Ibovespa deve manter fôlego após brilhar no 1º tri, dizem especialistas

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O Ibovespa driblou a guerra no Oriente Médio e, mesmo diante das incertezas em torno do conflito, teve o melhor desempenho do primeiro trimestre de 2026 entre os principais mercados globais, de acordo com levantamento da Elos Ayta.O principal índice da bolsa brasileira teve uma rentabilidade, em dólares, de 22,65% entre janeiro e março, superando tanto pares emergentes, como Peru (16,64%) e Colômbia (11,35%), quanto o S&P 500 (-4,63%), em Wall Street, e o japonês Nikkei 225 (0,25%).Analistas ouvidos pelo CNN Money explicam que o destaque do mercado doméstico é amparado em fatores distintos, desde o choque no preço do petróleo, que se mantém acima de US$ 100, até a ampliação de um movimento de rotação de carteiras já observado desde o início do ano.Os especialistas apontam que o gás do Ibovespa tende a se manter nos próximos meses, alimentado sobretudo pela entrada de capital estrangeiro.Peso do petróleoBeto Saadia, economista-chefe da Nomos, afirma que o peso do petróleo na balança comercial brasileira – a commodity foi o principal item das exportações em 2025 – como vetor para a alta do Ibovespa.A disparada do preço do barril evitou a maior desvalorização do real ante o dólar – contribuindo para a alta do índice na divisa norte-americana -, ao mesmo tempo que valorizou petroleiras, setor com grande peso na bolsa brasileira.“Estamos cada vez mais bem ranqueados como grande exportador de petróleo, estimamos que isso gere R$ 30 bilhões por ano, com o petróleo flutuando na casa de US$ 100”, explica o economista. O câmbio brasileiro também foi beneficiado pelo carry trade, ou seja, o diferencial de juros domésticos ante outros países, sobretudo os Estados Unidos. Apesar da recente queda de 0,25 ponto na Selic pelo BC (Banco Central), a taxa básica segue no maior patamar em quase duas décadas, a 14,75% ao ano.Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain, afirma que a autoridade monetária tende a manter os juros pressionados diante do cenário de conflito no Oriente Médio, reforçando a atratividade para o dinheiro estrangeiro.“Vemos nosso câmbio caindo por causa dessa entrada de capital”, diz.Rotação de carteira e Brasil descontadoApesar do impulso dado pela tensão geopolítica, o bom desempenho do Ibovespa já chamava a atenção dos analistas desde o começo do ano, seja pelo grande volume de entrada do investidor estrangeiro, seja pela sequência de recordes que levaram o índice a superar os 190 mil pontos.O analista de Internacional da EQI Research, Marink Martins, lembra que o começo do ano foi marcado por um movimento de rotação global de portfólio, que beneficiou países emergentes, como o Brasil.“O dinheiro estava saindo dos Estados Unidos em busca de uma certa segurança em setores mais cíclicos, setores mais tradicionais. No começo do ano, foi mais ou menos uma vitória da velha economia.”Saadia afirma que esse movimento se manteve em março, apesar da perda de fôlego, com a entrada de R$ 5 bilhões de capital estrangeiro na bolsa brasileira. Leia Mais Alta nos preços de passagens aéreas é inevitável, dizem especialistas Pesquisa da CNN: Aprovação de Trump em relação à economia atinge mínima Moedas latino-americanas devem ser penalizadas com política defensiva Segundo ele, as bolsas nos EUA foram afetadas pela descrença do mercado com ações de tecnologia após as sequências de recordes em 2025, enquanto o aumento global dos preços de energia penalizam ações na Europa e na Ásia.“A bolsa brasileira está atrativa comparado aos Estados Unidos, isso ajudou a um fluxo muito grande de capital”, diz.Para Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, a pouca conexão de dependência com os ativos mais afetados pela guerra também deram fôlego ao Ibovespa.“Nós não estamos próximos da guerra do Irã. Temos dependência apenas de fertilizantes e não temos uma dependência grande do petróleo que vem diretamente do Oriente Médio, e também conseguimos negociar com outros parceiros comerciais caso seja necessário”, explica.Solange Srour explica os impactos da guerra no Brasil e nos EUA | FECHAMENTO DE MERCADOFôlego deve se manterO bom desempenho do Ibovespa entre janeiro e março deve se manter nos próximos meses, apesar das incertezas com a duração e os efeitos do conflito no Oriente Médio. afirmam os especialistas.Ainda na frente global, o mercado deve seguir observando os movimento de Donald Trump, após as incursões dos EUA na Venezuela e no Irã.Já no cenário doméstico, o foco deve estar na eleição presidencial, em outubro, e no ritmo que o BC vai impor para novos cortes da taxa básica de juros.“Esse ano é de expectativa positva para para a bolsa, mesmo entendo que vamos ter volatilidade”, diz Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos.A expectativa de bons ventos que podem impulsionar o Ibovespa para próximo da marca histórica de 200 mil pontos também é reforçada pela reabertura do Estreito de Ormuz e normalização do fluxo global do petróleo.Santana, da Top Gain, aponta que há muito dinheiro “parado” em renda fixa, que podem ser mobilizados para o mercado de ações com desfecho positivo no Oriente Médio.O otimismo, porém, é regulado por sinais de uma ampliação e extensão dos conflitos, apesar de essa visão ser a menos proválve no momento, diz ele.Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil