Serena alerta para retração de investimentos com cortes de energia

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O aumento dos cortes na geração de energia (conhecidos como curtailment) e o cenário de sobreoferta aliado à baixa demanda têm levado empresas a frear investimentos no setor elétrico brasileiro. A avaliação é de Bernardo Bezerra, diretor da área de regulação da Serena, durante o evento Minuto Mega Talks, promovido pela Megawatt, em São Paulo.Segundo o executivo, o ambiente atual tem gerado incertezas que dificultam a expansão de novos projetos no país. “Estamos em um momento de segurar investimentos enquanto não está resolvida a questão do ‘curtailment’. O momento é de uma freada na expansão no Brasil”, afirmou.Os cortes de geração vêm ocorrendo por diferentes razões operacionais e estruturais. Entre elas, estão problemas na infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasos na entrega de obras, situações em que os geradores podem ser ressarcidos, já que não são responsáveis pelo impedimento de escoamento da energia.Outros dois fatores, no entanto, têm impacto mais direto sobre o risco dos projetos: a limitação da capacidade das linhas de transmissão, que impede o transporte da energia gerada, e o excesso de oferta em relação à demanda no sistema elétrico. Nesses casos, não há previsão de compensação financeira aos geradores, o que aumenta a incerteza regulatória e os prejuízos para as empresas.O tema tem mobilizado agentes do setor, que aguardam desde o ano passado uma resposta do governo federal. O MME (Ministério de Minas e Energia) prometeu a elaboração de um “termo de compromisso” para tratar do problema e definir possíveis mecanismos de ressarcimento. A indefinição, porém, segue pressionando o ambiente de negócios.