O presidente Donald Trump afirmou que prevê o fim da guerra dos Estados Unidos contra o Irã dentro de duas a três semanas, sugerindo que o país já teria alcançado em grande parte seus objetivos militares e deixaria para outras nações a tarefa de resolver as questões ligadas ao Estreito de Ormuz.“Eu diria que dentro de duas semanas, talvez duas semanas, talvez três”, disse Trump a repórteres na Casa Branca nesta terça-feira. “Nós vamos sair porque não há razão para continuarmos fazendo isso.”Leia tambémFrustração de Trump com guerra no Irã cresce e Casa Branca não descarta saída rápidaCom a guerra sem saída clara e o petróleo em disparada, Trump aumenta a pressão sobre aliados, cogita encerrar a operação e aceita deixar Hormuz sem solução definitivaBombardeiros B-52 dos EUA começaram a voar em missões sobre o Irã, diz PentágonoPentágono diz que defesas antiaéreas iranianas foram “significativamente degradadas”, mas admite que Teerã ainda mantém capacidade de lançar mísseis em resposta aos ataques dos EUA e de IsraelTrump indicou que ainda seria possível que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos nesse intervalo.“Estamos terminando o trabalho, e eu acho que dentro de talvez duas semanas, talvez alguns dias a mais para concluir o trabalho, mas queremos eliminar absolutamente tudo o que eles têm”, afirmou. “Agora, é possível que façamos um acordo antes disso, porque vamos atingir pontes, e já atingimos algumas — temos mais algumas boas pontes em mente. Mas, se eles vierem à mesa, será bom.”O presidente voltou a expressar frustração com aliados dos EUA por não ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz, a rota marítima crítica que está em grande parte fechada desde o início do conflito. Seus comentários nesta terça ocorreram enquanto Trump tem dito a pessoas próximas que está irritado com membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e outros aliados, segundo pessoas familiarizadas com seu pensamento. Com a guerra se prolongando, Trump vê alguns parceiros como pouco dispostos a fazer o suficiente para ajudar a alcançar um desfecho decisivo para o conflito.Trump já trouxe parte dessas queixas a público, conclamando aliados nesta terça a “ir buscar seu próprio petróleo”, apesar das ameaças iranianas que, na prática, fecharam o vital Estreito de Ormuz e fizeram os preços globais de combustíveis dispararem.“Vocês vão ter que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudar vocês, assim como vocês não estiveram lá por nós”, escreveu em uma rede social.Trump tem oscilado entre afirmar que há progresso em conversas diplomáticas com Teerã e ameaçar intensificar os ataques, ao mesmo tempo em que se mostra cada vez mais insistente em obter um cessar-fogo.O presidente reconhece que a situação atual é insustentável, segundo outra pessoa familiarizada com seu pensamento, que pediu anonimato para discutir deliberações privadas.Recentemente, a equipe de Trump tem sinalizado que a reabertura de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima no mundo — pode não ser uma condição necessária para encerrar a guerra. O S&P 500 subiu 2,9% e o Nasdaq Composite avançou 3,8% em meio à especulação de que EUA e Irã estariam buscando uma saída para o conflito. Os contratos futuros de petróleo WTI (West Texas Intermediate) caíram 1,5% e fecharam perto de US$ 101 por barril.Esse cenário poderia acalmar investidores preocupados, que querem ver os impactos constantes da guerra se dissiparem.Por outro lado, deixar indefinida a situação do estreito — especialmente com Teerã exigindo soberania sobre a rota marítima como parte de um acordo — faria pouco para evitar nova volatilidade na economia global. O Brent já disparou cerca de 60% em março, desde o início da guerra, e o preço da gasolina nos EUA superou US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022.Tomadas em conjunto, essas evoluções sugerem que a guerra iniciada por Trump ao lado de Israel já não está totalmente sob seu controle. Isso também representa um risco político para o presidente, que fez campanha prometendo não iniciar novas guerras e cujo Partido Republicano enfrenta a possibilidade de perder o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.Ainda assim, é o impacto econômico da guerra que aparece como a principal preocupação na Casa Branca, à medida que altos funcionários se mostram cada vez mais apreensivos com o risco que o conflito representa para parlamentares republicanos que tentam a reeleição, disse uma das fontes.