Moedas latino-americanas devem ser penalizadas com política defensiva

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As principais moedas da América Latina devem enfraquecer em abril, segundo uma pesquisa da Reuters com estrategistas de câmbio, à medida que autoridades monetárias se tornam defensivas frente aos possíveis problemas econômicos decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.O real brasileiro e o peso mexicano evitaram, em sua maior parte, o choque financeiro que atingiu muitas economias de mercados emergentes dependentes do petróleo dos países do Golfo, desde o início da guerra no mês passado. Leia Mais B3 exclui quatro ações da 1ª prévia do Ibovespa Teremos recessão nos Estados Unidos com impacto nos investimentos globais? Ibovespa dispara e bitcoin afunda no 1º trimestre de 2026 Qualquer desvalorização no curto prazo provavelmente será limitada por expectativas crescentes de uma política monetária mais rígida, depois que os presidentes dos bancos centrais do Brasil e do México emitiram mensagens cautelosas no início desta semana.O enfraquecimento do apelo do dólar norte-americano como um ativo seguro, mesmo com o conflito no Oriente Médio, daria um apoio extra às moedas latino-americanas, disseram os analistas.Em um mês, espera-se que o real seja negociado a 5,25 por dólar dos EUA, 1,3% mais fraco do que os 5,18 desta terça-feira (31), de acordo com a estimativa mediana de 28 analistas de câmbio consultados entre 27 de março e 1º de abril.O peso é visto em 18,06, ou 0,7% mais fraco do que os 17,93 de terça-feira.“O real não estará isolado do ambiente global, mas pode ter um desempenho superior, já que as taxas de juros reais provavelmente permanecerão altas, enquanto o Brasil é um exportador líquido de petróleo”, disse Erick Martinez, estrategista de câmbio e taxas da Latam no Barclays.O banco central do Brasil iniciou em março um aguardado ciclo de flexibilização monetária com um corte de 25 pontos-base na taxa de juros.Ainda assim, em 14,75%, a Selic permanece bem acima da faixa de 3,50% a 3,75% do Federal Reserve dos EUA, um nível que deve ser mantido pelo menos até setembro.Com relação ao México, Martinez disse que, com um banco central “dovish”, o peso provavelmente estará mais exposto a riscos de erosão.Na semana passada, o Banco do México reduziu sua taxa de juros básica em 25 pontos-base, para 6,75%, em uma votação bastante dividida.Mas o peso recuperou algumas perdas depois que o presidente do Banco do México disse a um jornal local na segunda-feira que estava próximo de concluir um ciclo de flexibilização iniciado há dois anos.No horizonte de 12 meses, a estimativa de consenso para o real foi de 5,34, ou uma perda de 3% em relação à terça-feira, e a previsão mediana para o peso mexicano foi de 18,10, uma queda de 0,9%.As previsões mais fracas para o próximo ano refletiram alguma preocupação com a renegociação do acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA) antes do prazo final de julho e da eleição presidencial do Brasil em outubro.Em resposta a uma pergunta adicional sobre os riscos para o real nos próximos 12 meses, 6 dos 15 entrevistados disseram estar inclinados a valores mais fracos, outros 6 disseram que estavam neutros e 3 se inclinaram para uma moeda mais forte.Sete dos 11 participantes esperavam que o peso se enfraquecesse ainda mais, três eram neutros e um disse que o risco era de fortalecimento.O peso subiu 0,4% até agora neste ano, e o real, 5,8%.