista Frank Tyger: «Seja um bom ouvinte. Os seus ouvidos nunca irão prejudicá-lo.»Os sete perfis de ouvintes nas organizaçõesNas empresas, há diferentes formas de ouvir  e nem todas contribuem para uma comunicação eficaz. A literatura sobre liderança identifica vários perfis recorrentes de ouvintes que surgem em reuniões, negociações ou conversas informais no local de trabalho.Um dos mais comuns é o ‘muito ocupado’: profissionais permanentemente a correr contra o relógio, que respondem enquanto olham para o telemóvel ou pensam na próxima tarefa. O resultado é previsível: mensagens incompletas e decisões tomadas com base em informação fragmentada.Outro perfil frequente é o de quem ‘não está lá’. A pessoa está presente fisicamente, mas mentalmente distante. O olhar perdido ou a expressão ausente denunciam um interlocutor que já não acompanha a conversa.Há ainda os ‘interrompedores’, que aproveitam qualquer pausa para completar frases ou introduzir a sua própria opinião. Neste caso, a conversa deixa de ser um espaço de partilha e transforma-se numa competição por tempo de fala.Nas organizações surgem também os ‘ouvintes indiferentes’, que mantêm uma postura distante e pouco reativa, transmitindo a ideia de que o tema não lhes interessa; os ‘combativos’, que escutam sobretudo para encontrar pontos de discordância; e os chamados ‘psicólogos’, sempre prontos a oferecer conselhos ou soluções, mesmo quando ninguém os pediu.Entre todos estes estilos, existe apenas um que realmente melhora a qualidade das interações profissionais: o ‘ouvinte empenhado’. Este escuta com atenção, procura compreender o ponto de vista do outro e cria espaço para que as ideias evoluam.A escuta como ferramenta de liderançaNum contexto corporativo, escutar bem não é apenas uma questão de educação ou empatia. É também uma competência de gestão.Líderes que escutam conseguem detetar problemas mais cedo, captar sinais informais nas equipas e compreender melhor as motivações das pessoas. Ao mesmo tempo, criam ambientes de trabalho onde os colaboradores se sentem ouvidos — algo diretamente ligado ao compromisso e à produtividade.A escuta ativa passa por gestos simples: manter contacto visual, não interromper, prestar atenção à linguagem corporal e evitar conclusões precipitadas. Implica também fazer perguntas, clarificar dúvidas e confirmar se a mensagem foi realmente compreendida.Num tempo em que falar alto ou rápido parece muitas vezes sinónimo de liderança, alguns especialistas recordam um princípio antigo, atribuído ao filósofo Epictetus: temos dois ouvidos e apenas uma boca para podermos ouvir mais do que falamos.No mundo empresarial contemporâneo, essa máxima continua a fazer sentido. Em muitas situações, a diferença entre uma conversa improdutiva e uma decisão eficaz começa simplesmente com algo que parece óbvio. Parar para escutar. Este resumo foi publicado com base na obra ‘Como Impulsionar a Sua (Próxima) Carreira’ com o consentimento do autor, Dale Carnegie.O conteúdo Escutar pode ser a competência mais subestimada nas empresas aparece primeiro em Revista Líder.