“Já existe o ‘sabor’ chocolate. Daqui a pouco terá só o aroma”, diz fundador da Dengo

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Na prateleira, tudo parece chocolate. Mas, segundo o fundador da Dengo, nem tudo é o que parece. “Hoje existe o sabor chocolate. Daqui a pouco nós vamos ter talvez apenas um aroma de chocolate, porque não vai ter cacau de verdade naquilo”, afirma Estevan Sartoreli. A frase ganha ainda mais importância às vésperas da Páscoa, principal data de consumo da categoria, quando o volume de vendas aumenta e a disputa por preço se intensifica.De acordo com Sartoreli, a busca por produtos mais baratos levou a um processo gradual de substituição de ingredientes o que ele chama de perda de essência do chocolate.“O primeiro elemento de um chocolate de qualidade é garantir que ele tem mais concentração de cacau, porque quando entra cacau, sai açúcar”, contou o fundador da Dengo em entrevista ao Do Zero ao Topo, programa que reúne histórias de empreendedores de sucesso. Hoje, a marca consegue conectar impacto social, qualidade e resultado financeiro.Leia também: Milk Moo nasceu 17 dias antes da pandemia e hoje soma centenas de lojas e fãsCrise do cacauA Dengo enfrentou um dos maiores testes da sua história recente durante a crise global do cacau em 2024 e 2025, onde o preço da matéria-prima quase triplicou de valor. “A nossa margem teve uma pressão relevante de cerca de cinco até sete pontos percentuais”, lembra o fundador. Mesmo nessa fase, Sartoreli disse que a empresa escolheu manter a qualidade e o propósito que nasceram com a marca. “Mas nós não abrimos mão de formulação e de qualidade de ingrediente e de produto final. Nós não entramos num processo de redução de cacau, de remoção de itens mais nobres e substituição por ingredientes menos nobres.”Mais caro e mais conscienteA Dengo aposta em uma proposta baseada em qualidade e rastreabilidade da cadeia, apostando em um modelo que paga mais ao produtor. Isso inclui maior concentração de cacau, ausência de gordura hidrogenada e eliminação de químicos desnecessários.A escolha também passa pelo conceito bean to bar, em que o controle da produção vai do grão à barra.“As marcas bean to bar mantêm integralmente a manteiga de cacau ao longo de todo o processo. Isto parece pouco, mas faz muita diferença. Comida de verdade dura pouco. Comida que dura muito tem químico desnecessário. E a gente acredita que a comida de verdade tem que vir da cozinha e não do laboratório”, explica.Para o executivo, essa escolha tem um impacto inevitável no preço final, mas reflete uma lógica mais ampla de consumo. Produtos de maior qualidade tendem a custar mais porque preservam ingredientes nobres e remuneram melhor a cadeia produtiva. E é nesse contexto, que o executivo defende uma mudança no comportamento do consumidor.“Quando a gente compra produtos conscientes, a gente está remunerando as pessoas de forma digna. A gente vai consumir menos, pagar mais pelo que consome, mas vai ser mais saudável e menos endividado”, afirma.Para saber mais detalhes sobre a trajetória da Dengo, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer,  Spreaker,  Castbox  e  Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post “Já existe o ‘sabor’ chocolate. Daqui a pouco terá só o aroma”, diz fundador da Dengo appeared first on InfoMoney.