Mulheres das periferias transformam mobilidade em oportunidade

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A bicicleta vem se consolidando como uma poderosa ferramenta de autonomia para mulheres das periferias, especialmente em um contexto marcado por desigualdades de acesso à mobilidade e ao trabalho. Esse movimento aparece em dados recentes do setor.Segundo levantamento da Transporte Ativo, no estudo Perfil do Ciclista Brasileiro (2024), as mulheres ainda pedalam 37% menos que os homens no país — evidenciando uma desigualdade persistente no acesso à bicicleta. Dados reunidos pela Aliança Bike (2025) também apontam que a participação feminina no ciclismo vem crescendo, inclusive em eventos esportivos, onde as mulheres já representam cerca de 25% dos inscritos. Esse avanço, no entanto, acontece em meio a desafios importantes: em cidades como São Paulo, 65,7% das mulheres relatam já ter sofrido algum tipo de agressão ou importunação enquanto pedalavam, mostrando como a insegurança ainda é um fator determinante na experiência feminina com a bicicleta.É justamente nesse contexto de crescimento, mas também de barreiras, que iniciativas de formação ganham relevância ao transformar interesse em autonomia concreta. O projeto Viver de Bike, realizado pelo Instituto Aromeiazero, se destaca nesse cenário ao oferecer uma formação completa que integra mecânica de bicicletas, gestão financeira e segurança no trânsito, promovendo inclusão e autonomia.Aulas do projeto Viver de Bike. Foto: Instituto AromeiazeroDados recentes das turmas realizadas na Zona Leste de São Paulo, edição atual do curso que tem o patrocínio do Itaú Unibanco apontam para uma mudança relevante no perfil de participação. A iniciativa não é exclusiva para mulheres, mas os dados mostram que elas representam uma parcela crescente dos participantes: na primeira turma, 30,1% eram mulheres cis; na segunda, 45,3%; e na terceira, chegaram a 50%. Além disso, há procuraconstante de pessoas trans e não binárias (até 15% em algumas turmas), refletindo a diversidade do público interessado. Esses números indicam uma tendência consistente de aumento da participação feminina e de grupos historicamente sub-representados, refletindo um movimento mais amplo de transformação social. Leia também: 1.Bike Parada Não Rola: projeto recolhe bicicletas abandonadas 2.Sobre lobos, bicicletas e qualidade de vida Esses dados reforçam como iniciativas locais surgem em resposta direta aos desafios enfrentados pelas mulheres no ciclismo urbano, especialmente no que diz respeito à segurança e à autonomia no dia a dia. Para elas, a bicicleta vai além de um meio de transporte, pois permite realizar deslocamentos encadeados — levando filhos à escola,resolvendo tarefas do dia a dia e conciliando múltiplas jornadas — e se torna também uma ferramenta de emancipação.Maria, com seu certificado do curso Viver de Bike. Foto: Instituto AromeiazeroAprender mecânica, por exemplo, possibilita que lidem com imprevistos, como um pneu furado, sem depender de terceiros, reduzindo riscos e aumentando a confiança no pedal. Desse modo, o projeto do Aromeiazero se consolida como um exemplo concreto de transformação: ao combinar formação em mecânica, segurança no trânsito e gestão financeira, ele empodera participantes de diferentes perfis, abrindo caminhos para geraçãode renda, ocupação de espaços historicamente masculinos e oportunidades de trabalho.Mais do que pedalar, essas pessoas estão transformando a cidade e com isso, fortalecendo um futuro mais inclusivo e igualitário nas periferias.Conteúdo enviado por Karen Carneiro, coordenadora de projetos do Instituto AromeiazeroColunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.The post Mulheres das periferias transformam mobilidade em oportunidade appeared first on CicloVivo.