Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) indexados ao CDI estão ficando menos generosos e podem enfrentar uma nova pressão pela frente. Um levantamento da Quantum Finance mostra que a fatia de títulos que pagam ao menos 100% do CDI vem encolhendo nos últimos anos, em um movimento que pode ganhar força com a chegada do Tesouro Reserva.Entre 2023 e 2025, foram registradas 16.496 emissões de CDBs, das quais 12.044 (73%) ofereceram remuneração igual ou superior ao CDI. Apesar de ainda representarem a maioria, esses papéis vêm perdendo espaço ao longo do tempo:2023: 79% dos CDBs pagam mais de 100% do CDI2024: 73%2025: 64%O estudo também chama atenção para a dispersão das taxas. Apenas em 2025, os CDBs variaram de 70% a 125% do CDI, evidenciando que nem todos os produtos competem no mesmo patamar, seja em retorno, seja em liquidez.Na prática, isso indica que parte relevante das emissões já não entrega prêmio suficiente para atrair o investidor, especialmente em aplicações de liquidez mais imediata. Com isso, a comparação entre alternativas tende a ficar mais sensível e é nesse ponto que o Tesouro Reserva entra no radar.Tesouro Reserva atrasa, mas segue em testesO Tesouro Nacional ainda não disponibilizou ao público o Tesouro Reserva, título que era esperado para o início de março. Por ora, o produto segue em fase de testes para um público restrito, sem data confirmada para lançamento amplo.A proposta é oferecer um título atrelado à taxa Selic, hoje em 14,75%, com liquidez imediata e funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, permitindo aplicações e resgates a qualquer momento. Outro ponto central é a ausência de marcação a mercado, garantindo previsibilidade no valor resgatado.Pensado como uma alternativa para a reserva de emergência, o Tesouro Reserva deve ter aplicação mínima de R$ 1 e possibilidade de resgate integral a qualquer instante, mesmo com vencimento mais longo.A avaliação da Quantum é que o Tesouro ainda calibra aspectos operacionais, como a liquidez contínua e a integração com sistemas de pagamento. Quando estiver disponível, o título tende a elevar o nível de comparação no mercado, ao combinar retorno alinhado à Selic, simplicidade e risco soberano, o que pode pressionar ainda mais os CDBs, especialmente aqueles com remuneração abaixo do CDI.