Produtividade turbinada por IA abre espaço para juros mais baixos, diz Kapitalo

Wait 5 sec.

Um salto de produtividade já visível nos números – e amplificado pela Inteligência Artificial (IA) – começa a redesenhar o cenário macroeconômico global. Para o gestor Carlos Woelz, da Kapitalo, o efeito combinado de menor necessidade de contratação e maior eficiência abre margem para políticas monetárias menos restritivas. “A produtividade já está aparecendo nos números”, afirma. “Isso significa emprego baixo, alguma desaceleração, mas também produtos mais baratos e espaço para ajustar juros.” Segundo ele, embora a medição de produtividade seja “um resíduo, mal medido”, os movimentos estruturais estão claros. “Até pouco tempo atrás, os gestores macro não diziam isso porque não aparecia nos números. Agora aparece”, completa. A leitura, porém, não elimina riscos. Woelz destaca um período recente em que o mundo flertou com um “precipício” de desaceleração, pressionado por queda de renda e menor geração de empregos. “Se você começa a demitir nesse ambiente, aí sim você cai no precipício”, alerta.O especialista participou do podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, e contou também com a presença de Bruno Mauad, da Kapitalo.Veja mais: “Não invista em crédito, mas em renda fixa eficiente”, diz CEO de gestora de R$ 22 biE também: IA impulsiona investimentos, mas preocupa empresas de software e programadoresIA ajuda a afastar risco de recessãoApesar das incertezas, Woelz vê uma mudança relevante: a IA teria ajudado a “tirar a economia da beira” de uma recessão. “À medida que você sai do precipício, você ganha espaço para manejar política monetária”, diz. Mesmo um choque de petróleo poderia ser absorvido com mais calma se a produtividade seguir avançando.Ele reforça que a combinação entre crescimento mais forte ou juros mais baixos – “um dos dois vem” – tende a favorecer commodities e ativos de risco. O movimento, segundo ele, lembra o ciclo de produtividade de 1994 a 1996, quando cortes de juros empurraram o mundo para um cenário “maravilhoso”. IA pode estar criando empregos em vez de destruí-los por enquanto, diz blog do BCEJensen Huang, da Nvidia, descarta investimento de US$ 100 bilhões na OpenAIAinda assim, o risco geopolítico segue no radar. A tensão no Oriente Médio, comenta, “pode interromper ou não a melhora cíclica”, mas o ponto de partida é melhor do que há um ano: desemprego baixo e maior capacidade de ajuste.Leia tambémCom guerra, choque do petróleo isolado pode virar política monetária de ponta-cabeçaChance de descolamento forte do preço do petróleo é muito maior do que de descarrilamento da economia globalMauad: IA testa modelos de negócio e muda hierarquia setorialPara o sócio Bruno Mauad, do ponto de vista microeconômico a IA já provoca rupturas tangíveis. “Mesmo nas empresas brasileiras já vemos mudanças rápidas”, afirma. Ele cita desde máquinas chinesas dominando fábricas até cortes corporativos massivos no exterior – como o da ex-Square, hoje Block.“A vida de alguns modelos de software vai ficar mais difícil”, diz. Informações antes acessíveis somente via terminais profissionais hoje são encontradas “no celular em segundos”. Esse avanço pressiona empresas que viviam da intermediação ou da venda de dados.Para ele, o Brasil se beneficia por estar do lado dos ativos físicos, que são difíceis de serem substituídos por novas tecnologias. Mauad destaca ainda uma mudança estrutural global: grandes empresas de tecnologia, antes leves em ativos, tornaram-se pesadas, investindo fortemente em infraestrutura. “Google (GOGL34), Amazon (AMZO34)… todo mundo investindo. E quem investe pesado precisa de matéria-prima”, aponta.Brasil: beneficiado pela simplicidade e pela produtividade importadaEssa dinâmica ajuda a explicar por que o Brasil, mesmo longe da fronteira tecnológica, consegue capturar ganhos indiretos da IA. Mauad, citando o economista Carlos Tristano, brinca com o conceito de que “a vantagem de ser subdesenvolvido é copiar o desenvolvido”. Complementando essa ideia, Woelz explica que países menos produtivos podem ter um ganho extra de eficiência ao adotar tecnologias já maduras. Ao importar IA, serviços e centros de dados a custos menores, o Brasil recebe um “choque positivo de preços”. Ele, no entanto, faz uma ressalva: transformar esse choque em inovação doméstica ainda é incerto. “Não adianta especular além do que conseguimos enxergar e operar”, pondera o gestor.The post Produtividade turbinada por IA abre espaço para juros mais baixos, diz Kapitalo appeared first on InfoMoney.