O Brasil registrou, nos últimos 10 anos, um crescimento de 27% do empreendedorismo feminino. Esse salto foi 16 pontos percentuais (p.p.) maior que o verificado entre homens empreendedores no mesmo período. É o que aponta um estudo realizado pelo Sebrae a partir de dados trimestrais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua).Em 2015, havia 8,2 milhões de donas de negócio no país, número que subiu para 10,4 milhões em dezembro 2025, recorde da série histórica. Entre os empreendedores, o crescimento em uma década foi de aproximadamente 11%, com o total de 19,9 milhões de homens à frente de negócios em dezembro do ano passado.Além do crescimento do número de empreendedoras, o país também registrou um aumento substancial no nível de escolaridade das mulheres Donas de Negócios. No período da pesquisa entre 2012 e 2025, elas tiveram um salto de 18,6 pontos percentuais (p.p) na faixa de Ensino Superior Incompleto ou Mais e uma redução de 17,3 p.p na faixa Fundamental Incompleto. O resultado dessa mudança de perfil é que existem hoje 13 pontos percentuais mais mulheres DN com Ensino Superior ou Mais do que empreendedores do sexo masculino.Raimunda Nonata da Silva Pinheiro é representante comercial da associação responsável pela loja Barí da Amazônia, que apresenta peças de artesanato produzidas por mulheres indígenas | Foto: Marcos RochaOs dados do estudo mostram ainda a redução da disparidade no nível de faturamento entre homens e mulheres. Embora as empreendedoras ainda percebam uma remuneração 24% inferior à dos homens, esse hiato caiu 9,5 pontos percentuais entre 2012 e 2025. Em dezembro do ano passado, o rendimento médio das mulheres DN foi de R$ 2.929,94, outro resultado recorde do levantamento, contra R$ 3.864,12 da média da remuneração masculina.A diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, destaca a importância de políticas públicas que apoiem as mulheres empreendedoras, como o Fampe Mulher, fundo garantidor do Sebrae para negócios com liderança feminina. “As mulheres já são um pilar essencial para o desenvolvimento econômico e social. E, pelo empreendedorismo, podem conquistar ainda mais”, afirma.“O Sebrae tem atuado de maneira estratégica e abrangente para apoiar mulheres empreendedoras. Com garantia do Fampe, voltado exclusivamente para negócios liderados por mulheres, empreendedoras acessaram R$ 734 milhões em crédito em 2025”, destaca a diretora.Foto: DivulgaçãoMaior formalidadeDe acordo com o levantamento, as mulheres têm uma participação maior na contribuição para a previdência (43%), contra 39% entre os homens donos de negócios. Além disso, a busca pela formalização entre as empreendedoras é ligeiramente maior. No universo das mulheres donas de negócios, 37% possuem um CNPJ, resultado que supera em quase 4 p.p. a proporção de homens com empresas formalizadas.O estudo do Sebrae apontou que mais da metade das empreendedoras brasileiras está na faixa etária de 30 a 49 anos (51,3%), o que evidencia o protagonismo feminino na fase de maior maturidade produtiva. Entre os homens, cerca de 48% estão nessa mesma faixa de idade.Taxa de empreendedorismoEmbora as mulheres representem 51,8% da população em idade ativa, elas são apenas 34,3% dos donos de negócio no Brasil. Essa disparidade também se reflete na taxa de empreendedorismo que entre as mulheres ela é de 11,5%, menos da metade da observada entre homens (23,6%).