Após a dolorosa eliminação nos pênaltis para a Bósnia, a Azzurra está fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva — um fato inédito e humilhante para uma seleção tetracampeã do mundo.A imprensa italiana não perdoou. Manchetes duras dominam as capas dos principais jornais esportivos nesta quinta-feira: “Tutti a casa” (Todos para casa) e “Via tutti” (Fora todos) são as frases mais repetidas na Gazzetta dello Sport, Corriere dello Sport e Tuttosport. Um editorial da Gazzetta chegou a classificar o novo fiasco como o “terceiro apocalipse” da Azzurra, lamentando que o choque já esteja se tornando “quase normal” para o torcedor italiano.Nas redes sociais e nas ruas, o sentimento é uma mistura explosiva de amargura, frustração e vergonha. Houve relatos de protestos de torcedores em algumas cidades, demonstrando o tamanho da revolta com o futebol italiano atual.O presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, tentou minimizar a crise ao declarar que “nada grave aconteceu” mas, pediu demissão do cargo. Gennaro Gattuso ainda resiste e Gianluigi Buffon decidiu sair.A pressão política também cresce. Senadores de diferentes partidos e até o ministro do Esporte cobram abertamente a e dizem que o futebol italiano não aguenta mais tanta incompetência.Analistas apontam que o prejuízo vai muito além das quatro linhas. A ausência na Copa do Mundo representa uma perda bilionária em direitos de transmissão, patrocínios e impacto negativo no turismo esportivo.Mas o principal debate que toma conta do país é sobre o “sistema podre” que levou a Itália a ficar de fora de três Mundiais seguidos.A ferida é profunda. A Azzurra voltou para casa em silêncio, com os jogadores cabisbaixos e sem dar declarações. O orgulho ferido de uma das maiores seleções da história do futebol vai demorar para cicatrizar.E o pior: ninguém parece ter a solução à vista.