Celebrada em diferentes tradições religiosas, a Páscoa costuma carregar significados profundos tanto para o cristianismo quanto para o judaísmo. Embora tenham origens conectadas, as duas datas representam experiências distintas de fé, memória e espiritualidade — unidas, sobretudo, pelo simbolismo da libertação.A palavra “Páscoa” vem do hebraico Pessach, que significa “passagem”. Esse conceito está no centro das duas celebrações, mas ganha interpretações diferentes ao longo da história. Saiba como diferentes religiões comemoram a Páscoa Descubra o chocolate ideal para cada signo na Páscoa Mesa posta e mais: veja as principais tendências de Páscoa de 2026 Para os judeus, o Pessach relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, narrada no livro bíblico do Êxodo. Já para os cristãos, a data celebra a ressurreição de Jesus Cristo, entendida como a vitória sobre a morte e o pecado.Segundo o padre Cleiton Viana da Silva, também doutor em teologia moral, do clero da Diocese de Mogi das Cruzes (SP) e autor de vários livros, como “Preceitos da serenidade: viver um dia de cada vez”, essa diferença redefine o próprio sentido da existência para os cristãos. “A ressurreição de Cristo muda o eixo da vida. A morte deixa de ser o fim e passa a ser uma passagem. A esperança cristã não é apenas emocional, mas uma certeza de que Deus já venceu o mal”, explica.Libertação histórica x libertação espiritualApesar das diferenças, há um elo importante entre as duas celebrações: a libertação. No Pessach, a libertação é histórica e coletiva. A festa recorda a saída do povo hebreu do Egito e reforça valores como liberdade, fé e identidade cultural. Como destaca Eliahu Hasky, rabino da Sinagoga de Copacabana, no Rio de Janeiro, trata-se de um momento de reconexão espiritual: “Não é apenas a libertação física, mas também uma libertação moral e espiritual que cada geração precisa buscar”.Já na Páscoa Cristã, essa ideia se amplia. De acordo com o padre, a libertação ganha um sentido universal. “Em Cristo, a passagem não é apenas da opressão para a liberdade, mas da morte para a vida, do pecado para a graça”, diz.Como cada tradição celebraAs formas de celebração também evidenciam as diferenças entre as duas Páscoas. No judaísmo, o Pessach dura oito dias e começa com o “Seder”, um jantar ritual repleto de simbolismos.Durante a cerimônia, as famílias seguem a leitura da Hagadá (texto que narra a saída do Egito e orienta os rituais da cerimônia) e consomem alimentos específicos, como o matzá (pão sem fermento), ervas amargas e o charosset, que remetem à experiência da escravidão e da libertação. Ao longo do período, alimentos fermentados são evitados, reforçando a memória histórica.A celebração também tem forte caráter familiar e educativo, com destaque para a participação das crianças, que fazem perguntas e ajudam a recontar a história do povo judeu.Já no cristianismo, a Semana Santa conduz os fiéis por um caminho espiritual que culmina na Páscoa. Esse percurso inclui o Domingo de Ramos, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo, até chegar à Vigília Pascal — considerada a celebração mais importante, marcada por símbolos como luz, água e renovação.Datas que já foram as mesmasCuriosamente, as duas celebrações já chegaram a coincidir. Nos primeiros séculos do cristianismo, alguns grupos celebravam a Páscoa no mesmo dia do Pessach, seguindo o calendário hebraico (14 de Nisã).Com o tempo, porém, a Igreja passou a fixar a data no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte, para destacar a ressurreição de Cristo. Essa definição foi consolidada no século IV.Páscoa: saiba como cada região do Brasil celebra a data