A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) aposentou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob acusação de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça.A decisão, que coloca o oficial na reserva, foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (2), por meio de uma portaria de inatividade.Segundo estimativas da reportagem, o tenente-coronel recebia cerca de R$ 28 mil brutos, o equivalente a aproximadamente R$ 15 mil líquidos. Na aposentadoria, deve passar a receber cerca de R$ 21 mil brutos, com rendimento líquido estimado entre R$ 15 mil e R$ 18 mil.A Secretaria de Segurança Pública (SSP) deu entrada, nesta segunda-feira (30), em um procedimento que deve terminar na expulsão do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito pelo feminicídio da soldado Gisele. O Prazo Conselho é de 30 dias prorrogáveis por mais 20 dias.A Jovem Pan entrou em contato com a corporação para saber se a aposentadoria interfere no processo de expulsão em andamento, bem como para confirmar se, em caso de eventual condenação e perda da patente, o oficial também perde o direito à remuneração da aposentadoria.Entenda o casoGisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. O caso inicialmente foi tratado como suicídio, mas mudou para feminicídio e fraude processual após o andamento das investigações. Em 18 de março, Geraldo foi levado e está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes.O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.A polícia afirma que versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.Entre as evidências estão:– marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele;– manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto;– maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima;– modo como o corpo da policial estava disposto no chão indicando uma provável manipulação da cena do crime.Outro importante elemento analisado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele e identificou o histórico de constantes brigas, instabilidade. Gisele era submetida a um casamento violento, de muito controle, ameaças e ciúmes.Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência ao término.