“O presidente Trump sempre foi claro sobre as disrupções de curto prazo decorrentes da Operação Fúria Épica. A trajetória econômica de longo prazo da América, no entanto, permanece sólida, com o governo focado em implementar a comprovada agenda econômica do presidente de cortes de impostos, desregulação e abundância energética”, disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, em comunicado. “Uma vez que os objetivos da Operação Fúria Épica tenham sido alcançados e essas disrupções de curto prazo tenham ficado para trás, os americanos podem ter certeza de que a agenda do presidente vai liberar o crescimento histórico de empregos, salários e atividade econômica que viram no primeiro governo Trump.”Críticos acusam os EUA de subestimar a escala e a duração das disrupções nos fluxos de energia decorrentes do conflito. Trump e sua equipe, porém, têm tentado separar a ameaça histórica que o Irã e seus grupos aliados representam para os EUA e para a região do impacto da guerra sobre o transporte marítimo. Como os EUA são hoje menos dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio do que a Ásia, o presidente também tem tentado transferir a responsabilidade para países mais dependentes da energia proveniente da região, para que ajudem a resolver o problema.Trump afirmou nesta terça que os EUA ajudaram a reduzir drasticamente a ameaça militar representada pelo Irã, o que, segundo ele, pode pavimentar o caminho para que o problema do estreito se resolva por si só.“Bem, eu acho que ele vai abrir automaticamente, mas a minha visão é: eu oblitero o país. Eles não têm mais força, e que os países que usam o estreito vão lá e o abram”, disse o presidente ao New York Post.Essa sugestão pode alarmar países do Golfo, que ficaram animados com a afirmação de Trump feita na Fox News na semana passada, de que os EUA continuariam protegendo aliados do Golfo mesmo “se nós não ficarmos” no Irã.“Eles provavelmente gostariam que nós ficássemos”, disse. “Se não ficarmos, vamos protegê-los. Nós sabemos, você sabe, eles têm sido muito bons.”Embora os EUA possam, em tese, encerrar as operações militares contra o Irã e deixar a questão de Ormuz para uma força-tarefa de coalizão separada, isso reduziria a influência de Washington sobre Teerã — especialmente porque aliados europeus e do Golfo estão interessados apenas em uma missão mais restrita, focada em reabrir o estreito, e não em alcançar objetivos estratégicos mais amplos por meio do bombardeio de ativos iranianos.Durante as negociações anteriores à guerra atual, Trump mobilizou uma quantidade sem precedentes de meios militares — de caças a grupos de ataque de porta-aviões — no Oriente Médio, mas ainda assim não conseguiu que o Irã cedesse em algumas exigências dos EUA, como o abandono de seu programa de mísseis ou o fim do apoio a grupos aliados como o Hezbollah ou o Hamas.Os Emirados Árabes Unidos são o único país árabe do Golfo que afirmou que vai integrar uma força naval para tentar reabrir Ormuz ou fornecer escoltas. O Bahrein trabalha em uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para conceder mandato a uma força-tarefa naval.O secretário de Defesa, Pete Hegseth, citou a postagem do presidente em rede social quando perguntado, em entrevista coletiva na manhã de terça-feira, se a reabertura do estreito era um objetivo essencial da Operação Fúria Épica.Hegseth disse que reabrir o estreito “não é apenas um problema dos Estados Unidos da América” e afirmou: “Em última instância, acho que outros países deveriam prestar atenção quando o presidente fala. Ele já provou que, quando fala, é porque quer dizer algo. E ele está apontando que talvez seja hora de começar a aprender a lutar por conta própria.”A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em entrevista coletiva na segunda-feira que os EUA estavam “trabalhando para” reabrir totalmente o estreito, mas não listou isso como um objetivo militar central dos EUA quando questionada se Trump declararia vitória mesmo que o tráfego pelo estreito permanecesse lento.Leavitt reiterou que os objetivos centrais são destruir a Marinha iraniana, destruir os mísseis balísticos do Irã, desmantelar a infraestrutura da indústria de defesa iraniana e impedir que o país obtenha uma arma nuclear.Falando na sexta-feira passada, após se reunir com seus homólogos do G7, o secretário de Estado, Marco Rubio, também traçou uma linha entre os objetivos estratégicos da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz.Seria inaceitável, após o fim da operação, que o Irã continue controlando o estreito e exigindo pagamento para atravessá-lo, disse Rubio. “O mundo inteiro deveria estar indignado com isso. Nós somos impactados um pouco. Mas o resto do mundo é impactado muito mais.”© 2026 Bloomberg L.P.The post Trump diz que EUA devem deixar o Irã em “duas ou três semanas” appeared first on InfoMoney.