Na noite de segunda-feira (30), a Natura (NATU3) anunciou que os acionistas controladores assinaram um novo acordo, com efeito imediato e prazo de dez anos, prorrogável por igual período, abrangendo a totalidade (38,8%) de sua participação atual.Juntamente com o novo acordo, a empresa também propôs uma nova composição para o conselho de administração, que deverá ser formada por Alessandro Carlucci (presidente), Luiz Guerra, Pedro Villares, Guilherme Passos, João Paulo Ferreira, Maria Eduarda Kertész, Flavia de Almeida e Gabriela Comazzetto. Além disso, os três fundadores visionários da Natura (Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos), juntamente com Fabio Barbosa (atual presidente do Conselho e ex-CEO), atuarão como membros do conselho consultivo –sem funções executivas, poder de decisão ou autoridade para representar a empresa –um novo cargo com mandato de 10 anos, ainda sujeito à aprovação dos acionistas.Juntamente com o novo acordo de acionistas, a empresa anunciou que recebeu um compromisso vinculativo de investimento da Advent International para adquirir uma participação de 8 a 10% na Natura a R$ 9,75/ação, em média. Conforme destaca o Bradesco BBI, é importante ressaltar que o compromisso será rescindido se a Advent (i) ultrapassar a participação de 10%, (ii) não atingir 8% em seis meses ou (iii) se o preço-alvo médio da Natura ultrapassar R$ 9,75 em 3 meses. Caso seja bem-sucedida, a Advent se compromete a estabelecer um novo acordo de acionistas (para coexistir com o novo acordo de acionistas elaborado pelos acionistas atuais) e terá o direito de nomear dois membros adicionais para o conselho e participar de determinados comitês consultivos. “Em termos de estratégia, observamos que a Advent já possui investimentos no setor de cuidados pessoais, cosméticos e Perfumaria no Brasil -o fundo adquiriu uma participação majoritária na Skala Cosméticos, uma marca líder em cuidados capilares no Brasil, em 2024, e a fundiu com a Lola From Rio no ano passado”, aponta o BBI, citando, de acordo com notícias locais, que ambas as marcas possuem forte distribuição no varejo e uma sólida presença digital, proporcionando aos executivos uma experiência robusta no segmento.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA avançam Para o Bradesco BBI, o anúncio é positivo de forma geral. Em primeiro lugar, as ações podem reagir positivamente, com potencial para convergir em direção ao preço médio da oferta proposta de R$ 9,75/ação (+5,5% em relação ao fechamento de segunda). O anúncio pode estabelecer um piso de avaliação para as ações nos próximos meses. Em segundo lugar, a possível entrada da Advent pode remodelar/aprimorar o senso de responsabilidade e propriedade na Natura, o que, com o tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos.“Dito isso, continuamos intrigados com a abordagem da Advent: aparentemente, a empresa não detém ações da NATU3 neste momento, e a indicação de que a participação de 8 a 10% seria construída por meio de compras no mercado secundário a um preço e tamanho predefinidos parece, à primeira vista, reduzir a probabilidade de concretização total do plano de adesão ao conselho de administração e ao acordo de acionistas (por exemplo, o compromisso seria rescindido se o preço médio alvo da NATU3 ultrapassar R$ 9,75/ação). Continuamos avaliando se outros elementos podem surgir para melhor sustentar a viabilidade prática deste plano”, avalia o banco. Em terceiro lugar, considera a proposta de reformulação do conselho, juntamente com a mentalidade estratégica da ‘nova fase’, um desenvolvimento construtivo. A nova composição, destacam os analistas, traz profissionais experientes e seniores, mais alinhados com as habilidades necessárias para a próxima fase da empresa (conforme delineado no Dia do Investidor do ano passado), e é liderada por Alessandro Carlucci, membro do conselho há mais de um ano e, notavelmente, CEO da Natura durante um ciclo de sucesso (2004-2014). “É importante ressaltar que a participação contínua dos fundadores e principais visionários da Natura deve ajudar a salvaguardar a cultura e o DNA estratégico de longo prazo da empresa –ativos que têm sido fundamentais para a construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina”, aponta. A XP Investimentos ressalta as novas pessoas para um novo ciclo. “Em nossa visão, a saída dos Fundadores e de Barbosa era esperada e o Conselho Consultivo é uma forma construtiva de mantê-los próximos”. Os analistas também veem positivamente o Conselho renovado e complementar para apoiar o novo ciclo de crescimento da Natura.“Quanto ao interesse da Advent, acreditamos que seja uma indicação positiva do potencial da companhia, ao mesmo tempo em que deve servir como uma referência de valor para as cotações”, avalia, reiterando compra para as ações. Para o BTG Pactual, a entrada de um patrocinador financeiro adiciona credibilidade à tese de investimento e pode servir de catalisador para reprecificação, em meio a um processo de reestruturação ainda em andamento, sendo que um ponto central do acordo é a reestruturação de governança.“A operação reforça a tese da Natura após um ciclo de transformação com venda de ativos, simplificação operacional e recuperação de margens, mas os desafios de retomada da receita líquida, estabilização da base de consultoras e entrega consistente de rentabilidade permanecem relevantes”, avalia, seguindo com recomendação neutra para as ações. Também na visão do Itaú BBA, o pacote é considerado construtivo: a renovação do Conselho Administrativo, juntamente com a possível entrada da Advent (com exposição direta ao setor de beleza por meio da Skala), pode agregar disciplina financeira e operacional ao Conselho, alinhando os interesses dos minoritários.The post Conselho renovado, entrada da Advent: como mercado viu pacote de anúncios da Natura? appeared first on InfoMoney.