Mulheres tomam menos risco, mas média de investimento é maior que a dos homens

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Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, volta a discussão sobre as diferenças de pensar e agir entre os sexos também na hora de investir. Sempre há exceções, mas em geral, se os homens costumam ser mais arrojados, as mulheres se destacam pela busca maior de segurança e previsibilidade. As próprias especificidades de cada gênero, as diferentes fases da vida e até questões culturais também acabam influenciando no jeito de lidar com o dinheiro e se preparar para o futuro e podem inclusive trazer prejuízos às mulheres se não forem levadas em consideração.  A presença das mulheres nos investimentos ainda é discreta, mas vem aumentando nos últimos anos. Desde 2021, o número de investidoras em renda variável cresceu 41%, segundo dados da B3. Em 2025, 54.963 mulheres passaram a investir em produtos de renda variável na bolsa, um crescimento de 3,98%. Com isso, a participação feminina no mercado chegou a 1,4 milhão no fim do ano passado, ou 26% do total de 5,5 milhões de investidores em renda variável.Mas apesar de constituírem pouco mais de um quarto dos investidores, as mulheres investem quase o dobro dos homens, mostram os dados da B3. Enquanto o estoque mediano por investidor do gênero masculino é de R$ 1.682,00, o do gênero feminino é de R$ 3.029,00. Leia também: Nº de mulheres investindo na B3 cresce; investidoras em Tesouro Direto passam de 1 miFluxo de caixa específicoCaio Tonet, diretor institucional da W1 Inc, cita as diferenças e a necessidade de criar um fluxo de caixa específico para as mulheres. Diante de pausas por conta de maternidade ou responsabilidade com familiares, é importante ter clareza nas contas, um bom cuidado e controle, entender o que é um gasto fixo, um gasto variável, e mapear custos que não são de necessidades básicas para facilitar a criação de uma boa reserva de emergência para, no mínimo, seis meses e, no caso da mulher autônoma, 12 meses.O destino desses recursos de emergência deve ser o mais simples possível, como Tesouro Selic ou LFT, um fundo DI de taxa de administração e volatilidade baixas e com possibilidade de resgate diário. “Ou seja, ativos bem seguros, bem tranquilos, sem muita dor de cabeça”, ressalta.Vivendo mais que os homensAs mulheres precisam pensar também na longevidade maior, afirma Tonet. Segundo o IBGE, a expectativa de vida dos homens no país é de 73,3 anos, ante 79,9 das mulheres. “Trabalhando com esse cenário de uma vida mais longa, consequentemente, é muito importante que na fase de acúmulo de capital, a vida ativa de trabalho, ela foque em construir um fluxo de caixa maior”.O consultor sugere também ter um investimento consistente, mesmo que pouco, para o longo prazo, que pode ser feito por meio de previdência privada, por exemplo. Isso auxilia tanto na aposentadoria como em uma eventual sucessão do patrimônio caso ela seja mãe. Além, obviamente, de outros tipos de investimentos que podem se beneficiar a longo prazo. “É importante ter aportes recorrentes de forma disciplinada e evitar compras desnecessárias no dia a dia para poupar e formar reservas”, diz.Leia também: Empreendedoras acessam R$ 734 milhões em crédito com aval do Fampe MulherMuitas fases Carolina Cavenaghi, fundadora e CEO da Fin4She, plataforma voltada para impulsionar a independência financeira feminina, chama a atenção para as mudanças de comportamento de investimento da mulher ao longo dos processos da vida. Primeiro salário, maternidade, casamento, divórcio, herança, promoção, questão ou problema familiar são alguns desses momentos. Até numa fase mais velha há os cuidados com os pais, juntamente com o sustento e a atenção para os filhos e netos.Essas transições mexem e impactam a tolerância ao risco e o horizonte de investimento, enquanto o discurso tradicional coloca mulher com perfil mais estático, lembra Carolina. “As mulheres tomam menos risco, precisam estudar para investir mais, mas vão ajustando as decisões de acordo com a realidade e o momento”, diz.  Ela dá o exemplo de uma mulher casada e que não tem filhos, tem família estável, e que terá um perfil de investimento totalmente diferente do de uma mulher que tem filhos, é o alicerce da família e sustenta os pais. “Muda muito”.  Por isso, para oferecer soluções de investimento, é preciso entender a realidade da mulher investidora. Investimento como um luxoUm complicador, segundo Carolina, é que, para muitas mulheres, investir ainda é percebido como um luxo e algo que só vem depois de todas as obrigações cumpridas. “E isso tem um contexto histórico”, observa. Ela lembra que o relacionamento das mulheres com dinheiro é muito recente — até a década de 1980, os direitos financeiros nem eram iguais. “É quase como se a gente não pertencesse a esse mundo”, diz. “As mulheres foram criadas para priorizar cuidado, casa, família, sempre os outros, e não para acumular dinheiro e cuidar do próprio patrimônio”, explica. Por isso, em geral, investir se tornou algo que acontece só se sobra dinheiro após atender tudo o que é necessário, nunca sendo tratado como prioridade. “Na prática, causa até culpa, medo, insegurança”, exemplifica. Para Carolina, “enquanto tivermos tantas questões e o lugar de dinheiro for o de ambição e ganância, investir fica algo distante”.Mulheres provedoras Ela nota também que a independência financeira feminina nem sempre inclui o investimento, o que estaria muito relacionado ao contexto social. “Nunca fomos protagonistas na questão de contato com o dinheiro, e por muito tempo também na questão de renda e trabalho”, diz. Mas ela lembra que isso mudou e hoje mais de 50% dos lares são sustentados por mulheres. “Mesmo assim não somos protagonistas no controle e gestão do ponto de vista de investir”, diz Carolina. Para muitas mulheres, inclusive, falar de dinheiro não é socialmente aceito e é até assunto tabu, avalia Carolina. As consequências são que as mulheres demoram muito para entender a importância do tema, o que muitas vezes só acontece quando falta o dinheiro. “É no divórcio, quando os pais envelhecem ou na transição de carreira, aí elas entendem que nunca olharam para isso como deveriam ter olhado” diz. “Precisamos desmistificar o assunto, e o bom é que as novas gerações são bem diferentes”, diz.Dependência e vulnerabilidadeNo longo prazo, essa falta de atenção resulta na falta de planejamento e na construção de um patrimônio aquém do potencial, maior dependência financeira e vulnerabilidade na aposentadoria. Para Carolina, o silêncio em torno do tema do dinheiro impede em certa medida a mulher de entender esse tema como estratégia de vida. “Olhar para o próprio dinheiro exige você se permitir e aceitar que ele é necessário e muito importante”, defende Carolina. Ela acrescenta que é preciso quebrar também a ideia de que mulher precisa investir sozinha. “A gente busca profissional pra tudo – médico, advogado, psicólogo, mas quando é dinheiro, existe a crença que precisa fazer sozinha”, afirma. Além disso, o mercado financeiro ainda tem uma linguagem muito técnica, e é preciso olhar mais para objetivo e ciclo e escolha, e não apenas falar de rentabilidade, acrescenta. The post Mulheres tomam menos risco, mas média de investimento é maior que a dos homens appeared first on InfoMoney.