A banda Jovem Dionísio chega ao terceiro álbum de estúdio com a proposta de aprofundar sua identidade sonora sem abrir mão da experimentação. Em “Migalhas”, lançado na última quarta-feira (1º), o grupo aposta em um processo mais coletivo, orgânico e instrumental para traduzir o momento atual da carreira, que, segundo os próprios, é mais maduro, mas ainda movido pela curiosidade. Em entrevista à CNN, os membros da banda contam mais sobre o processo de construção do projeto.O projeto conta com 10 faixas, que podem ser traduzidas como “migalhas” de cada um dos cinco integrantes: Bernardo Pasquali (vocal), Rafael Dunajski Mendes “Fufa” (guitarra), Gustavo Karam (baixo), Bernardo Hey “Ber Hey” (teclado) e Gabriel Dunajski Mendes “Mendão” (bateria). The Strokes intriga fãs com post misterioso após 6 anos sem lançamentos Olivia Rodrigo anuncia terceiro álbum; veja título e data de lançamento Megan Thee Stallion recebe alta após mal estar em show Retorno ao orgânico e destaque instrumentalUm dos traços mais marcantes do álbum é o investimento em arranjos instrumentais mais elaborados, que contam com a presença de elementos como violino e até uma faixa inteiramente instrumental (“Trixini Portuali”).De acordo com Mendão, essa escolha está diretamente ligada à experiência ao vivo. Foi nos shows e ensaios que a banda redescobriu o prazer de tocar junta, ao mesmo tempo, valorizando o “play” coletivo. A decisão, então, foi levar essa energia para o estúdio.“Eu também escuto muito bandas que valorizam isso, acho que também casa com esse momento que a gente está”, disse ele.Dos Beatles aos anos 1970O processo criativo de Migalhas também foi atravessado por referências clássicas. Durante um retiro na Praia do Rosa, onde começaram a desenvolver o álbum, os integrantes assistiram juntos a documentários dos The Beatles, absorvendo detalhes do processo criativo da banda inglesa.“Eu vi, por exemplo, que o Ringo Starr botava um pano em cima do surdo para um efeito específico do som, comecei a fazer o mesmo”, destacou Mendão. “Assistíamos ao documentário todos os dias e reparávamos na maneira como eles faziam as coisas.”Jovem Dionísio também contou que mergulhou em discos brasileiros dos anos 1970, destacando “Arthur Verocai” (1972) e “Clube da Esquina” (1972).Composições refletem amadurecimentoConhecida por composições íntimas, a banda mantém essa característica, mas com novas camadas. As músicas de “Migalhas” refletem mudanças naturais da vida adulta: novas preocupações, prioridades e formas de expressão.“A gente vai envelhecendo e aprendendo maneiras novas de falar coisas antigas”, afirmou Bernardo Pasquali, destacando que o disco é também um retrato do crescimento conjunto do grupo, que faz música há quase uma década.Sucesso e liberdade criativaApós o sucesso de hits anteriores, como a icônica faixa “Acorda Pedrinho” e até uma indicação ao Grammy Latino, a banda poderia sentir o peso das expectativas. Mas, segundo os integrantes, o reconhecimento serviu mais como validação do que como pressão.“A gente faz música para sentir coisas, e se as pessoas estão sentindo também, é isso que importa”, ressaltou Bernardo.Ouça o álbum “Migalhas”