Diferente de sistemas financeiros tradicionais, o Bitcoin foi criado com um limite máximo de emissão de moeda: 21 milhões de unidades. Esse número não é apenas simbólico: ele define toda a lógica econômica da rede.Mas o que acontece quando esse limite for atingido? E, mais importante, o que vai motivar os mineradores a continuarem operando sem receber novos bitcoins? A resposta, segundo especialistas, já está embutida no próprio protocolo desde o início.Leia também: Bitcoin se aproxima da marca histórica de 20 milhões de BTC mineradosComo funciona a recompensa hoje?Atualmente, os mineradores recebem dois tipos de recompensa: novos bitcoins (o chamado subsídio de bloco) e as taxas pagas pelos usuários nas transações.Esse subsídio vem sendo reduzido ao longo do tempo por meio do halving, evento que corta a emissão de BTC pela metade aproximadamente a cada quatro anos.Quando a rede do Bitcoin teve início, a recompensa por bloco minerado era de 50 BTC. Com os eventos de halving, passou para 25 BTC, e consequentemente, 12,5 BTC, 6,25 BTC e o atual 3,125 BTC. Após o próximo halving, a recompensa será de 1,562 BTC.Esse mecanismo é o que garante a escassez do ativo e diferencia o Bitcoin de moedas inflacionárias.Leia também: Bitcoin se aproxima da marca histórica de 20 milhões de BTC mineradosO fim da emissão de novas unidades de BitcoinDe acordo com Rony Szuster, head de research do MB | Mercado Bitcoin, o último Bitcoin deve ser minerado por volta do ano 2140.“O último Bitcoin vai ser minerado lá em 2140. Na verdade, não vai ser nem um BTC inteiro, vai ser uma fração muito pequena, até chegar a 1 satoshi, que é a menor unidade possível”, explicou Szuster.Após esse ponto, a emissão se encerra completamente.Vale lembrar que 1 BTC é igual a 1,00000000 satoshis, ou seja, 8 casas decimais após a vírgula, portanto 1 satoshi vale 0.00000001 BTC.“Depois, o halving tenta dividir esse valor por dois, não consegue mais, e a recompensa vai a zero. Acabam os novos bitcoins”, acrescentou.Neste cenário, o único incentivo que os mineradores terão para continuar minerando Bitcoin será o recebimento das taxas de transações. Apesar disso, Szuster afirma que não há motivo para preocupação.“Isso não tem problema nenhum. A recompensa dos mineradores não é só o subsídio. Existe uma outra parte da receita, que são as taxas de transação, e essas sempre vão existir.”Na prática, mesmo sem novos bitcoins sendo criados, cada transação continuará pagando uma taxa mínima para ser incluída em um bloco. “Sempre vai ter pelo menos uma transação dentro do bloco. E toda transação paga taxa. Então essa receita continua existindo.”O modelo econômico já previa issoA ausência de novos incentivos além das taxas não é uma falha, é parte do design original do Bitcoin.“Qual seria o incentivo além das taxas? Não tem. As taxas são justamente o incentivo”, disse Szuster.Segundo ele, Satoshi Nakamoto, o criador do protocolo, já havia previsto esse cenário ao desenhar o sistema. A ideia é que, com o tempo, o Bitcoin se valorize, compensando a redução da emissão.“Cada fração de Bitcoin tende a valer mais ao longo do tempo, justamente para compensar o fim do subsídio.”Esse movimento já pode ser observado hoje, com as taxas ganhando participação crescente na receita dos mineradores.No longo prazo, portanto, a segurança da rede dependerá menos da criação de novos bitcoins, e mais do uso real da rede e da disposição dos usuários em pagar por transações.Não perca o próximo ciclo! O bitcoin já valorizou cerca de 140% ao ano em seu histórico. Invista na maior criptomoeda do mundo pelo MB de maneira segura e prática. Comece hoje mesmo!O post O que vai acontecer quando o último Bitcoin for minerado? apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.